Existe
uma dor silenciosa presente em muitos homens casados que quase nunca é
verbalizada. Não porque ele não tem coragem, mas porque muitos homens não
aprenderam a falar sobre sentimentos sem se sentirem fracos, inadequados ou
desrespeitados. Essa dor não nasce da falta de sexo em si.
Para
muitos homens, o ato sexual poderia acontecer com qualquer mulher. Essa dor
nasce da ausência de demonstração de interesse afetivo por parte da esposa, da
falta de iniciativa, do desejo claramente demonstrado e da sensação constante de
rejeição emocional e íntima.
Para
muitos homens, o problema não é ouvir um “não”. O problema é viver em um
casamento onde o “sim” parece sempre vir por obrigação. Quando a mulher nunca
inicia o contato íntimo, nunca demonstra desejo espontâneo, nunca chama, nunca
provoca, nunca se antecipa, o homem começa a interpretar algo muito mais
profundo do que a simples rotina sexual.
O
homem começa a sentir que é apenas tolerado. Na mente masculina, a ausência de
iniciativa não comunica neutralidade. Ela comunica desinteresse. Com o tempo,
esse homem passa a ocupar um lugar muito específico dentro do casamento: O
lugar do provedor silencioso de um homem que sustenta, resolve, paga, protege e
segura tudo, mas não é mais desejado.
Ele
se torna o senhor dos boletos, responsabilidades e das cobranças. Mas não o
homem do carinho e da atenção. Muitos desses homens continuam fiéis. Continuam
presentes e cumprindo seu papel. Mas internamente estão emocionalmente
quebrados. Porque o desejo masculino não é apenas físico, como muitos
acreditam.
O
homem está profundamente ligado à validação, à admiração e ao sentimento de ser
aceito. Quando o homem percebe que precisa sempre pedir, insistir ou esperar,
algo se quebra dentro dele. Ele passa a se sentir invasivo, indesejado, um incômodo
ou até sentir-se o móvel da sala, ninguém mais liga pra ele. E, aos poucos,
começa a se retrair.
Portanto,
a maioria dos homens não se retrai por falta de amor. Mas por autoproteção
emocional. É nesse ponto que muitos casamentos entram em uma zona perigosa: não
há mais brigas constantes, não há grandes escândalos, mas também não há conexão
ou intimidade. E esse é um dos sinais mais sérios de “Burnout masculino” (esgotamento
físico e mental causado por estresse).