24 de abril de 2026

SÓ EXISTO DE VERDADE QUANDO AMO VERDADEIRAMENTE

Antes que o mundo entrasse em chamas, Viktor Emil Frankl era um neurologista e psiquiatra de sucesso em Viena. Tinha 37 anos, era recém casado com Tilly, o amor da sua vida, e acabara de concluir um manuscrito revolucionário que mudaria a psicologia moderna.

À medida que a sombra da Alemanha nazista avançava sobre a Áustria, judeus começaram a ser presos e deportados. Viktor, graças à sua reputação internacional, recebeu um privilégio que milhões desejariam: um visto para emigrar para os Estados Unidos. Sua fuga estava garantida. Sua carreira, protegida.

Mas seus pais idosos não conseguiam vistos. Se ele fosse embora, eles ficariam sozinhos, à espera de uma deportação praticamente certa. Ele se viu diante da decisão mais difícil de sua vida.

Certa tarde, ao voltar para casa cheio de dúvidas, encontrou o pai chorando diante de um pedaço de mármore. O pai explicou que havia resgatado aquele fragmento das ruínas da principal sinagoga de Viena, destruída pelos nazistas. No mármore havia gravada uma única letra hebraica, parte de um dos Dez Mandamentos:

“Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem sobre a terra”. Viktor olhou para o mármore, depois para o pai e decidiu. Deixou seu visto expirar. Abriu mão da liberdade para enfrentar o destino ao lado da família. Em setembro de 1942, Viktor, sua esposa e seus pais foram presos e enviados a campos de concentração. Mais tarde, ele foi transferido para Auschwitz.

Ao chegar, enfrentou a temida “seleção”. Um oficial da SS, Josef Mengele, apontava para a direita ou para a esquerda. Direita significava trabalho forçado; esquerda, morte imediata nas câmaras de gás. Viktor foi enviado para a direita. Nos barracões, foi obrigado a se despir.

Ele carregava seu manuscrito escondido no forro do casaco. Tentou implorar a um prisioneiro para ajudá-lo a salvá-lo, dizendo que era o trabalho de sua vida. O homem apenas zombou dele. Tiraram seu casaco, suas roupas, seus documentos, sua identidade. Rasparam sua cabeça. Em seu braço, tatuaram o número 119104.

Viktor Frankl deixou de existir. Agora era apenas mais um número. Ele estava sozinho. Não sabia se sua esposa ainda vivia. Ao redor, o sofrimento era tão extremo que muitos prisioneiros se jogavam nas cercas elétricas para acabar com a dor. Durante três anos, Viktor enfrentou trabalho escravo brutal, cavando valas em solo congelado, alimentando-se apenas de água suja e um pedaço de pão por dia. Seus sapatos se desfizeram. Seus pés se encheram de feridas.

Como psiquiatra, começou a observar algo intrigante: homens fortes fisicamente morriam primeiro, enquanto alguns mais frágeis sobreviviam por meses. A diferença não estava no corpo, mas no espírito. Sobreviviam aqueles que tinham um propósito. Um motivo para continuar. Um “por que”.

Alguns sonhavam em reencontrar filhos. Outros queriam concluir trabalhos importantes. Quem perdia a esperança, morria. Viktor precisava de um propósito. Então começou a reescrever seu manuscrito na mente. Todas as noites, revisava capítulos inteiros mentalmente. Quando encontrava pedaços de papel, anotava palavras-chave com carvão.

Seu objetivo passou a levar ao mundo uma nova compreensão sobre o sofrimento humano. Mesmo em meio ao horror, ajudava outros prisioneiros à beira do suicídio, lembrando-os de que a vida ainda esperava algo deles. Foi ali que chegou à sua maior descoberta: os guardas podiam controlar tudo, como por exemplo: comida, dor, vida ou morte, mas não podiam controlar o que acontecia dentro dele.

Em abril de 1945, o campo foi libertado pelas tropas americanas. Viktor sobreviveu. Pesava apenas 38 quilos e estava doente, mas livre. Voltou a Viena esperando reencontrar sua esposa. Mas recebeu a notícia devastadora: sua mãe havia sido morta em Auschwitz. Seu pai morreu de exaustão. Seu irmão foi assassinado. E Tilly, sua amada, morreu de tifo aos 24 anos.

Ele estava completamente sozinho. Mesmo tendo sobrevivido ao Holocausto, quase sucumbiu à depressão. Sentia que não havia mais sentido. Então se lembrou de seus escritos. Lembrou-se dos homens que morreram sem esperança. Trancou-se em um quarto e, durante nove dias seguidos, ditou sua história e suas ideias. O livro recebeu o título de: “Em Busca de Sentido”.

Nele, escreveu sua ideia mais poderosa: “Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher a própria atitude diante de qualquer circunstância.” O livro foi traduzido para mais de 24 idiomas e se tornou um dos mais influentes do século XX.

Viktor não apenas reconstruiu sua vida — casou-se novamente, teve uma filha — como também ajudou milhares de pessoas ao redor do mundo com sua abordagem terapêutica, a Logoterapia. Ele faleceu em 1997, aos 92 anos. Às vezes, a história não é transformada por impérios ou exércitos. Mas por pessoas que escolhem ouvir a própria consciência e, mesmo na escuridão mais profunda, decidem acender uma luz que nunca se apaga.

12 de abril de 2026

CONHECER A DEUS NÃO É UM ATO DE FÉ CEGA

A religião sempre desempenhou um papel fundamental na história da humanidade. A filosofia não tem a função de negar ou ridicularizar esse grande fato humano que é a religião. Mas, na filosofia tem uma coisa que a religião não tem que é a necessidade de certo “ateísmo metodológico”.

O que isto quer dizer? Que o filósofo tem que ser alguém que não pode ter crenças dentro da pesquisa filosófica. Ainda que se tratasse de Deus, porque para a filosofia Deus não é “impossível” ele é “improvável”. Isto significa que a filosofia não nega e nem afirma a existência de Deus. Amor a Deus, para a filosofia, significa compreender a realidade e a harmonia de tudo o que existe.

Porém, o Deus de Spinoza é a substância única, infinita e imanente que é idêntica à própria Natureza (conceito conhecido como Deus, ou seja, Natureza), não sendo um criador pessoal, antropomórfico ou externo ao mundo. Para o filósofo Baruch Spinoza, tudo o que existe é uma manifestação ou modo dessa substância divina, operando por necessidade lógica e leis naturais, e não por vontade ou propósito, como prega as religiões monoteístas.

Deus não está fora do universo; Deus é o universo. Não há separação entre criador e criatura. Ausência de Antropomorfismo: Deus não tem sentimentos humanos, vontade, raiva ou julgamento moral. O "bem" e o "mal" são perspectivas humanas e não divinas.

Deus é Natureza - Harmonia: Einstein via Deus na "harmonia ordenada do que existe", e não como uma entidade antropomórfica. Ele declarou explicitamente em cartas que não acreditava em um Deus pessoal que se preocupa com as ações e destinos dos seres humanos. Para Einstein esse Deus personificado pela religião não existe.

Essa convergência entre filosofia, ciência e espiritualidade nos convida a uma nova postura diante do mundo. Não se trata de escolher entre Spinoza, Einstein ou os saberes afro-brasileiros. Trata-se de ouvir o que todos eles, em sua diversidade, estão dizendo: a separação entre o humano e o natural é uma ilusão. Somos parte de um todo vivo pulsante, sagrado.

Portanto, conhecer a Deus não é um ato de fé cega, mas sim o entendimento racional das causas e das leis da natureza. De modo que Deus é tudo o que é, aquele que sou. Tudo segue uma necessidade natural, não um propósito divino ou vontade. Deus não é um criador externo, mas a própria estrutura causa e essência de tudo o que existe.

8 de março de 2026

O QUE TODA MULHER GOSTARIA DE OUVIR NO SEU DIA A DIA

Oh! Mulher. É dama, diva. O que quiser. Mata no peito qualquer bola que vier. Nada teme quando quer, joga alto se puder. Mãe, filha, esposa, o que for, mostra sempre o seu valor devagar, alcançou o seu lugar. Enveredou por caminhos diferentes, veio à conquista de presente. Podia estar contente, mas persevera combatente.

Administra os filhos e a casa, de Deus recebeu as asas. Abre caminhos e atalhos. Poema de vida em cachos grisalhos. Em seu ventre tem morada, inquilina muito amada. Nove meses de contrato, do amor se fez o ato. Nesse oito de março, receba bem apertado, o meu abraço. Hoje o mundo é seu espaço. É no presente que se faz o laço.

Mulher, palavras não há para poder agradecer. E só sendo um homem sensível para poder reconhecer, que nada nessa vida é capaz de esconder o tamanho da força que existe dentro de você. Feliz Dia Internacional da Mulher, porque hoje é seu dia e todos os outros dias são para você.

2 de março de 2026

DAMOS POUCA IMPORTÂNCIA AOS NOSSOS SENTIMENTOS

Temos uma tendência a tratar muito mal as nossas emoções. Damos pouca importância aos sentimentos nobres como as emoções. Desde pequeno somos bem adestrados a não sentir emoções. Essa é a educação que recebemos, principalmente em nosso ambiente familiar. Quantos problemas de relacionamento poderiam ser evitados se soubéssemos lidar com as emoções?

Finalmente as pessoas estão acordando para o fato de que a inteligência vai muito mais além do que só o racional. E que essas emoções representam um aspecto importantíssimo do potencial humano. Penso que esse assunto deveria estar na pauta das disciplinas denominadas humanas.

Nossas emoções sempre foram vistas como algo perigoso, que precisa ser reprimido para não atrapalhar a forma lógica de pensar. O primo pobre da nossa personalidade. O ideal desejado pela sociedade, até a bem pouco tempo, eram pessoas frias, absolutamente racionais. O filósofo grego Sócrates, deixou uma frase lapidar: “Conheça-te a ti mesmo”, que mostra a importância de nos conhecermos realmente como somos.

A criatividade, a empatia, a sensibilidade, a plenitude de viver estão associados à recuperação da capacidade de sentir e expressar as emoções. É nessa habilidade social que exige um aprendizado. Aprender em primeiro lugar a nos conhecer e a partir daí, compreender o outro. Estabelecer com o meu próximo, uma relação de empatia e compaixão.

Aprendemos a ler e a escrever, mas não aprendemos no que diz respeito as nossas emoções. Vivemos entre discussões inúteis entre pais e filhos, falta de comunicação ou má comunicação no ambiente escolar, no trabalho, relacionamentos insatisfatórios. No entanto, sabemos que muitas doenças psicossomáticas, são consequências de nossa ignorância emocional, ou seja, do fato de desprezarmos nossos sentimentos ou de não sabermos expressá-los.

Estudos confirmam que 80% das pessoas que procuram médicos, sofrem de doenças emocionais e 37%, sofrem de doenças meramente imaginárias, isto é, acham que estão doentes. São pessoas que sofrem de doenças psicossomáticas, os chamados hipocondríacos. Este é só um pequeno dado do quanto tratamos mal nossos sentimentos.

8 de fevereiro de 2026

CONHECER DEUS NA PERSPECTIVA DE EINSTEIN E SPINOZA

Quando perguntaram a Einstein se ele acreditava em Deus, ele respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”. Para a religião você nunca está pronto, estamos sempre errados! 

O Deus de Spinoza (Deus, ou a Natureza), é a substância única e infinita que constitui tudo o que existe, revelando-se na harmonia e nas leis da natureza, não como um criador transcendente, mas como a própria realidade, incluindo os seres humanos, suas paixões e a razão, sendo que conhecer a Deus é conhecer a si mesmo e o universo.

Para Spinoza, não há um Deus pessoal que julga ou recompensa, mas sim uma ordem imanente onde tudo flui de uma única causa. O "Deus" de Spinoza é uma concepção panteísta e racional, onde o divino se manifesta na ordem e beleza do cosmos e em cada parte dele, convidando à contemplação e ao entendimento racional da existência, e não à adoração de um ser externo ou à submissão a dogmas.

Essa afirmação, embora ecoe o pensamento panteísta de Spinosa, também ressoa em outras tradições filosóficas e espirituais. Albert Einstein, por exemplo, demonstrava grande admiração por essa visão de mundo, enxergando Deus não como uma entidade antropomórfica, mas como a ordem e harmonia do cosmos.

Essa convergência entre filosofia, ciência e espiritualidade nos convida a uma nova postura diante do mundo. Não se trata de escolher entre Spinosa, Einstein ou os saberes afro-brasileiros. Trata-se de ouvir o que todos eles, em sua diversidade, estão dizendo: a separação entre o humano e o natural é uma ilusão. Somos parte de um todo vivo pulsante, sagrado.

Rubem Alves via Deus não como um ser doutrinário ou punitivo, mas como uma presença poética, associando-o à beleza, à natureza (jardins) e à vida, definindo-o frequentemente como uma "fonte de água cristalina" e "amor incurável". Em tempos de crise ambiental, desigualdade e desconexão espiritual, talvez seja hora de parar de discutir quem disse o quê — e começar a viver o que foi dito. Deus é Natureza. Deus é Poesia. Cuide. Ame. Respeite.

24 de janeiro de 2026

EXISTE UMA DOR SILENCIOSA NA MAIORIA DOS HOMENS

Existe uma dor silenciosa presente em muitos homens casados que quase nunca é verbalizada. Não porque ele não tem coragem, mas porque muitos homens não aprenderam a falar sobre sentimentos sem se sentirem fracos, inadequados ou desrespeitados. Essa dor não nasce da falta de sexo em si.

Para muitos homens, o ato sexual poderia acontecer com qualquer mulher. Essa dor nasce da ausência de demonstração de interesse afetivo por parte da esposa, da falta de iniciativa, do desejo claramente demonstrado e da sensação constante de rejeição emocional e íntima.

Para muitos homens, o problema não é ouvir um “não”. O problema é viver em um casamento onde o “sim” parece sempre vir por obrigação. Quando a mulher nunca inicia o contato íntimo, nunca demonstra desejo espontâneo, nunca chama, nunca provoca, nunca se antecipa, o homem começa a interpretar algo muito mais profundo do que a simples rotina sexual.

O homem começa a sentir que é apenas tolerado. Na mente masculina, a ausência de iniciativa não comunica neutralidade. Ela comunica desinteresse. Com o tempo, esse homem passa a ocupar um lugar muito específico dentro do casamento: O lugar do provedor silencioso de um homem que sustenta, resolve, paga, protege e segura tudo, mas não é mais desejado.

Ele se torna o senhor dos boletos, responsabilidades e das cobranças. Mas não o homem do carinho e da atenção. Muitos desses homens continuam fiéis. Continuam presentes e cumprindo seu papel. Mas internamente estão emocionalmente quebrados. Porque o desejo masculino não é apenas físico, como muitos acreditam.

O homem está profundamente ligado à validação, à admiração e ao sentimento de ser aceito. Quando o homem percebe que precisa sempre pedir, insistir ou esperar, algo se quebra dentro dele. Ele passa a se sentir invasivo, indesejado, um incômodo ou até sentir-se o móvel da sala, ninguém mais liga pra ele. E, aos poucos, começa a se retrair.

Portanto, a maioria dos homens não se retrai por falta de amor. Mas por autoproteção emocional. É nesse ponto que muitos casamentos entram em uma zona perigosa: não há mais brigas constantes, não há grandes escândalos, mas também não há conexão ou intimidade. E esse é um dos sinais mais sérios de “Burnout masculino” (esgotamento físico e mental causado por estresse).

10 de janeiro de 2026

TODO FINAL DE ANO VIVEMOS O MESMO TEATRO

Todo final de ano continua a mesma promessa e sorriso forçados, mas o imperador romano Marcos Aurélio, já alertava. A vida de cada homem é aquilo que seus pensamentos fazem dela. Então pense! Por que você gasta mais, bebe mais, se endivida mais e chama isso de felicidade?

Zenão de Cítio, filósofo grego e fundador do estoicismo, ensinava que a multidão vive escrava de ilusões criadas por outros. O natal e o ano novo não são celebrações inocentes. São rituais modernos de distração, feitos para manter você obediente, cansado e quebrado, acreditando que dessa vez tudo vai mudar.

Este é o estoicismo, o vírus mental, o lugar onde ilusões morrem e a consciência nasce. Se você está pronto para sair do ciclo, comente agora: “eu não vivo mais no automático”. Isso marca o início da sua ruptura. As festas de fim de ano, não são o que te ensinaram a acreditar. Elas não existem para celebrar você, sua família ou sua vida. Elas existem para manter o jogo funcionando. Um jogo antigo e bem organizado e extremamente lucrativo.

Onde você entre todos os anos achando que é protagonista, quando na verdade é apenas figurante. O natal e o ano novo funcionam como anestesia social, distraem, entorpece e mantém milhões de pessoas ocupadas demais. Gastando, bebendo e sorrindo, para perceber que estão sendo drenadas. Já dizia Marco Aurélio, que o homem se torna escravo daquilo que não questiona.

De modo que, poucos rituais são tão pouco questionados quanto essas datas. Observe o padrão, todo ano o mesmo roteiro. Luzes artificiais, músicas repetidas, discursos sobre amor e renovação. Mas na prática o que acontece? Pessoas gastando o que não tem para impressionar, quem não importa. Presentes comprados por obrigação, não por afeto. Cartão estourado, limites ultrapassados, divida normalizado.

Porém, tudo é embalado numa falsa sensação de pertencimento. Você não está celebrando, está obedecendo, está cumprindo um script social, que foi escrito muito antes de você nascer. Os estoicos enxergariam isso com clareza brutal. Zenão de Cítio ensinava que a maioria das pessoas, vive como animais, guiados por impulsos externos. Reagindo a estímulos criados por outros. O natal moderno é exatamente isso, um estímulo emocional cuidadosamente construído para ativar culpa, comparação e consumo.

Por conseguinte, se você não compra você é visto como frio, se não participa é estranho, se não gasta é egoísta. A pressão não é sutil ela é psicológica. E você cede porque quer se sentir parte de algo, mesmo que esse algo te empurre para o fundo e então vem o excesso. Bebida ruim em quantidade absurda, comida sem qualidade, só volume.

É servido um peru seco como símbolo de fartura. Enquanto isso sua conta bancária entra em estado crítico. Tudo isso é vendido como celebração, mas o corpo sente o impacto, o estomago pesa, a mente fica lenta. O dia seguinte chega com ressaca física e moral. O estoico busca temperança, o sistema promove exagero.

Pessoas cansadas não questionam, pessoas entorpecidas não reagem, pessoas endividadas obedecem. O ano novo é apenas a continuação da piada. Pessoas se deslocando em massa, pagando caro para dormir mal, comer pior e se iludir mais. Casas lotadas, colchões no chão, filas para tudo. Acreditam que mudar o cenário muda a vida, pulam ondas, vestem branco, fazem promessas vazias.

Portanto, o filósofo grego Epicteto já alertava, não são os eventos que perturbam os homens, mas o julgamento que eles fazem sobre eles. E o julgamento aqui é infantil. Nenhuma virada de calendário muda quem você é, nenhum ritual apaga hábitos, nenhuma superstição substitui disciplina. Enquanto isso o sistema já fez a conta. O décimo terceiro evapora, janeiro chega pesado, silencioso e cruel. Contas acumuladas, cartão estourado, motivação zero. Volta ao trabalho cansado, frustrado e ainda assim, acreditando que ano que vem vai ser diferente. Contudo, essa é a armadilha mais eficiente de todas.  

SÓ EXISTO DE VERDADE QUANDO AMO VERDADEIRAMENTE

Antes que o mundo entrasse em chamas, Viktor Emil Frankl era um neurologista e psiquiatra de sucesso em Viena. Tinha 37 anos, era recém casa...