26 de maio de 2018

UMA VIDA SEM AMOR É COMO UM JARDIM SEM FLOR

A gente cresce ouvindo aquelas histórias de contos de fadas e acaba acreditando na possibilidade de encontrar um “príncipe encantado” ou uma “princesa encantada”. Se você está procurando um desses, desista! Não é a melhor política para encontrar um grande amor. Pensa comigo, ter uma princesa ou um príncipe encantado, deve ser muito chato. Já imaginou um parceiro que não discorda em nada com a gente? Quanta monotonia. Com quem vamos brigar? Não estou dizendo que temos que viver num inferno astral. Estou falando de uma briguinha boba de vez em quando, assim como quem não quer nada, só para apimentar a relação. Ainda hoje se fala muito que o sonho de toda mulher romântica é encontrar um príncipe encantado.

Por outro lado, depois de algumas experiências desastrosas, a mulher tenta não se entusiasmar demais com o suposto príncipe encantado. Na verdade, a mulher quer ser protegida pelo parceiro que venha a ficar. O homem também busca essa proteção. Alguém com quem a gente possa compartilhar a vida. Quando ambos descem do palco de suas vidas, entre olhares entrecortados por outras presenças que coincidentemente aparecem no mesmo ambiente, o que era um encontro paradisíaco começa a tormenta, pois surge o ciúme com as exigências de ambas as partes, que aos poucos, vai diluindo a imagem intocável do príncipe encantado. De modo que, a princesa que até então era um anjo de candura mesclada com “Afrodite”, tornou-se um labirinto incompreensível, enquanto que, para ela o príncipe sensível e afetivo tornou-se um menino rebelde alheio aos sentimentos. Após alguns encontros encantadores, surgem os escândalos, o desrespeito total um pelo outro, as baixarias e junto vem o rompimento, que muito a contra gosto é triste. Porque se criou um laço afetivo muito forte entre ambos.

Acompanhado com esse sentimento também surgem outros, como o susto, a surpresa, a alegria, a excitação, a decepção, a raiva, a saudade e as lembranças! Tanta coisa ao mesmo tempo, que a pessoa se vê perdida, não sabe o que pensar, porque nunca sentiu isso tão forte. No entanto, é uma conduta calcada numa espécie de funcionamento emocional desregrado. Porém, mais voltado para o prazer, que na verdade, um prazer que no fundo não satisfaz as necessidades, tamanha é a euforia desse encanto que deixa todo o nosso “ser” tomado. Está sempre faltando algo. Um coloca o outro na posição de provedor do prazer. Contudo, dessa forma a busca de um afeto, um prazer que o faça sentir-se mais pleno, transforma-se numa busca infantil, o que para o outro é imperceptível.

Considerando que os sentimentos, as emoções e as sensações estão diretamente ligados ao corpo e que o ser humano só se sente pleno através da exaustão, por isso quando a pessoa exige ser amada, mesmo depois dessa exaustão, consequentemente, o fato de não ser correspondida, por se tratar de uma imposição do prazer, essa pessoa após o prazer satisfeito, passa a se desinteressar por quem promove esse momento romântico, de ternura e amor. Começando assim uma nova busca direcionada a novos prazeres e novos provedores de paixões. São pessoas centradas no seu egoísmo achando que tem que ser amada, começa a não perceber o outro e vai aos poucos enfraquecendo os laços afetivos. O prazer que estava acostumado a receber não é mais tão intenso. Não é o prazer que tem de ser procurado e sim a alegria de estar com quem tenho afinidade. Infelizmente ou felizmente, na paixão, no prazer o seu contra ponto, o sofrimento é intenso e temporário; já na alegria, vivida ao lado de alguém interessante, a prioridade está no amor que posso vir a sentir, que não tem prazo de duração. É o estado mais gostoso da vida.

Portanto, para podermos sentir a alegria e o amor, é preciso não somente a sensibilidade, mas também a paciência de saber esperar, é preciso suportar a responsabilidade, assim, como é preciso estar aberto para enxergar nossos defeitos e virtudes, para depois muda-los, se for necessário; com isso desenvolveremos maturidade e sabedoria. Dessa forma, através da alegria, chegaremos ao prazer do corpo e da alma. Vale lembrar, que uma vida sem amor é como um jardim sem flor. É como esperar o trem que já passou. Meu conselho é para as mulheres. Esqueça essa história de príncipe montado num cavalo branco. Procure um sapo e seja feliz.

20 de maio de 2018

FAZER COM AMOR TORNA-SE MAIS SEDUTOR

Venho aprendendo cada dia mais com o passar dos anos, sobre a importância do amor para a nossa vida. Estou chegando perto dos quinhentos textos publicados no meu Blogger. No entanto, muito do que escrevi, falo sobre temas que mais me atrai; como o amor, o eco sistema que inclui os seres vivos o meio ambiente e as relações humanas. Porque acredito que só o amor faz as pessoas evoluírem espiritualmente. Encaro essas minhas posições como uma luta. Trago no fundo do meu coração a alegria e a esperança, de que estou semeando as melhores sementes. Aprendi que quem acredita faz acontecer ao passo que quem espera ver para crer, nada acontece. Só posso dizer que conviver com a dúvida e a desconfiança é o mesmo que anular-se para a vida.

Por outro lado, a minha vivência junto às pessoas de diversas atividades, em diferentes cidades, principalmente por onde passo, para divulgar os meus livros ou dar oficinas de leituras e palestras, cresço e aprendo muito. Porém, outro tanto, soma o meu conhecimento acadêmico, mais precisamente com os filósofos e pensadores que entrei em contato através da literatura. Tratam da questão do amor com profundidade como: Platão, Arthur Schopenhauer, Michel Foucault e o educador Leo Buscaglia. Os relatos contidos nesta reflexão objetivam enfocar as situações tal qual acontece no cotidiano das pessoas. Evidentemente, que também implica a minha experiência como homem apaixonado e que viveu um pouco desse êxtase no paraíso dos amantes. Hoje posso dizer que entendo um pouco do amor, esse nobre sentimento que faz bem a nós humanos, pois sem amor a vida torna-se árida e amarga. O combustível para uma vida plena e viver em paz, só será possível através do amor. Porque o amor é paz e aconchego.

Não só aos poetas e filósofos cabe compreender o amor, mas, a todos os mortais cabe essa compreensão desse sentimento profundo e essencial à vida, embora muito pouco estudado nas escolas e universidade, onde o educando é levado, em geral, a uma formação dessensibilizada com a afetividade. A educação praticada hoje está longe da comunicação amorosa, quer na família, quer nas instituições educacionais. Em geral, o academicismo, desnudo de sentimentos mais elevados, embota a consciência integral, impedindo a manifestação do ser cósmico que transcende qualquer pensamento. O amor é um impulso de vida, portanto, incontrolável e irracional. Minha mensagem é simples: “o melhor prazer ou presente do mundo é um ser humano caloroso, vibrante, que nunca esgota”. Isto porque, o amor é um fenômeno genuinamente humano.

Entretanto, é uma verdade absoluta e incontestável, que a maioria dos centros educacionais funciona como espaço de imposição e transmissão do conhecimento, quando poderiam constituir lugar de encontro e de apropriação do saber. Nesta estrutura, cabe aos jovens apenas a assimilação de conteúdos com o mínimo de questionamento e envolvimento. Até porque o ser humano se manifesta não apenas pela racionalidade, mas também pelos sentimentos. É na integração harmonizada entre pensar e sentir que lhe garante a condição de consciência e transcendência. Os centros educacionais na sua grande maioria “informam”, mas não “formam”. O amor vem sendo ignorado pelos educadores. As pesquisas vem nos mostrando esta falta de sensibilidade dos mestres. É um assunto que pouco ou quase nada se fala nos livros de psicologia, sociologia, antropologia e muito menos na filosofia.

Portanto, pretendo mostra nesta reflexão o que pode haver de melhor em cada um de nós. Somos um corpo sexualizado e, é com esse corpo que nos apresentamos. É um voto de confiança ao ser humano na sua totalidade cosmológica. É a certeza de que podemos contribuir para a estruturação de uma nova etapa da humanidade, em que o amor seja a linguagem predominante. Podemos transformar nossas vidas em projeto amoroso ainda que o contexto apresente dificuldades. Quero acreditar que o amor nos chega através de alguma força misteriosa da vida. Somos capazes de alcançar estados mais elevados de consciência. Tudo depende de reconhecer o estágio em que nos encontramos e buscar com discernimento, novos rumos existenciais. Seguir em frente com vontade inquebrantável, cultivando expressões amorosas. É disso que é feito a vida. Não é somente por meio do intelecto que evoluímos; fazemos, sobretudo, pela amorosidade, processo integrativo de todas as potencialidades do ser, profundamente voltado para a sabedoria derivada da irmã natureza. Como diz o adágio grego da escola socrática: “Conheça-te a ti mesmo”, aqui está a síntese de toda a busca de pacificação íntima, sem a qual ninguém pode amar de modo incondicional ou encontrar o amor em estado de mais pureza. Contudo, se o seu caminho é o amor, o fim não tem importância, porque no processo entrará o coração.

16 de maio de 2018

CONHEÇA-TE PARA MELHOR CONVIVER

No século quinto antes de Cristo vivia em Atenas, o sábio filósofo Sócrates. A sua filosofia não era apenas uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele escolheu viver. Aos setenta e tantos anos Sócrates foi condenado à morte, sob a acusação de corromper os jovens com os seus ensinamentos, embora fosse inocente. Todavia, enquanto aguardava no cárcere, o dia da execução, os seus discípulos e amigos moviam céus e terras para livrá-lo da morte. O filósofo, porém, não moveu um dedo para evitar esse final triste. Pelo contrário, na sua serenidade e paz de espírito aguardava o momento de beber o veneno mortífero. Na véspera da execução os amigos e discípulos conseguiram subornar o carcereiro, que logo abriu a porta da prisão.

O mais crítico dos discípulos de Sócrates, Críton entrou na cadeia e disse ao mestre: “Foge depressa”! Perguntou Sócrates: “Fugir por que”? Prontamente indagou Críton: “Ora, não sabes que amanhã vão te matar”? Sócrates seguro de si argumenta: “Vão matar-meNinguém pode me matar”! Insistiu Críton: “Sim, amanhã terás que beber a taça de cicuta mortal. Vamos mestre, foge depressa para escapares da morte”! Responde o condenado: “Meu caro amigo Críton, que mau filósofo és tuPensa que um pouco de veneno possa dar cabo de mim”. Sócrates continua: “Pois o que eles vão matar é esse invólucro material, o meu corpo e não a mim, os meus pensamentos vão perdurarEu sou a minha alma. Ninguém pode matar Sócrates”! E ficou sentado com a porta da prisão aberta, enquanto Críton se retirava chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.

No dia seguinte, quando o sentenciado já havia bebido o veneno mortal e sue corpo estava começando a desfalecer, pois, aos poucos o mestre ia perdendo a sensibilidade, ainda perguntou-lhe, entre soluços o discípulo: “Sócrates, onde queres que te enterremos”? Ao que o filósofo, semiconsciente murmurou: “Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates. Quanto a esse meu invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu que estão enterrando, pois eu sou a minha alma”. Foi através da frase: “Conheça-te a ti mesmo”, que esse homem descobriu o segredo da felicidade na arte de conviver, que nem a morte lhe pode roubar. Com essa frase Sócrates nos remete a uma profunda reflexão sobre a convivência feliz, em plena harmonia com o “Eu divino”, sobretudo, porque o desejo universal é a felicidade.

Portanto, nunca ninguém se arrependeu de se calar quando o outro falou mal e duvidou da sua integridade moral. Mas, milhares se arrependeram de ter falado mal na tentativa de minar a confiança no outro, em vez de calar-se. O vicio da maledicência é fonte abundante de infelicidade na convivência diária. De modo que, não só pelo fato de criar discórdias sociais e pessoais, mas também e principalmente, porque debilita o nosso organismo espiritual e nos predispõe para novas enfermidades. A consciência tranquila de uma benevolência sincera, verdadeira, do coração e universal é a mais segura garantia de uma profunda e imperturbável felicidade. Contudo, fazer o bem sem olhar a quem faz e muito menos se gabar porque ajudou alguém. Amar é cuidar, proteger e não escandalizar o outro. Só quem pratica a paz e o amor, pode-se considerar um iluminado. O amor que nos move é o que nos torna feliz, para melhor conviver com o próximo. Tudo que tem vida é o teu próximo.

12 de maio de 2018

O RESPEITO COMEÇA COM O DIÁLOGO

É com o diálogo que se constrói de forma ética e solidária as nossas relações de amizade. De modo que, a palavra é o substrato do diálogo, instrumento mais eficaz para a democratização dos saberes, para a resolução de conflitos, para a interação entre os povos e para consolidação do desenvolvimento cultural, técnico e científico que impulsiona o processo civilizatório. Só a nós humanos foi dada a capacidade de dialogar, o que faz do diálogo uma característica única de comunicação racional. Pois, pressupõe a reciprocidade existencial e ao mesmo tempo as diferenças e as semelhanças, que nos tornam pessoas interessantes. O diálogo é a base e o ponto de partida para compreender o outro, para aproximar o entendimento entre os humanos.

Nesta relação dialógica, denota respeito e capacidade de compreensão dos problemas, sobretudo, porque o diálogo é racional e consciente. Por outro lado, o respeito além de racional, está no plano espiritual, é até mais importante em certos momentos que o amor. De modo que, vejo no diálogo a ponte que une as pessoas, em particular os amantes e apaixonados. É notável quando um casal aprende a demonstrar através do diálogo o que um espera do outro, o que gosta e o que não agrada, a relação fica mais verdadeira e tende a durar. No entanto, o medo de conversar é uma semente que vai crescendo na relação e, com o passar dos anos, vai corroendo os sentimentos dessa união supostamente estável. E quando um dos dois resolve conversar, descobre que já estão vivendo em mundos diferentes e distantes. Às vezes é tarde demais para reativar o encanto. A semente do amor foi sufocada pelo veneno da mentira e da omissão.

Todavia, quando o relacionamento começa a perder esse alicerce do diálogo, as pessoas vão se distanciando e vão criando uma espécie de alucinação mental. Começa a pensar que o outro não gosta mais dela. Em muitos casos chegam a pensar que sua relação foi pautada em um amontoado de mentiras. Quando na verdade, o que marcou o fim da relação foi à falta de diálogo e respeito. Porém, quanto menor for à comunicação e a falta de respeito entre ambos, maior é a distância entre as pessoas. De modo que amar é também dialogar, é saber falar das coisas que não estão indo bem e ter a humildade de se mostrar ferido, quando a conduta do outro não está agradando, no momento em que essas coisas estão acontecendo, antes que elas se transformam em sentimentos amargos. Saber valorizar o outro a ponto de não deixar que nenhuma desconfiança paire sobre ambos. Como sabiamente argumentava Platão: “o pensamento é um diálogo da alma consigo mesmo”.

Portanto, não há razão de ser qualquer situação nesta vida, que não esteja baseada na verdade e no diálogo, que é a ponte para chegar a essa verdade. De nada adianta tentar qualquer atitude se a verdade não for à chave para essa experiência. Contudo, não somos proibidos de cometer erros. Muitas vezes tomamos atitudes equivocadas e magoamos quem não queríamos. Ainda estamos em processo de crescimento, isto é, se estivermos comprometidos com o diálogo e com o respeito. Sendo assim, tudo vale à pena, tudo pode ser superado e tudo pode ser perdoado. Sendo o respeito o maior segredo, o mais precioso tesouro e o mais nobre das ferramentas humana. Por mais difícil e doloroso que possa parecer esta experiência. Somente assim podemos estar certos de ter passado por esse mundo, sendo autênticos e semeando o respeito. Uma relação solida se constrói com muito diálogo, pautada no respeito e na verdade. Para quem gosta de julgar e difamar o outro. Pense nisso!

5 de maio de 2018

O EXISTIR HUMANO EM QUESTÃO

Muito bem nos lembrou o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), no seu livro: “As Palavras e as Coisas”: “O homem é uma invenção recente e já fadado a desaparecer”. Encaro isso quase como uma profecia. Existir por si só já é algo misterioso. Afinal, quem somos? Qual o sentido da vida para nós? O que significa dizer sou livre? E até que ponto posso conhecer a minha realidade? Eis a questão! Nossa existência está fragilizada. Pois essas indagações, entre tantas outras, incidem sobre a compreensão que possamos ter da vida, assim como das nossas relações com os outros. A nossa visão de mundo está afetado, se pararmos para pensar em desvendar tais indagações. Pois, só faz perguntas quem questiona a pretensa obviedade das coisas. Para tanto, precisamos saber que não compreendemos os mistérios da vida.

Dentre outras razões, o filósofo é amigo da sabedoria: “Quanto mais eu sei, mais eu sei que nada sei”. O filósofo sabe que a cada encontro, de uma nova ideia surge um novo ponto de partida, por estar incompleta. Temos muito que saber e aprender sobre ela. De modo que a filosofia, desde as suas origens, na Grécia Antiga, requer uma mutação do olhar e de nossas relações com a vida e com o conhecimento. Nesse caso, será preciso exercitar certo estranhamento diante da realidade, desde as coisas mais simples ou aparentemente sabidas. Há aqui uma atitude, onde o pensar é desafiador a ir além de si mesmo. O ponto de partida é a perplexidade e admiração frente a essa realidade, sendo assim, a filosofia torna-se um convite ao diálogo. Tendo em vista, que a gênese da filosofia é antes de tudo discutir a vida.

Entretanto, dialogar envolve um aprendizado de escutar o outro e, dada essa condição, a cooperação em uma construção conjunta do conhecimento. É bom que se diga, no diálogo não disputamos ideias, mas, em solidariedade investigativa, acompanhamos o raciocínio do nosso interlocutor, testando hipóteses, observando contradições, construindo novas formas de abordar um tema, conhecendo o nosso próprio processo de conhecer. Mais que isso, dialogar é ouvir também o silêncio das vivências que impregnam as ideias e as interrogações do outro, para que possamos partilhar um caminho a seguir. Ao raciocinar sobre essas vivências, fica patente a forma como cada um de nós se relaciona com a sua existência e com o seu crescimento. Entretanto, assim surge um convite a pensar no que não foi pensado, e ir ao encontro dos nossos próprios limites e da nossa condição de superação.

Portanto, um convite em direção ao alargamento de nossos horizontes, põe em jogo a nossa relação com o mundo, com o meu próximo, comigo mesmo e com o conhecimento. Porém, o caminho é duplo, um trabalho interior interagindo com as relações educativas que mantemos com os demais. De modo que, a jornada de nossas vidas nos faz simultaneamente sós e acompanhados, quando conjugamos a aventura de ser “Eu” com as outras pessoas e também de sermos “Nós” na gradativa descoberta e invenção do sentido de nossa condição humana. Tendo em vista, que ao propor a busca do sentido da vida, deveremos tocar de algum modo, em seus mistérios. Só assim poderá tornar a vida ainda mais interessante e fantástica. Nesta relação de reciprocidade se vai o medo e reforça a nossa esperança. Pois, é do amor que brota a esperança.

2 de maio de 2018

VIVEMOS DA OPINIÃO ALHEIA

Muito bem nos lembrou o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), no seu livro: “As Palavras e as Coisas”: “O homem é uma invenção recente e já fadado a desaparecer”. Encaro isso quase como uma profecia. Existir por si só já é algo misterioso. Afinal, quem somos? Qual o sentido da vida para nós? O que significa dizer sou livre? E até que ponto posso conhecer a minha realidade? Eis a questão! Nossa existência está fragilizada. Pois essas indagações, entre tantas outras, incidem sobre a compreensão que possamos ter da vida, assim como das nossas relações com os outros. A nossa visão de mundo está afetado, se pararmos para pensar em desvendar tais indagações. Pois, só faz perguntas quem questiona a pretensa obviedade das coisas. Para tanto, precisamos saber que não compreendemos os mistérios da vida.

Dentre outras razões, o filósofo é amigo da sabedoria: “Quanto mais eu sei, mais eu sei que nada sei”. O filósofo sabe que a cada encontro, de uma nova ideia surge um novo ponto de partida, por estar incompleta. Temos muito que saber e aprender sobre ela. De modo que a filosofia, desde as suas origens, na Grécia Antiga, requer uma mutação do olhar e de nossas relações com a vida e com o conhecimento. Nesse caso, será preciso exercitar certo estranhamento diante da realidade, desde as coisas mais simples ou aparentemente sabidas. Há aqui uma atitude, onde o pensar é desafiador a ir além de si mesmo. O ponto de partida é a perplexidade e admiração frente a essa realidade, sendo assim, a filosofia torna-se um convite ao diálogo. Tendo em vista, que a gênese da filosofia é antes de tudo discutir a vida.

Entretanto, dialogar envolve um aprendizado de escutar o outro e, dada essa condição, a cooperação em uma construção conjunta do conhecimento. É bom que se diga, no diálogo não disputamos ideias, mas, em solidariedade investigativa, acompanhamos o raciocínio do nosso interlocutor, testando hipóteses, observando contradições, construindo novas formas de abordar um tema, conhecendo o nosso próprio processo de conhecer. Mais que isso, dialogar é ouvir também o silêncio das vivências que impregnam as ideias e as interrogações do outro, para que possamos partilhar um caminho a seguir. Ao raciocinar sobre essas vivências, fica patente a forma como cada um de nós se relaciona com a sua existência e com o seu crescimento. Entretanto, assim surge um convite a pensar no que não foi pensado, e ir ao encontro dos nossos próprios limites e da nossa condição de superação.

Portanto, um convite em direção ao alargamento de nossos horizontes, põe em jogo a nossa relação com o mundo, com o meu próximo, comigo mesmo e com o conhecimento. Porém, o caminho é duplo, um trabalho interior interagindo com as relações educativas que mantemos com os demais. De modo que, a jornada de nossas vidas nos faz simultaneamente sós e acompanhados, quando conjugamos a aventura de ser “Eu” com as outras pessoas e também de sermos “Nós” na gradativa descoberta e invenção do sentido de nossa condição humana. Tendo em vista, que ao propor a busca do sentido da vida, deveremos tocar de algum modo, em seus mistérios. Só assim poderá tornar a vida ainda mais interessante e fantástica. Nesta relação de reciprocidade se vai o medo e reforça a nossa esperança. Pois, é do amor que brota a esperança.

29 de abril de 2018

ENTRE O MEDO E A ESPERANÇA

A esperança é a sensação motivadora que nos mantém vivos. Somos motivados a ter uma vida plena, um estado maior de vivência, uma libertação da tristeza eterna, acreditar no amor que transforma as pessoas e o mundo. Olhar para o outro com o coração é um gesto de amor, cria-se uma expectativa conciliadora. Na verdade, essa expectativa que temos é a nossa esperança de que podemos fazer algo de bom, para a saúde mental da humanidade. O mundo que nos espera não está por ser conquistado com a força, mas construído com amor. Mas se vivemos num estado de passividade e de espera, isto não é esperança e sim resignação. É deixar morrer o que existe de mais sagrado na essência humana. De modo que, a esperança é um elemento decisivo em qualquer tentativa para ocasionar mudanças pessoais e sociais na direção de uma consciência cósmica.

Todavia, ser aberto para o amor, acreditar no amor, ter esperança e procurar viver na plenitude do amor, é necessário reunir todas as nossas forças, aquele potencial adormecido até então. Porém, essa é uma situação raramente experimentada pelas pessoas na vida real. Quando o amor surge, além de negar esse sentimento, as pessoas não sabem muito bem como lidar, por medo de sofrer. No entanto, foi por medo que crucificaram “Jesus Cristo”, foi por medo que deram um tiro em “Mahatma Gandhi”, foi por medo que decapitaram o filósofo inglês “Thomas Morus”, foi por medo que mataram o ativista norte-americano “Martin Luther King”, e foi por medo que envenenaram o filósofo grego “Sócrates”. Enfim, a sociedade tem pouco espaço para a honestidade, para a ternura, para a bondade e, principalmente, para o amor. Medo de que seus membros descubram a importância do amor para suas vidas.

Entretanto, há um sentimento de apatia corroendo o coração da humanidade, como muito bem assinalou o sociólogo e pesquisador polonês Zygmunt Bauman, no seu texto: “Pós Modernidade”, fazendo uma radiografia das relações humanas, onde cada vez mais está em moda o “Amor Líquido”. Nada é feito para durar, nem as amizades. Parece que o amor ficou fora de moda e o sexo casual tornou-se mais atraente. Ele é apreciado por muitas pessoas, e também faz parte dessa visão "aristocrática". É importante entender que ela privilegia umas poucas minorias e desfavorece a grande maioria. Por exemplo, aquelas pessoas mais sincera, mais fiel ao seu sentimento, que falam a verdade, as que não gostam de fofocas, que não atendem as exigências do mercado de consumo, do corpo sarado, bonitinha e sexy. Quem não reúne esses pré-requisitos, seguramente são marginalizados.

Portanto, o amor é como uma planta florida, que perfuma tudo ao seu redor com a esperança, até as ruínas e turbulências eventuais que nos abate. Vejo o amor como um ninho, onde a felicidade das pessoas, atraídas por esse sentimento, constrói-se pedacinho por pedacinho, através de esforços mútuos e de muita compreensão um pelo outro. Contudo, a boa relação é quando alguém aceita o seu passado, apoia o seu presente e motiva o seu futuro. Para isso é importante que o amor seja íntimo, para que perdure. Ao desatar os cadeados que lhe prende aos seus medos, estarás livre para amar e ser amado. A felicidade que estava perdida no espaço de tempo se tornara visível aos seus olhos. E ao enfatizar o seu decreto de liberdade, subirá aos mais altos montes, e enxergará os novos horizontes. Por conseguinte, a esperança é a única arma mais poderosa que o medo, e quando bem usada, pode ser letal. “Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser.” (William Shakespeare).