12 de abril de 2026

CONHECER A DEUS NÃO É UM ATO DE FÉ CEGA

A religião sempre desempenhou um papel fundamental na história da humanidade. A filosofia não tem a função de negar ou ridicularizar esse grande fato humano que é a religião. Mas, na filosofia tem uma coisa que a religião não tem que é a necessidade de certo “ateísmo metodológico”.

O que isto quer dizer? Que o filósofo tem que ser alguém que não pode ter crenças dentro da pesquisa filosófica. Ainda que se tratasse de Deus, porque para a filosofia Deus não é “impossível” ele é “improvável”. Isto significa que a filosofia não nega e nem afirma a existência de Deus. Amor a Deus, para a filosofia, significa compreender a realidade e a harmonia de tudo o que existe.

Porém, o Deus de Spinoza é a substância única, infinita e imanente que é idêntica à própria Natureza (conceito conhecido como Deus, ou seja, Natureza), não sendo um criador pessoal, antropomórfico ou externo ao mundo. Para o filósofo Baruch Spinoza, tudo o que existe é uma manifestação ou modo dessa substância divina, operando por necessidade lógica e leis naturais, e não por vontade ou propósito, como prega as religiões monoteístas.

Deus não está fora do universo; Deus é o universo. Não há separação entre criador e criatura. Ausência de Antropomorfismo: Deus não tem sentimentos humanos, vontade, raiva ou julgamento moral. O "bem" e o "mal" são perspectivas humanas e não divinas.

Deus é Natureza - Harmonia: Einstein via Deus na "harmonia ordenada do que existe", e não como uma entidade antropomórfica. Ele declarou explicitamente em cartas que não acreditava em um Deus pessoal que se preocupa com as ações e destinos dos seres humanos. Para Einstein esse Deus personificado pela religião não existe.

Essa convergência entre filosofia, ciência e espiritualidade nos convida a uma nova postura diante do mundo. Não se trata de escolher entre Spinoza, Einstein ou os saberes afro-brasileiros. Trata-se de ouvir o que todos eles, em sua diversidade, estão dizendo: a separação entre o humano e o natural é uma ilusão. Somos parte de um todo vivo pulsante, sagrado.

Portanto, conhecer a Deus não é um ato de fé cega, mas sim o entendimento racional das causas e das leis da natureza. De modo que Deus é tudo o que é, aquele que sou. Tudo segue uma necessidade natural, não um propósito divino ou vontade. Deus não é um criador externo, mas a própria estrutura causa e essência de tudo o que existe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CONHECER A DEUS NÃO É UM ATO DE FÉ CEGA

A religião sempre desempenhou um papel fundamental na história da humanidade. A filosofia não tem a função de negar ou ridicularizar esse gr...