O
período é o de refletir sobre a inexistência. Se falamos do que inexiste é
porque antes existiu. E, se falamos do que existiu é porque se trata de algo
com história, pois, havia uma “presença” em processo de existir e que finalizou
sua marcha tornando-se, portanto, uma ausência. Trata-se de um fantástico
movimento que acontece num percurso: nele se avolumam criação, invenção,
pensamento, ensinamento e aprendizagem, transformação, sabedoria, fé e crenças,
ações de bondade e de maldade, construções, conquistas e perdas, influências
múltiplas, enfim, uma extensão de vibrações vitais ocorridas em todas as
direções, manifestas através de incalculáveis significados.
Mas,
quando tudo isso fenece?! Quando a ausência responde pelo o que antes fora
existência, através de um imensurável vazio de indecifráveis sinais?! É quando
a ausência se constitui num apagamento gradativo da existência, de tempos em
tempos, lentamente, tal um fenômeno que se esvai, deslocando-se em direção à
profundidade do espaço invisível, dissipando-se num adeus inaudível, desbotando
o que possuía de mais intenso ... até o pleno fenecer. Diante de tal força ou
impossibilidade de apreensão do que antes era nítido, compreensível, cristalino
e indubitável, o único caminho constitui-se no debruçar conformado ao mistério
da existência.
Por
que a existência não se alia à ausência, garantindo a sua sobrevivência, mesmo
que de outra forma?! Por que o existente não apreende o ausente; o que há de
misterioso nessa passagem? O que existe nessa passagem?! Por que o ausente
abandona irreversivelmente a existência, antes iniludível? Quando, de fato, o
ausente se ausenta completamente, desligando-se de vez do mundo da existência e
dos existentes? Que mundo é o da ausência? Por que, então, a existência
torna-se parceira semântica da ausência e vice-versa? Por que a ausência mantém
a essência da existência, permitindo que o perfil que antes existira ali permaneça
com o cheiro, os trejeitos, as gesticulações e os sons emanados de um eterno
buraco que seduz a nossa compreensão, tentando apreendermos esses restos? Qual
é o significado desse mistério que envolve, invariavelmente, todos nós?
O
fantástico desse fenômeno é que TODOS nos igualamos na ausência, embora na
existência insistimos em nos agrupar segundo critérios inventados por nós, até
mesmo perversos de exclusão. Ah, mas quando cada um de nós entrarmos no
"buraco vazio da ausência", talvez sejamos brindados com um inimaginável
abraço universal a despeito da vontade que cultivamos, dos infortúnios que nos
distinguiram ou das honrarias devotadas a poucos. Quem sabe, simplesmente,
encontraremos a paz infinita no nada.
(Texto
de autoria da Filosofa e Educadora Profa. Dra. Leoni Maria Padilha Henning da
Universidade Estadual de Londrina PR – Grato minha amiga por essa pérola)
Nenhum comentário:
Postar um comentário