16 de novembro de 2019

O SOCIAL INVARIAVELMENTE IGNORA O AMOR

Ninguém imagina o abalo ontológico provocado pela separação amorosa. Caracteriza-se pela descontinuidade afetiva nas relações amorosas, trazendo a experiência da morte dentro da vida dos apaixonados. No entanto, a sociedade parece já não conceder ao amor e à paixão o lugar de destaque outrora ocupado por esses sentimentos. Nossa sociedade consumista tornou-se indiferente ao amor. Cultivamos uma tendência quase que imperativa para matar o amor na sua essência, colocando todos os tipos de antidoto para neutralizar os efeitos desse sentimento tão nobre, como se ele fosse um veneno para a nossa alma.  Estudar a separação amorosa significa estudar a presença da morte em nossa vida. Se a união de dois amantes é o efeito da paixão, ela invoca a morte, o desejo de matar ou o suicídio. O que caracteriza a paixão é um “halo” de morte (halo é um anel de luz que rodeia um objeto).

Entretanto, o poder do dinheiro, que vem corroendo a liberdade de amar. Contudo, permite-se que a liberdade erótica seja confiscada pelos poderes do capital, do mercado e da publicidade. O corpo vem sofrendo a dessacralização e vem sendo utilizado a serviço da propaganda. Porém, a nossa sociedade capitalista e democrática, aplicou as leis impessoais do mercado e a técnica da produção em massa na vida erótica das pessoas. Assim a degradou, embora como negócio tenha sido um grande sucesso. O corpo como mercadoria, tornou o amor desnecessário. Quando o amor se declara, viramos as costas e mergulhamos na solidão do vazio.

As consequências apontadas em as chamas do amor e do erotismo é a de que o amor, que foi suporte moral e espiritual das sociedades durante milênios, está ferido de morte. De um lado, a promiscuidade traz uma pseudo-liberdade erótica que, subvertendo o afeto, transforma-o em passatempo. Do outro lado, o poder do dinheiro, o apego ao patrimônio e ao desejo de preservá-lo. Nesse contexto, o amor é impossível, não há espaço para ele. Ainda existe pessoa que acredita que estar só é um estado de paz e liberdade. Será? Não fomos feitos para viver a sós e isolados. Nem os animais irracionais suportam a solidão.

Portanto, podemos deduzir que as chamas, “amor” e “erotismo” em seu sentido mais puro e essencial, ligada à profundidade do prazer íntegro, espiritual e pleno, vêm sendo paulatinamente abafado. Contudo, nesse contexto de apagamento do afeto situa-se a experiência da dor amorosa, ainda reservada aos que, deixando-se envolver afetivamente, embarcam na utopia de alcançar o amor do outro. O problema é que na relação amorosa envolve um “Eu” que deseja o “Tu”, e com ele tem um período de encanto, de amor e de posse. Quando o amor está alicerçado e feliz, ambos se destroem por insegurança e fraqueza, querendo provar um ao outro, a importância do social e o que a sociedade pensa do amor. Imagina só! E o que vem depois para quem continua amando é a constatação da perda. Triste fim! Ocorre então, a resignação e a racionalização, tipo “foi melhor assim”. Foi melhor pra quem?   

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