17 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DE MARIA CONTADA EM PROSA

O que parecia impossível para alguns, tornou-se realidade para a alegria de muitos. Nasce mais um livro nosso só que agora, trata-se de uma biografia, com relatos de uma persona muito querida da minha terra natal. Esta biografia traz uma história de fé e perseverança, contada em prosa sobre uma mulher admirável e hoje lembrada por muitos dos seus conterrâneos como uma pessoa simples e que viveu dignamente. Não tinha como não registrar essa história no mundo das letras. Realmente foi um grande privilégio escrever sobre a saudosa Maria Dallaqua Borgatto, mãe de todos os filhos de Rubião Junior, um lugarejo sendo hoje distrito de Botucatu, cidade situada no interior do estado de São Paulo.

Escrever por si só, já não é uma tarefa fácil, escrever a respeito de uma ilustre botucatuense é mais difícil ainda. E sabendo que o escrito vai se tornar uma biografia pública, aí então que a carga de responsabilidade fica pesada. Porém, quando escrevo realmente aquilo que sinto, creio que qualquer falha cometida venha a ser perdoada, mesmo porque a plataforma é o afeto e, sendo a superfície amorosa, acredito que por amor tudo possa ser perdoado. É pautado nesta premissa que me atrevi a escrever esta biografia da saudosa e ilustre Maria Dallaqua Borgatto.

Biografar uma pessoa com esse baluarte nos coloca uma questão pertinente e profunda. Realmente temos aqui como pressuposto básico os exemplos dessa mãe e filha da irmandade de Maria na comunidade de Santo Antônio. É preciso que o mundo conheça cada vez mais pessoas como foi essa mulher para nós concidadãos de Rubião e Botucatu. Talvez, porque cada dia torna-se mais difícil encontrar pessoas de fibra e comprometida com a vida, com essa simplicidade e sinceridade como foi a nossa querida Maria Dallaqua.

O fato de reconhecer na simplicidade da biografada o quanto de verdade e lição de vida ela nos trouxe, pautada na sua experiência e iluminada pela sabedoria de quem aprendeu a enxergar o sentido da vida, os aspectos positivos das lições com a própria vivência. Não só escrever sua história, como também nesta oportunidade, poder externar e testemunhar o quanto há de verdade em tudo que registrei nesta biografia sobre Maria Dallaqua.

Por conseguinte, o que será contado nesta biografia estará de acordo com os relatos dos filhos e seus amigos mais próximos. Muitos deles foram alunos no grupo escalar Professor Gustavo Dias de Assunção em Rubião Junior, onde ela era servente. Também tive a honra de estudar nesta escola e o prazer de conviver com a Dona Maria Dallaqua, como carinhosamente nós a chamávamos. Na sua maioria são pessoas que moravam na zona rural e muitos deles venceram a pobreza e a miséria, trabalhando arduamente na roça. Talvez pelos exemplos que esta senhora nos passava. Contudo, a sua vida de mãe e mulher trabalhadora, pode ser descrita como um poema de amor a sua terra e a sua gente. Posso consolidar com o seu exemplo, como eloquente prova do que poderia realizar com sua persistência humana em busca de um ideal de vida para todos os filhos de Rubião Junior. Vivi para testemunhar e hoje registro esta história contada em prosa. É uma viagem pelo túnel do tempo. 

14 de janeiro de 2018

DEIXA O RIO ANDAR

Se às vezes dissermos que as flores sorriem e os rios cantam, não é porque queremos que haja sorriso nas flores e cantos no andar dos rios. Tanto as flores como os rios, compartilham conosco a vida, o que nos diferenciam é a nossa falta de consciência pela vida que vai serpenteando as margens do rio. Forjamos uma felicidade passageira e não respeitamos o tempo em si que nos marca. Tudo tem o seu tempo, vamos deixar o rio andar na sua toada natural respondendo as leis da natureza física. Esta metáfora faz sentir aos homens falso, a existência verdadeiramente real das árvores e das flores, porque escrevo para esses atropeladores do tempo, ler e pensar comigo. Quanta tristeza é mostrada neste rosto, que diz estar descobrindo-se o que perdeu no percurso desse rio.

Sacrifica-me às vezes, a estupidez de sentidos de alguns que não conseguem interpretar a natureza, talvez porque não percebem a sua linguagem. Todo ser vivo tem a sua linguagem. É no silencio onde quer que você esteja, seja a alma deste lugar, assim vai perceber, o que a metáfora da flor e do rio quer lhes dizer sobre o tempo de cada coisa. É sabido que a mesma água não volta, não repete a sua passagem, observo e lembro a nossa vida que é como esse rio. Na superfície a velocidade instantânea e no fundo as correntes pesadas, as pedras roladas, as plantas prezadas, o que se esconde e funde no leito. Cada vez que vou ao rio, revivo um passado que não passou. Escuto a minha alma dizer que meu coração está feliz, com o sorriso das flores e o cantar dos rios.

Portanto, as flores são sonhos do chão, o rio alimenta os sonhos do chão e carrega a vida com ele, cheia de momentos lindos. O chão sonha com o sol. E se quiser saber para onde o rio está nos levando, é para onde tenha sol. E é pra lá que vamos movidos, por essa força telepática que nos atrai. A vida do rio não é só água que passa. É a margem deslocada e dividida, é a vida num todo que se compõe e só quem mergulha neste rio, vai transformar o sonho em realidade. Aquele que toca no fundo, traz a vida que mergulhou num rio de esperança de lindos sonhos. Quando estiver diante das flores e dos rios, seja a sua alma. Os rios que encontro pelos caminhos aonde passo vão seguindo comigo. A luz vem de fora, mas o brilho vem de dentro de cada um. Deixa o rio andar, que tudo no seu tempo vai se ajeitar.

7 de janeiro de 2018

O ASPECTO DELICADO DAS PALAVRAS DITAS

O termo verbo ou palavra é usado de maneiras diferentes na Bíblia. No Novo Testamento, há duas palavras gregas traduzidas como “verbo” ou “palavra”: “rhema” e “logos”. Elas têm significados ligeiramente diferentes. Rhema normalmente significa uma palavra falada. Por exemplo, em Lucas 1:38, quando o anjo disse a Maria que ela seria a mãe do Filho de Deus, Maria respondeu: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra (rhema)”.

Logos, no entanto, tem um significado mais amplo e mais filosófico. Este é o termo usado em João 1. Esse termo geralmente implica uma mensagem total e é utilizado principalmente em referência à mensagem de Deus para a humanidade. Por exemplo, Lucas 4:32 diz que, quando Jesus ensinava o povo, muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra (logos) era com autoridade. As pessoas ficaram surpresas não apenas pelas palavras específicas que Jesus escolheu, mas por sua mensagem profunda e total.

A finalidade da doutrina cristã é a de aprimorar nosso comportamento individual e social. Através dos ensinamentos de Jesus sobre a força indescritível das atitudes e das palavras. Porém, nossas atitudes e palavras pronunciadas são claramente direcionadas para os nossos semelhantes; isto formando poderoso campo energético e vibratório entre os humanos. Quantas vezes nossas palavras são verdadeiramente devastadoras, semelhante a um furacão, destruindo tudo que vai pela frente. Uma palavra errada pode mudar o contexto de toda uma história. Mas se tiver fé, força e coragem, é possível reverter através de atitudes ética.

Da mesma forma que há também silêncios intencionais, cheio de eloquência perigosa, como nas situações de descasos e indiferenças em relação aos semelhantes. Nossas palavras muitas vezes carregam julgamentos fáceis e levianos, filhos de certa arrogância; e jeitosamente, levantamos suspeitas maldosas de pessoas inocentes, que pauta suas vidas na ética. Por exemplo; ambientes familiares, comunidades religiosas, nossos locais de trabalho, de quanto cuidado tudo isso necessita. Deve-se tomar cuidados com certas palavras, desde que esta não seja degenerada em vulgaridade desrespeitosa sobre o outro. Li, certa vez, que três coisas não voltam: a flecha disparada, a palavra dita e a oportunidade perdida.

Portanto, a palavra é descarga “física” de uma carga “psíquica”. Disse o mestre Jesus: “O homem bom, do bom tesouro do coração, tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro, tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45). A palavra tem a leveza do vento e a força da tempestade. Celebro o amor e elejo um pensamento bom por dia. Percebo a força e o mistério que a palavra amor carrega. O que recebo do outro é sempre um eco. Através da palavra semeio o amor que lhe tenho, porque só o amor faz as pessoas evoluírem espiritualmente. A capacidade de sentir amor faz a gente melhorar como ser humano e fazer o mundo melhor, onde impera o respeito.         

5 de janeiro de 2018

CULTIVAR ATITUDES QUE TRANSFORMAM

A cada novo dia, um novo nascimento para a vida que continua. Não somos um evento completo, somos uma somatória de acontecimentos, passado e presente. O passado é história, o futuro um mistério, mas o hoje é uma dádiva, por isso que se chama presente. Para o psicanalista e sociólogo alemão Erik Fromm (1900-1980), o nascimento não é um ato e sim um processo. A vida inteira do ser humano, nada mais é do que nascer, a cada momento para uma nova situação. Na verdade, só deveremos ter nascido completamente com o advento da morte. No entanto, o homem é o único animal que pode sentir-se aborrecido ao sentir-se expulso do paraíso. Ele é o único animal que considera sua existência um problema e precisa ser resolvido e do qual não pode escapar.

Na teia da vida somos o resultado do que tecemos no dia a dia, criando armadilhas, conflitos emocionais, realizações e satisfação pessoal. Para conviver em harmonia é preciso entrar no mundo do outro e para isso implica em flexibilidade. Compreendemos a teia da vida como uma conexão cósmica, onde tudo se entrelaça. A lógica da vida joga conosco, tudo que mandamos para o universo, um dia volta para nós. Mas se um é a causa do outro, então, por que negamos o amor? O filho é o resultado cuja causa é o encontro entre os pais. Um dia um entrou no mundo do outro, sem nenhuma explicação. O escritor francês Antoine de Saint Exupéry (1900-1944), nos ensina através da sua obra “O Pequeno Príncipe”, que amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção e caminhar lado a lado para esta direção.

De modo que, enquanto não descobrir que flor você é no jardim de Deus, não tem como ser feliz. Só o amor é capaz de transformar nó em laços, no amor entrelaçamos um ao outro. Transformar o outro em único para mim entre tantos outros. No Pequeno Príncipe a raposa disse para o principezinho: “eu não como arroz, eu não gosto de arroz, mas você tem o cabelo amarelinho, agora cada vez que eu olhar para um arrozal vou me lembrar de você”. E conclui com uma linda metáfora, que é dos deuses: “eu amarei o barulho do vento soprando nos trigais”. Imagina o trigal maduro ondulando com o vento, por associação de ideias a raposa lembrará dos cabelos loiros do principezinho. As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes. Penso que é loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Olha que lição nos da essa narrativa do Pequeno Príncipe.

Portanto, descobrir as minhas fraquezas é um sinal de inteligência. Cultivar boas atitudes é sinal de inteligência. Ser inteligente não é aquele que acha que pode tudo. Inteligente é o sabe a onde não pode. Sábio é aquele que sabe onde está sua fraqueza. Somos um ser informado de um corpo e uma alma, duas substâncias que se fundi. O corpo é o templo da alma. Cultivar atitudes que transforma é amar sem nada exigir. Amar é quando um ajuda o outro a melhorar de vida e não quando o coloca para baixo. Quando não gostamos de uma pessoa, tudo que ela fizer não presta, mesmo que seja bom. Precisamos aprender a ver através do outro as nossas fraquezas. Com essa semente de compaixão, esse senso de abertura, essa suavidade e de calor humano, é com isso que vamos nos conectar na teia da vida. Contudo, quanto mais genuínos somos, quanto mais honestos somos frente a nós mesmos, e sem pretensões ou maquinações frente aos outros, mais conscientes nos tornamos de toda a potencialidade que existe ao nosso redor. Cultivar boas atitudes, é colher amizades sinceras e duradouras.

31 de dezembro de 2017

FELIZ DOIS MIL E DEZOITO

Todo dia é ano novo, na escuridão do infinito, do ponteado das estrelas na amplidão do universo, no simples prazer de vê-las, nos segredos desta vida, no germinar da semente. Todo dia é ano novo, nos movimentos da terra que gira incessantemente. Todo dia é ano novo, no orvalho sobre a relva, na passarela que encanta, no cheiro que vem da terra e no sol que se levanta. Todo dia é ano novo, nas flores que desabrocham, perfumando a atmosfera, nas folhas novas que brotam, anunciando a primavera. Todo dia é ano novo, no colorido mais belo dos olhos dos filhos seu. Você é paz, é amor à alegria de Deus. Não há vida sem volta e não há volta sem vida, no ciclo da natureza neste ir e vir constante. No broto que se renova, na vida que segue adiante, em quem ajuda o irmão, colhendo felicidade e cumprindo a sua missão. “Pai”, aqui entrego o meu espírito e agradeço nesta singela oração, que brotou do meu coração:

Boa noite Pai, já está terminando o ano de 2017 e agradeço pela vida que me confiou. Nesse momento recolho para o meu descanso merecido. Obrigado Pai por tudo, obrigado pela esperança que nesse ano animou os meus passos, pela alegria que vi no rosto das crianças e dos idosos. Obrigado pelo exemplo que recebi de pessoas iluminadas, pelo que aprendi aos meus sessenta e seis anos de vida, obrigado também por tudo que sofri e ainda sofro com as injustiças e a total falta de respeito entre os humanos. Obrigado Pai pelo dom de amar, mesmo sem ser compreendido. Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa que sopra o meu rosto, pela comida em minha mesa, obrigado por permitir-me viver até aqui, pelo meu esforço e desejo de superação. Amado Pai, desculpe o meu rosto carrancudo. Desculpa ter esquecido que não sou o filho único, mas irmão de muitos. Perdoa a minha falta de colaboração, a ausência do espírito de servir. Perdoa-me também por não ter evitado aquela lágrima, aquele desgosto que lhe dei. Desculpa ter aprisionado em mim aquela mensagem de amor. Contudo, estou lhe pedindo força, energia para os meus propósitos, no ano que está começando, a nossa vida não para nunca, só a morte pode nos cessar. Enquanto isso, espero que neste novo ano que está surgindo, domine um novo sentimento em cada coração, desses seres que compõem a humanidade. E que a cada novo dia seja um continuo sim, numa vida consciente.” Por conseguinte, todo dia é ano novo, portanto, feliz ano novo todos os dias em 2018. 

28 de dezembro de 2017

NA TEIA DA VIDA HÁ UMA CONEXÃO CÓSMICA

Todas as coisas estão conectadas como o sangue que une uma família. O que acontecer com a terra acontecerá com os filhos e filhas da terra. Não foi o homem que teceu a teia da vida, nesse entrelaçamento ele é apenas um fio. O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo. Na teia da vida somos o resultado do que tecemos no dia a dia, criando armadilhas, conflitos emocionais, alegrias, realizações e satisfação pessoal. Não somos o tempo todo a mesma pessoa. Atuamos em vários papéis dependendo do grau de condicionamento em que vivemos ao interagir com outras pessoas. Compreendemos a teia da vida, como a medicina da criação, a malha cósmica do Karma. Poucos sabem que a teia da vida é uma conexão cósmica, onde tudo se entrelaça. Segue a lógica do efeito "bumerangue", tudo que mandamos para o universo, volta para nós. Aquilo que você fizer, seja para quem for, um dia voltará para você. Se fizer o mal com o mal, mais tarde vai ter que conviver. A ferida que você causar no outro é em você que vai sangrar.

Formamos pares para que a espécie humana, e mais concretamente os nossos genes, se perpetuem e também para que a vida seja mais agradável na companhia de uma pessoa especial, que pode nos oferecer muito e vice-versa. Porém, não é pela fragmentação das ciências, da filosofia, da sociedade e da natureza que se tem uma compreensão geral das mesmas, não é por parte que a vida e toda a complexidade que esta palavra carrega em seu significado, devem ser analisadas, mas pelo todo que faz compreender a essência. O ser humano tomado como um ser complexo em relação aos demais organismos vivos, não pode ser visto como um ser controlador obrigatório da natureza e superior às demais distintas formas de vida, pois não se trata de um ser externo à natureza, ele faz parte dela, é a natureza. Não há partes isoladas que funcionam independentemente nesse complexo sistema que é a vida, vista aqui não apenas em sua forma biológica, mas social, política, cultural, científica e filosófica, essa é a teia da vida, da qual o ser humano é apenas um fio.

Portanto, na teia da vida o masculino e o feminino precisam se unir para ficarem “conscientes”, de que estão conectados com o plano cósmico. Se não unir o positivo com o negativo a água não aquece. A capacidade de sentir amor é que faz a gente melhorar como ser humano e promover a compaixão. Sendo a vida uma mistura do que a gente faz dela com o que ela poderia ser. Quando não vibramos na mesma sintonia com teia da vida, só podemos entender o que o outro fala, mas não compreendemos o que ele sente. Deixaram-nos com medo ao dizer que a divindade está fora. A divindade não está somente fora, essa é apenas metade da verdade. Ela está também dentro de nós. Somos todos seres divinos. Na teia da vida encontramos as respostas que tanto buscamos. A natureza animal e a natureza divina, que então separadas, precisam ser unidas. É o animal em nós que é medroso, que está sempre lutando para conseguir mais. Contudo, é o divino em nós que é capaz de cooperar e ser amoroso. Como dizia o mestre hindu Mahatma Gandhi (1869-1948): “não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”.

24 de dezembro de 2017

ESTAÇÃO NATAL NOSSA PRÓXIMA PARADA

A vida é comparada a uma viagem de trem cheia de mistérios, com embarque e desembarque, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros. Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre conosco nesta viagem. Talvez seja a hora de deixar para trás aquilo que nos trouxe tristeza, e todo o mau que sofremos até aqui. Chegou a hora de dar uma parada na estação Natal. Imagino que existe muitas expectativas nesta próxima parada. É nessa estação que o Cristo nos espera disfarçado num rosto qualquer. Vivemos a cada ano a falta de alguma coisa que não sabemos muito bem o que é. Talvez seja a falta do Cristo vivo em nosso coração. As músicas natalinas continuam as mesmas de décadas atrás, as comemorações são iguais em qualquer família cristã e o cardápio da ceia de Natal, até hoje continua o mesmo, ninguém mexeu. E Jesus que passou pela terra, é o mesmo Cristo que nos espera na estação Natal. Como será esse encontro com Ele?

Na estação Natal, muitos não conseguem enxergar o Cristo, porque não olham com o coração. Seu olhar é superficial e seu discurso é ideológico. Mal sabem eles que o Cristo pode estar disfarçado na figura de um morador de rua. Há pessoa que gosta de selecionar suas amizades, ela pode estar excluindo o Cristo que está disfarçado entre nós. Ao procurar o Cristo disfarçado entre os passageiros na estação Natal, certamente chegará a maior graça que um ser humano pode alcançar. Ao tentarmos descobrir quem é o Cristo que vive entre nós, passaremos a olhar cada um com os olhos do próprio Cristo, e aqui está o grande segredo. Enquanto não passar a enxergar cada um com os olhos do próprio Cristo, é impossível chegar à “experiência do amor”. Não adianta desembarcar na estação Natal se não encontrar o Cristo que vive em cada um. Desejar feliz Natal sem reconhecer o Cristo no outro, é hipocrisia.

Por outro lado, a nossa parada na estação Natal, nos remete a lembranças de pessoas queridas que já desembarcaram e não compartilham mais conosco desse encontro. Sentimos no corpo e na alma a saudade de pessoas amadas que se foram, e nesta lembrança nutrimos uma espera sem esperança. Porém, a vida é uma longa viagem só de ida, sem volta. De modo que, esse ilustre personagem chamado Jesus, que viveu a mais de dois mil anos, nos fez um convite: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João - 14, vs.02). Faço uso dessa metáfora, e assim parodiar a música de Sérgio Bittencourt (1941-1979), na voz de Nelson Gonçalves (1919-1998): “Naquela Mesa”, que traduz exatamente o que sentimos com a chegada do Natal. Permita-me usar a estória da minha saudosa mãezinha “Dona Lazinha”, uma mulher simples de uma fé incomensurável. Foi com ela que aprendi o verdadeiro sentido do Natal:

Lembro-me dela com carinho e me alimento dessa lembrança ao sentar nesta mesa, onde ela sentava sempre e me dizia feliz o que é viver melhor. Aqui ela contava história que hoje na memória eu guardo e sei de cor, e agora conto escrevendo. É nesta mesa que ela juntava gente e contava contente o que fez durante o ano que estava a findar. E nos seus olhos era tanto brilho, que por mais que seu filho fiquei seu fã. Eu não sabia que doía tanto, essa mesa no canto, aquela casa e um jardim que ficou lá em Rubião. Se eu soubesse o quanto doí à vida, essa dor tão doída não doía assim. Acreditem, nesta mesa está faltando ela (e tantas outros pessoas) e a saudade dela doe demais em mim.” A saudade só não mata, porque tem o prazer da tortura. Vale lembrar, que saudade é amar um passado que nos machuca no presente.

Portanto, fui educado nessa atmosfera natalina. A minha mãe que era uma mulher cristã e de muita fé. Ensinou-me que devemos amar sem criar expectativas. Devemos demonstrar gestos de gentileza e respeito sempre. Ser justo e nunca julgar o outro pelas suas fraquezas. Meditar muito e pensar sobre nossas ações. Levar conosco, apenas as boas lições da vida e as lembranças daqueles que nos fizeram felizes por algum tempo. O desembarque e o embarque na estação Natal, nos traz esperança, para continuar a viagem no trem da vida. A lição que tirei foi a seguinte: “Dizer o que penso com esperança, pensar no que faço com fé, fazer o que devo com amor. Pois, esforço-me para ser cada dia melhor, ser bom é um aprendizado indispensável”. Muitos ainda estão por descobrir o valor da amizade. Lembre-se, a próxima parada será na estação Natal, Cristo está a sua espera. Encontre-o.