A
religião sempre desempenhou o papel fundamental na história das pessoas. Na
verdade as pessoas de modo geral desejam acreditar em Deus, conforme-lhes foi
ensinado. Como explicar que há pastores e pregadores midiáticos ensinando
errado sobre costumes e moral religiosa? Há quem permita quase tudo e há quem
proíba quase tudo.
Tomás
de Aquino, um dos mais influentes teólogos dominicanos do cristianismo na
tradição conhecida como Escolástica, elaborou um tratado filosófico contendo
cinco argumentos na tentativa de harmonizar a “fé” e “razão”. Queria provar a
existência de Deus e até hoje estes argumentos são ruminados pelos estudantes
de teologia nos seminários.
É
muito difícil manter autoestima quando o ser humano é mortal, envelhece, fica
doente, perde quem ama, não sabe muito bem qual rumo a tomar na vida. Tudo isso
é muito complicado para a preservação da autoestima, por conta da tradição
judaico-cristã que implantou a teoria do pecado no mundo. O "bem" e o
"mal" são perspectivas humanas e não divinas.
Os
verdadeiros teólogos, filósofos, historiadores da fé, que estudaram 20, 40 anos,
muitos lecionam em universidades nem sequer têm espaço em rádios, TVs, editoras
e muito menos são convidados por essas instituições. Os craques da mídia
ocuparam todos os espaços. Nada contra eles, mas a verdade é que faltam mestres
do saber em muitas emissoras de rádios e TVs e, quando divulgam suas pesquisas
científicas, poucos são os interessados.
Poucos
são os pastores e pregadores que mostram com conhecimento o que estão dizendo.
Não divulgam o evangelho na sua essência. Pregam uma teologia distorcida. Tudo
coisa da cabeça do pastor que não concluiu seus estudos de teologia e, se
concluiu faltou às aulas de ecumenismo, filosofia, sociologia, pneumatologia, mariologia e escatologia. Achou que bastaria orar muito, ensinar orar e apontar
o céu e o inferno para quem quisesse ser cristão.
A
separação entre o humano e o natural é uma ilusão. Somos parte de um Todo vivo
pulsante, sagrado. Amar é dar Deus para o outro. Amar é estar juntos nos braços
da divindade. O povo evangélico ora muito, testemunha muito e abraça todas as
devoções do momento, mas quase não lê a Bíblia como deve ser lida e quando lê,
interpreta tudo errado, leva ao pé da letra. São analfabetos funcionais que
sabe ler, mas não consegue interpretar o que leu.
São
poucos os pastores e pregadores que mostram com conhecimento o que estão
dizendo. Preferem ouvir seus gurus que lhes ensinam como se comportar nas
pregações. Só não lhes ensinam a pensar como cristão raiz. Querem ser mais
cristão que o próprio Cristo. São craques em orar, cantar, louvar e dar
testemunhos. E isto é bom, mas não basta. Jesus ensinava os apóstolos a
pensarem.
A
alguns lideres religioso não tem livros de catequese, dicionário de teologia em
casa, na cabeceira cama, na estante ou nas bibliotecas das Igrejas. Nunca
ouviram falar na pedagogia cristã ensinada por Jesus, aos seus apóstolos. Alguns
pregadores de mídia passam horas em retiros falando de anjos, santos, pecado,
inferno, céu e santidade, mas não conseguem falar três minutos sobre o
significado da fé e da palavra espiritualidade.
Nunca
estudaram e seus superiores ocupam pouco tempo com isto. Aprendem a viver como
cristão, mas nunca aprenderam a pensar como um verdadeiro cristão. As melhores
pessoas que conheço não são evangélicas. E isto é uma grande lacuna na formação
desses novos lideres religiosos, pastores, padres e pregadores evangélicos.
Estão muito mais preocupados com resultados do que com a formação filosófica e teológica.
Trilhar o caminho da fé também requer aprendizado.
Portanto,
conhecer a Deus não é um ato de fé cega, mas sim o entendimento racional das
causas e das leis da natureza. De modo que Deus é tudo o que é, aquele que Sou.
Tudo segue uma necessidade natural, não um propósito divino ou vontade. Deus
não é um criador externo, mas a própria estrutura causa e essência de tudo o
que existe. Assim sendo, de que adianta falar do meu amor a Deus, se não pratico
esse amor com o meu próximo.