Vivemos num mundo moderno onde tudo passa mais ou menos rapidamente. Percebemos a mutação e ao mesmo tempo sentimos que não estamos estáticos. Mudamos o tempo todo e, contudo não acreditamos no Amor eterno. Pois a cada momento somos outro. Essa tese já foi defendida pelo pré-socrático Heráclito, onde tudo flui tudo passa tudo se move sem cessar, a noite torna-se dia, o dia torna-se noite, o úmido seca, o seco umedece. Assim, para Heráclito, a Essência verdadeira está na transformação. Será que Heráclito estava certo?
Para o pré-socrático Parmênides, ao percorrer o caminho em busca da verdade, através da razão vamos perceber que o que é, é e nunca poderá deixar de ser. Todavia, quando se Ama é na Essência que o Amor se faz encarnado, tendo em vista que tudo flui e se transforma, o novo fica velho e morre. Somente o Amor não envelhece por estar numa dimensão espiritual onde só a razão pode tocar.
São dois os caminhos percorridos por Parmênides, primeiro o caminho da verdade, que nos faz conhecer o fato em si, isto é, o movimento pelo qual algo se mostra ao nosso conhecimento plenamente. Um segundo caminho é o da opinião, que é considerado por Parmênides como algo desprezível, como um ponto de vista qualquer, individual e que nunca poderia corresponder à verdade. Muitas pessoas condenam o Amor, exatamente por fincarem o pé nas opiniões, são guiadas pelas aparências. Entretanto, ao escolher o caminho da opinião, a pessoa torna-se refém da mesma, sendo manipulado e tendo o seu pensamento impedido de chegar à verdade.
Através dos sentidos, as pessoas percebem os mais diversos fenômenos naturais, constatam mudanças nas suas relações diárias e nos seres vivos em geral, isto é, testemunham um mundo que está em constante transformação. Segundo Parmênides, entretanto, o que é percebido pelos sentidos não permite que a pessoa conheça realmente a verdade, o Ser verdadeiro e universal. Mesmo ao encontrar um grande Amor, tudo pode se perder principalmente se a pessoa pautar a sua vida nas opiniões e nas especulações de suas fantasias. Contudo, a Filosofia Antiga não tem as opiniões como base, somente os fatos.
Por outro lado, Parmênides afirma que o Ser é imutável e eterno, porque, se sofresse uma transformação qualquer, teria de deixar de ser, isto é, para tornar-se outra coisa. Isto seria impossível, pois nada pode surgir do que não é. Assim como ninguém pode dar Amor se nunca soube o que é Amar. Ninguém pode dar aquilo que não tem e muito menos acreditar que alguém possa lhe Amar.
Entretanto, é uma verdade geralmente aceita pela Filosofia, assim como é incontestável para as ciências humanas que o ser humano tem uma faculdade espiritual. Desde o nascimento até a morte somos únicos na Essência. Apenas a energia vai-se renovando. Desprendemos energia e a recuperamos pela alimentação e respiração. A cada sete anos renovamos totalmente a energia corporal, desde a unha ao fio de cabelo sofrem mutações. O corpo que temos aos sessenta anos é o mesmo que tivemos aos vinte anos e também ao nascermos. Se olhar para uma foto de alguém quando tinha cinco anos de idade, certamente notará a diferença se a pessoa hoje tiver cinquenta anos. Apesar da energia material que o compunha, ter-se muitas vezes renovado totalmente é muito gratificante. Essa pessoa hoje carrega os mesmos condicionamentos, a mesma herança psicofísica, a mesma carga genética, inclusive a mesma cicatriz caso tenha alguma de infância. Com diferente energia material, mas com o mesmo corpo individual. Todo ser vivo sofre mutações sem deixar de ser ele mesmo. Tem pessoas que envelhecem juntas e continuam se Amando, mesmo depois de tantas mudanças corporais.
Por conseguinte, a sabedoria permeia essas duas linhas de raciocínio. De um lado Heráclito com sua teoria de que tudo flui e nada permanece o mesmo. Por outro lado Parmênides afirma que se existe o ser não é concebível a sua não existência. O ser é e nunca vai deixar de ser. Na Essência, desde o nascimento até a morte serei o mesmo Eduardo Morais, o que muda é a nossa energia corporal com o passar dos anos.
Portanto, é possível viver um Amor eterno e com Sabedoria. Há muitos caminhos para se chegar ao Amor Divino, mas um dos mais floridos é o caminho do Amor Humano entre as pessoas que se reconhecem e se respeitam nas suas Essências. Quando duas pessoas comungam o mesmo Amor, identificados num só querer, dois corações que batem no mesmo ritmo, podem se dizer sábios. No entanto, a Sabedoria é a luz do Amor e o Amor é o alimento da Sabedoria. Quanto mais profundo for esse Amor, mais se tornará sábio. Amando verdadeiramente, nos tornamos melhores, e quando estamos melhores é possível dizer que nos tornamos mais sábios e verdadeiros amantes da Essência Humana. É isso que permanece. O nosso corpo envelhece com o passar dos anos, para a Essência o tempo não existe. Enfim, o Amor é o símbolo da nossa própria existência. Vamos compartilhar nesse Amor.