27 de janeiro de 2016

VIVEMOS NUM MUNDO MAGNIFICO

Foi um pensamente que surgiu assim. Num dia qualquer da semana, por volta das doze horas, ainda escovando os dentes, olhando para o espelho os olhos, surpreendentemente tristes e espantados olhando os dentes sendo escovados, os lábios repuxados, um sorriso falso de espuma. De repente o olhar saltou na espuma os olhos no espelho. Aí foi impossível escapar do pensamento. Neste momento ao olhar novamente no espelho vejo um olhar feminino de alguém muito intimo e familiar refletida nos meus olhos no espelho, não era mais os meus olhos, era o dela nitidamente plasmado na minha retina. O pano de fundo daquela cena, tudo se apresentava muito tenso e triste. Não pensei duas vezes, prontamente sai ao seu encontro. Para minha surpresa, realmente ela precisava do meu apoio psicológico. O clima estava tenso e triste em sua casa.

Como se explica esse fenômeno? Seria um caso de telepatia ou clarividência? Aprendi com a elegância e a sabedoria da natureza alguns mistérios em torno das manifestações da vida. Por exemplo: “quando a cobra cascavel espera o rato é certeza que o rato vem?” Dizem que sim, que é essa espera que o traz. Da cobra dizem que tem poderes, encantamentos, porque aguenta a fome e a espera pode ser longa. Porém, os pensamentos não esperam, com o tempo submergem, viram caroços de neurose incomodando a alma da gente, sem mesmo a gente saber, porque também, o pensamento nasce do corpo e não da mente. É o que diz a medicina psicossomática. No entanto, é empurrado para ela, que insistimos em chamar de cérebro, mas que na verdade se chama consciência. Quem o empurra é a primeira emoção que o fabricou? O olhar no espelho, a dor da saudade, o desejo de vê-la, a alegria por ela existir ou medo de não vê-la nunca mais?

São essas emoções que encaroçam se, pressionadas por outras emoções quando recusamos seus acessos a essa pequena parte de nós mesmos, que constantemente confundimos com nossa própria identidade que é a consciência que temos nesse momento significativo da vida. Vale lembrar que nós vivemos num mundo magnífico. Tudo que acontece de ruim é para melhorar a nossa vida. Pena que o saber não tem valor neste país, assim como os filósofos não tem serventia para nada, nem para trabalhar na Educação. As pessoas não querem refletir sobre a vida, sobre a condição humana. O importante hoje é ganhar dinheiro e viver no luxo. Ou se ganha dinheiro ou se gasta dinheiro. Não a tempo de fazer as duas coisas.

Portanto, esse é um mundo perfeito, sempre em sintonia com os seres vivos. Mas, nós não entendemos a perfeição. Platão já dizia a mais de vinte três séculos, que vivemos como seres presos, acorrentados numa caverna e o que vemos são sombras deformadas na parede dessa caverna. Hoje chamada globalização econômica do qual somos prisioneiros. Não conseguimos enxergar o mundo real em sua plenitude. Nele tudo é perfeito. Tendo em vista, que a perfeição não é um atributo humano, mas, pelo menos podemos chegar à margem da perfeição. Isto é, sendo quem somos. Seres dotados de inteligência, pensamentos e uma faculdade extraordinária de percepção extrassensorial que se manifesta sempre em circunstâncias especiais. Nós somos mais que especial. Somos gênios.   

24 de janeiro de 2016

FORMAS REFINADAS DE VIOLÊNCIA

A violência está em todos os segmentos sociais e se apresenta das formas mais diversas, não só na agressão física, como também, tornou-se comum falar mal de pessoas que supostamente dizemos querer bem, somos intolerantes com aqueles que nos olham com admiração, negamos o direito de defesa à pessoa que sofre de acusações espúria e maledicente. Na maioria das vezes esse tipo de violência é maior que a mostrada pelos meios de comunicação. Surpreendentemente, ela começa no seio da família, a nossa primeira convivência social, ela vem sorrateiramente de forma velada e devagarzinho vai machucando e anestesiando ao mesmo tempo em que fere. A família que teoricamente seria nosso primeiro objeto de amor, se a gente não cuidar rapidamente dela, mais algumas décadas seguramente será extinta. É perceptível que as famílias se amam eventualmente e se traem sistematicamente. Fala-se de um amor em família que quase nunca se vê na pratica.

Posso assegurar que a história da criança e da família caminha lado a lado na questão da violência. Para muitos ainda hoje, bater é sinônimo de educar. As grandes guerras e as perseguições no mundo foram feitas em nome de Deus e da Pátria. Não são as igrejas e nem os bons costumes que perseguem as pessoas. São pessoas perseguindo pessoas. A qualquer momento alguém poderá ser denunciado ou chantageado, assim como acusar e ser acusado. Conheço pessoas que foram vitimas de abusos físicos e psíquicos na infância e hoje se sente indiferente a tudo e a todos. São incapazes de estabelecer relações de amor sem ferir o outro. São pessoas egoístas e manipuladoras. Diz-se sofrer muito por não saber dar e receber amor e se sente impotente diante da vida. Não confiam em ninguém, no fundo não confiam nelas mesmas.

Vivemos cercados de inimigos, porque as pessoas se vigiam muito, se controlam muito, fazem fofocas umas das outras. Todo mundo vive jogando os maus sentimentos e o próprio veneno encima do outro. Sempre é o outro que não presta que faz corrupção, outro que é o indecente, o mau caráter, o traidor, é o outro que não me ama. As pessoas de modo geral, não percebem o que estão vendo, pois se preocupam demais, com aquilo que não estão vendo. A história da humanidade é um martírio e uma tortura para muitos. Até na arte é mostrado o sofrimento humano. Uma grande porcentagem das músicas românticas refere-se ao amor como sofrência, sobretudo, à infidelidade, e a todas as dificuldades que os costumes sociais impõem ao amor.

Por outro lado, temos uma geração de classes e hierarquias sociais em permanente relação de medo e raiva umas frente às outras. Estou convencido que por trás desse suposto amor há um ódio espantoso dominando o mundo, basta dar uma olhada na história. A começar pelos circos romanos que foram o retrato desse ódio e poder, onde centenas de pessoas se matavam ou eram mortas, para a diversão do público. Pessoas divertindo-se, vendo gente matar gente, de todos os jeitos. Hoje nós dizemos que horror! E esquecemos que os nossos políticos fazem hoje, exatamente a mesma coisa que faziam os circos romanos. Pessoas morrendo de todos os jeitos na arena da vida, onde a plateia são os governantes corruptos que administram este circo chamado Brasil.

Portanto, vivemos procurando sempre um culpado para explicar a nossa crueldade. Isto acontece muito nas relações afetivas e amorosas. No entanto, foi assim que nasceu o bode expiatório, a mais nefasta criação simbólica da violência humana. Jesus Cristo foi o bode expiatório nas mãos da humanidade. Ainda hoje se prega o amor nas comunidades religiosas, mas na prática permeia o egoísmo e a falta desse amor e respeito ao próximo. Contudo, são estas formas refinadas de violência que estiveram e estão presente no nosso mundo. Todos vigiando a todos. Todos ameaçando a todos. Logo, vive cada um caçando a todos. E vivem todos caçando a cada um. Enfim, um dos enigmas da humanidade é que a vida real das pessoas não é flor que se cheira. Basta ler os noticiários para constatar o que estou dizendo. 

17 de janeiro de 2016

SABER VIVER É CONVIVER

Quantas vezes nos precipitamos nos julgamentos e, com isso, impedimos que os outros se revelem, porque na certa, nossas atitudes os bloqueiam. De certo modo, só uma convivência muito íntima e amorosa poderá fornecer elementos para que, verdadeiramente, conheçamos alguém de fato. Ainda assim, é temerário o julgamento, pois nossos padrões podem não ser os mais exatos, os mais adequados ou o mais correto como assim imaginamos. O melhor mesmo é aceitar sem fazer julgamento, acolher para realizar uma missão de paz, amar sempre o meu próximo para que haja autenticidade e equilíbrio entre os humanos.

Num relacionamento autêntico, cada um se interessa pelo outro de maneira genuína. Tendo em vista, que na maioria dos casos deveria se revelar através de uma demonstração constante de admiração e respeito, aparecendo em palavras, atos de gentileza, consideração e educação, que seria o mínimo para se viver em sociedade como pessoas civilizadas.

Todavia, quando a relação pende para o lado amoroso e romântico, parecem viverem melhor ou pelo menos em harmonia enquanto estão encantado um pelo outro. Há aqueles que oferecem conforto na presença silenciosa do outro, através de gestos e poucas palavras e mais o uso da linguagem corporal, porque nosso corpo fala, como um instrumento de comunicação. São gestos e atitudes compartilhadas de confiança mútua, honestidade, admiração, devoção acompanhada daquele estremecer de felicidade, simplesmente por ser e estar juntos. É um dizer para o outro, entre em minha vida, estou aberto e pronto para recebê-lo. É como dizer: “compartilhamos da mesma essência humana”.

Portanto, o grande aprendizado da vida, é saber estar com quem à gente gosta ou ama verdadeiramente. O que podemos dizer é que para estabelecer uma boa relação com outras pessoas, tem que haver reciprocidade. Porém, com maior clareza naquilo que nós realmente esperamos da vida e dos outros, com o quais nos relacionamos. Enfim, isto é saber viver e conviver em sociedade.

14 de janeiro de 2016

O QUE É ADMIRAÇÃO?

O sentido grego da palavra admiração é o “espanto”. Quando estamos diante de uma situação inesperada, onde nos sentimos fragilizados, é nesse momento que precisamos de coragem para modificar a realidade dos fatos. Temos uma atitude de admiração e espanto, sendo esta o ponto de partida para o ato de refletir e filosofar, que vai nos levar a descoberta de nossa própria ignorância e à indagação sobre o que ignoramos. Partindo do pressuposto, que todos nós convivemos com determinados padrões estéticos, morais e políticos. Quando algo nos é apresentados fora do que esperamos, nos perguntamos: “como isso é possível?” Todos nós temos um determinado padrão de beleza, no entanto, vez ou outra surpreendemo-nos com uma obra de arte que pode ser bela ou não possui os critérios de beleza que imaginamos e estamos acostumados.

No entanto, diante desse espanto e admiração, iniciamos um processo de questionamento que leva a nossa compreensão sobre o que é beleza. Neste comportamento adquirimos consciência de nossa ignorância e procuramos ampliar o nosso entendimento, perguntando e questionando sobre os nossos conceitos de valores. Assim como a beleza, o mesmo ocorre com outros temas. Todavia, a atitude da admiração, quando nos desperta para certas interrogações, é a manifestação do desejo de saber do qual falou Aristóteles 384-322 a.C.). Este desejo, por sua vez, não é um comportamento utilitário, pois neste caso, outros interesses, que não a procura do conhecimento poderiam sobrepor às indagações que o homem pode fazer. E esta é uma especialidade do conhecimento filosófico.

Entretanto, se a admiração não servir para ampliar nossos horizontes, através de um questionamento, ela pode servir também para uma atitude alienante e dogmática, o que é oposto do que se busca com a reflexão filosófica. Diante do espanto as pessoas podem se render aos encantos e medos, despertando uma admiração ingênua, que torna o homem um ser passivo, ou ainda, um amedrontado que não questiona, não problematiza, e simplesmente admite que existam coisas desconhecidas, mas não se atreve a indagar sobre elas.

Portanto, a mesma admiração que é o ponto de partida para o exercício da reflexão filosófica, pode ser um comportamento que preserva a ingenuidade e não leva ao questionamento. O que vai diferenciar é o modo como às pessoas reagem diante de questões que surgem a partir de nosso cotidiano. A reflexão filosófica é acessível a todos e em todas as etapas da vida, pois como afirmou Epicuro (341-270 a.C.): “nunca se deve dizer que é cedo demais ou tarde demais para filosofar, pois dizer isso equivaleria dizer que a hora de desejar a felicidade ainda não chegou ou então que ela já passou”. Contudo, se é verdade que a existência precede a essência como afirmava Jean-Paul Sartre (1905-1980). Então, não importa o que a vida fez de você, mas o que você fez com o que a vida fez de você. Isto pode lhe causar um espanto se nada fez.  

9 de janeiro de 2016

QUAL A UTILIDADE DA FILOSOFIA?

Dizem que a filosofia é coisa de quem vive nas nuvens. Será mesmo a filosofia coisa de pessoa desligada? Os italianos dizem que a filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo continua tal e qual. Um conferencista brasileiro, com ironia ainda mais agressiva, comentou: “eu penso na filosofia como se esta fosse um homem, num quarto escuro, procurando um chapéu preto que não está dentro desse quarto”. Isto é, a filosofia seria uma loucura elegante, algo completamente sem utilidade? Mas, por que tanto interesse em se falar mal de uma coisa supostamente insignificante? O que está por trás dessas ironias?

No meu curso de filosofia, certa vez numa aula de antropologia filosófica o filósofo e educador Régis de Morais (1941), hoje meu orientador. Apresentou-nos um texto seu “A Filosofia é Inútil?”. O ensaio contava que certa vez houve, na praça pública de Atenas, um célebre debate sobre a importância ou não da filosofia. Amigos deste tipo de saber e adversários, reunidos publicamente, realizaram como que um julgamento da “ré filosofia”. Muitos sábios estavam presentes ao debate; dentre estes, o grande filósofo Aristóteles. Pois bem, todos os adversários da filosofia discursaram tentando demonstrar sua inutilidade. De outro lado, todos os amigos da filosofia argumentaram como podiam para conseguir provar a importância desta. Ao final, conta o cronista antigo, que Aristóteles levantou-se para falar.

Fez-se um enorme silêncio na praça, pois se respeitava muito aquele sábio. Talvez se esperasse dele um longo e inflamado discurso. Mas, Aristóteles fez um raciocínio extremamente simples que deixou a todos perplexos. Ponderou o pensador: “Ouvi com máxima atenção a todos. De tudo do que disseram tiro duas alternativas muito simples: ou nós devemos filosofar ou nós não devemos filosofar. Pois bem, se devemos, vamos filosofar. Se, porém não devemos filosofar, isto só em nome de uma filosofia”. Como seria inevitável, o debate acabou aí. Afinal, até para não filosofar era preciso dar razões e fundamentar, o que é a pratica filosófica.

Entretanto, a sociedade industrialista e de consumo tem medo da filosofia. Aliás, todos os movimentos de massificação social têm medo da filosofia, pois aquele que se aproxima do estudo filosófico, de uma forma ou de outra desenvolve o seu “senso crítico”. Ora, no nosso mundo, em que a tônica dos meios de comunicação e de muitos governos, é fazer a cabeça, quem pensa incomoda, quem sabe criticar ideias e situações não se deixa levar, não se deixa manipular. Esta é a razão pela qual todas as ditaduras do mundo, quando se instalam no poder, saem a campo para caçar, prender e exilar os filósofos; eles são caçados e depois cassados. Eis também a razão pela qual o meios de comunicação ou fazem uma caricatura do filósofo ou se calam ostensivamente a seu respeito. Sempre foi muito bom para a filosofia ser marginalizada pelos ditadores políticos e pelos tiranos da economia, pois, só assim ela quase nunca se assentou nos banquetes dos poderosos (como tão frequentemente têm feito as ciências), e pode fortalecer sua têmpera nos calabouços da sociedade.

Segundo o filósofo e educador Régis de Morais, ninguém pode ficar indiferente ante a filosofia. Afinal, se nascemos seres pensantes, é natural que procuremos pensar. Marginalizar a filosofia é uma forma de valorizá-la. Amar a filosofia é outra e mais positiva maneira de valorizá-la. Vai-se sempre amar ou odiar a filosofia, nunca dará para ficar-se indiferente. No dia em que o ser pensante desistir de pensar, tudo estará acabado e o mundo se encherá de figuras idiotizadas passando pela vida como quem passa por um delírio. Uma coisa é certa: nós nascemos para levar a vida, não para sermos levado por ela feito folha seca que cai num riacho e perde o governo de si mesma.

Acontece que, quando a mentalidade consumista nos invade e nos domina, ela o faz de um modo tão esperto que, embora presos e escravizados, sentimo-nos muito sabidos e ousados. Esta mentalidade injeta um tão estranho veneno nas pessoas que estas passam a detestar a única coisa que as distingue dos irracionais: “o desejo de buscar o sentido da sua vida”. Ora, filosofar é não abrir mão de procurar o sentido da vida individual, da vida social e da cultura. Podemos dizer que “a filosofia é a procura da face verdadeira do homem”. E isto não pode ser buscando nas nuvens e nem entre os anjos. É fixando o olhar e a inteligência nas alegrias e sofrimentos dos seres humanos, observando e refletindo sobre os fatos e sentimentos do homem, que se constrói um edifício filosófico. Antigamente pensava-se que havia lá em cima, um céu de ideias de onde desciam luzes sobre a vida; hoje se sabe muito bem que as ideias nascem do calor do viver ao rés do chão, entre pessoas, objetos, casas, cenários e nosso olhar atento aos seres vivos que nos cercam com sua beleza.

Por conseguinte, se a filosofia busca a verdadeira face do homem, ela não pode fugir dos conflitos que marcam a vida humana. Já se disse que o conflito é a morada da vida, portanto, não cabe ao fazer filosófico qualquer tipo de alienação. Quando os filósofos e literatos (como um Dostoiévski, um Sartre ou um Graciliano Ramos) questionam o sentido da vida, fazem-no para que os homens cheguem a conduzir suas existências e não sejam levados pelos empurrões do viver. Fazem-no para que as pessoas realmente participem do viver, não apenas o tolerem. Contudo, acusam o projeto filosófico de ser muito pretensioso. E nisto têm razão, pois a filosofia não pode querer pouco. Sua pretensão não é a de ter status, riqueza ou de patrocinar exibicionismos. Aquele que pensa, não quer ser manipulado por fama, riqueza ou exibicionismo. Aquele ser pensante que não abdicou do pensar, ele deseja é viver com sentido e por um projeto válido de vida. Desde uma modesta filosofia de vida até um sofisticado sistema filosófico, o que se pretende é buscar o sentido de tudo e evitar o embotamento humano. Enfim, ao que tudo indica, a filosofia nada tem de inútil.

31 de dezembro de 2015

COM OTIMISMO E ALMA RENOVADA PARA 2016

Quando abrirmos o livro do novo ano, suas páginas estarão em branco. Nós vamos escrever nele os nossos desejos mais específicos. Um ano cheio de amor e dos melhores sentimentos que existem. Quero que o amor e paz nos coloquem sempre no caminho da positividade, onde não existe espaço para a tristeza, apenas para a nossa felicidade. Este livro chama-se oportunidade e seu primeiro capítulo começará no primeiro dia de 2016. Que as realizações alcançadas em 2015, sejam apenas sementes plantadas que serão colhidas com maior sucesso no ano vindouro.

A vida é bela e mesmo com os contratempos sempre será, porque o simples fato de estarmos vivos nos dá oportunidade de mudarmos tudo àquilo que não gostamos, de poder transformar a nossa realidade e tornar o nosso mundo um lugar mais agradável e gostoso de viver. Vale lembrar que o objetivo do ano novo não se resume na passagem de um ano para outro. É mais do que isso. É uma oportunidade que nos é dada para começarmos o ano com otimismo e a alma renovada. Chegou o momento de abrir o nosso coração e renovar nossas energias para receber 2016. Dizendo todos numa só voz:

“Boa noite Pai já está terminando o ano de 2015 e agradeço pela vida que me confiou. Neste momento recolho-me para o meu descanso merecido. Obrigado Pai por tudo, obrigado pela esperança que nesse ano animou os meus passos, pela alegria que senti juntamente com as pessoas que de alguma maneira caminharam ao meu lado nesse ano. Obrigado pela alegria que vi no rosto dos meus filhos e dos demais jovens, das crianças e dos idosos, que comigo conviveram ao longo desses anos. Obrigado pelo exemplo que recebi dos outros, pelo que aprendi ao longo desses anos. Obrigado também por tudo que sofri e ainda sofro por ver crianças e idosos sendo maltratados. Obrigado Pai pelo dom de amar, mesmo sem ser compreendido. Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa que sopra o meu rosto, pela comida em minha mesa, obrigado por permitir-me viver, pelo meu esforço e desejo de superação. Pai desculpe o meu rosto carrancudo. Desculpe ter esquecido que não sou o filho único, mas irmão de muitos. Perdoa a minha falta de colaboração, a ausência do espírito de servir. Perdoa-me também por não ter evitado aquela lágrima, aquele desgosto que lhe dei. Desculpa ter aprisionado em mim aquela lagrima por não expressar o meu amor naquele momento. Contudo, estou pedindo força, energia para os meus propósitos, no ano que está nascendo, a vida não para nunca, só a morte pode nos cessar. Enquanto isso, espero que neste novo ano que está começando, domine um novo sentimento em cada coração. E que a cada novo dia seja um continuo sim, numa vida consciente. Porque tudo que vive, não vive sozinho e nem para si mesmo.”

Como disse sabiamente o líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948): “Tudo o que vive é o teu próximo”. Se uníssemos pelo amor compartilhado, talvez tivéssemos muito mais em comum e, força suficiente para cultivar valores que nossa essência carrega. Não se pode viver nesse mundo sem ter fé em Deus e sem relacionar com o universo em harmonia. A alma precisa de silêncio e prece, pois, no silêncio e na prece, nada tememos. A cada ano que passa, aprendemos que o tempo nos converte mais que a razão. Contudo, a cada dia de nossa vida, aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo. Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muito amor e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus. 

29 de dezembro de 2015

OS MISERÁVEIS - VICTOR HUGO

O livro: “Os Miseráveis” de Victor Hugo (1802-1885), foi escrito em 1862 é uma narração de caráter social em que o misticismo, a fantasia e a denúncia das injustiças formam uma trama complexa, onde descreve vividamente, ao tempo de condenação, a injustiça social da França do século XIX. O livro conta a história de um criminoso que sai da prisão cheio de raiva. O romance é muito comovente e emocionante. Pois narra a triste história de Jean Valjean, um homem muito pobre que para salvar a família da fome é forçado a roubar um simples pão. Desde então é condenado e preso pela polícia.

Porém, quando está terminando de cumprir a pena ele foge e acaba sendo condenado novamente. Fez isso algumas vezes e infelizmente passou 19 anos preso por ter roubado apenas um pão. Ao ganhar a liberdade ele sai na cidade à procura de um lugar para dormir e se alimentar. Entretanto, é expulso de todas as hospedarias, pois os donos o consideravam como um dos piores bandidos já existentes. Para o autor, o mundo é o terreno onde se defrontam os mitos: “o bem e o mal, a bondade e a crueldade”.

Entretanto, após cumprir 19 anos de prisão com trabalhos forçados, Jean Valjean, com frio e fome ele bate à porta da casa de um Bispo é acolhido com dedicação, por mais que o Bispo soubesse de quem se tratava, mesmo assim, lhe dá comida e abrigo. No entanto, esse Bispo só tem uma riqueza na vida que são seus dois “castiçais de prata”. Mas havia tanto rancor na sua alma que no meio da noite ele rouba um dos castiçais e agride o seu benfeitor. Ele sai sem que o Bispo o perceba. Quando ele está saindo da cidade a policia o aborda e começa a revistar sua bolsa e encontra o castiçal e pergunta: onde ele arranjou aquele castiçal. Prontamente ele diz: foi o Bispo que me deu. A policia desconfia e o leva até a casa do Bispo, para confirmar essa história.

Chegando lá para a surpresa de todos inclusive do criminoso, o Bispo confirma que realmente deu o castiçal. O Bispo salva-o alegando que o castiçal de prata foi um presente e nessa altura dá-lhe o outro castiçal, repreendendo-o por ter saído com tanta pressa que se esqueceu de levar essas peças mais valiosas. Após esta demonstração de bondade, o Bispo o “lembra-se da promessa (que Valjean não tem nenhuma lembrança de ter feito), de usar a prata para tornar-se um homem honesto”.

Portanto, vale lembrar que a maioria dos seres humanos não é como esse Bispo. Mas, o Jean Valjean, quando ficou sozinho analisou esse gesto de generosidade do Bispo. De repente como um milagre, ele é tocado por aquelas palavras do Bispo e a partir daí ele se torna uma pessoa bem melhor. Tornou-se um empresário bem sucedido, dono de uma fábrica e um homem respeitado pela sua bondade, caridade e generosidade. Contudo, este gesto extremamente nobre do religioso, devolve a fé que aquele homem amargurado tinha perdido. 

A RELAÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E SOCIABILIDADE

Em um trecho da palestra para a TV Feira do Livro, Leandro Karnal fala sobre a relação entre inteligência e sociabilidade, em sua fala ele m...