A
religião sempre desempenhou um papel fundamental na história da humanidade. A
filosofia não tem a função de negar ou ridicularizar esse grande fato humano
que é a religião. Mas, na filosofia tem uma coisa que a religião não tem que é
a necessidade de certo “ateísmo metodológico”.
O
que isto quer dizer? Que o filósofo tem que ser alguém que não pode ter crenças
dentro da pesquisa filosófica. Ainda que se tratasse de Deus, porque para a
filosofia Deus não é “impossível” ele é “improvável”. Isto significa que a filosofia
não nega e nem afirma a existência de Deus. Amor a Deus, para a filosofia,
significa compreender a realidade e a harmonia de tudo o que existe.
Porém,
o Deus de Spinoza é a substância única, infinita e imanente que é idêntica à
própria Natureza (conceito conhecido como Deus, ou seja, Natureza),
não sendo um criador pessoal, antropomórfico ou externo ao mundo. Para o
filósofo Baruch Spinoza, tudo o que existe é uma manifestação ou modo dessa
substância divina, operando por necessidade lógica e leis naturais, e não por
vontade ou propósito, como prega as religiões monoteístas.
Deus
não está fora do universo; Deus é o universo. Não há separação entre criador e
criatura. Ausência de Antropomorfismo: Deus não tem sentimentos humanos,
vontade, raiva ou julgamento moral. O "bem" e o "mal" são
perspectivas humanas e não divinas.
Deus
é Natureza - Harmonia: Einstein via Deus na "harmonia ordenada do que
existe", e não como uma entidade antropomórfica. Ele declarou
explicitamente em cartas que não acreditava em um Deus pessoal que se preocupa
com as ações e destinos dos seres humanos. Para Einstein esse Deus
personificado pela religião não existe.
Essa
convergência entre filosofia, ciência e espiritualidade nos convida a uma nova
postura diante do mundo. Não se trata de escolher entre Spinoza, Einstein ou os
saberes afro-brasileiros. Trata-se de ouvir o que todos eles, em sua
diversidade, estão dizendo: a separação entre o humano e o natural é uma
ilusão. Somos parte de um todo vivo pulsante, sagrado.
Portanto,
conhecer a Deus não é um ato de fé cega, mas sim o entendimento racional das
causas e das leis da natureza. De modo que Deus é tudo o que é, aquele que sou.
Tudo segue uma necessidade natural, não um propósito divino ou vontade. Deus
não é um criador externo, mas a própria estrutura causa e essência de tudo o
que existe.