31 de agosto de 2020

SINTO QUE UMA PARTE DE NÓS É TODO MUNDO

Na luta diária somos levado a compreender, que o outro sempre tem razão. Inconscientemente surge uma sensação de tristeza, confusão e desespero, que toma conta do nosso ser, começa a crescer como um fungo irritante em nossa mente. Passamos a ser ríspidos com os outros. Perdemos a parte da cabeça que nos faz negar os fatos durante grande parte da nossa vida. É o que chamam de insanidade temporária. Aquela parte de nós que continua a se preocupar, que vive na dúvida, que é cheia de receios, que julgam os outros que tem medo de confiar, que precisa de provas, que acredita apenas quando lhe convém, que não consegue dar continuação às coisas, que se recusa a praticar o que prega e que precisa ser salvo, que quer ser vítima, que dá verdadeiras surras no “Eu interior”, que precisa estar certo o tempo todo e que insiste em se agarrar àquilo que não funciona. Esta é a outra parte de nós.

Estranho seria olhar para essa parte nossa, que se apresenta e não reconhecer que é neste coração, nesta vida, que habita a melhor parte de nós. Sendo que uma parte de nós é todo mundo; a outra parte é ninguém, pelo menos que o conhecemos. Há uma outra parte que anda por aí entre a multidão. Que se revela estranha para nós e que a chamamos de solidão. A parte nossa que se apresenta, pesa, pondera, enquanto a outra parte delira e se espanta com a nossa reação. Às vezes somos permanentes e a outra parte de nós nos surpreende de repente. Somos vertigem enquanto a outra parte é linguagem. Como diz o poeta e ensaísta brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016): “Traduzir-se uma parte na outra parte, que é uma questão de vida ou morte, será arte?”. A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Portanto, com o tempo, nós percebemos que para ser feliz com outra pessoa, precisamos em primeiro lugar, não precisar dela. Percebemos também que aquele alguém que amamos pode ser definitivamente a pessoa da nossa vida. Porque só o amor faz as pessoas evoluírem espiritualmente. A capacidade de sentir amor é que faz a pessoa melhorar como ser humano. Tem coisas que atravancam a nossa vida e aquela parte de nós consegue superar aquele desencontro. Só o amor nos liberta e nos torna mais humano. O segredo é não correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim, para que elas venham até nós. Enfim, essa parte de nós vai achar, não quem estamos procurando, mas quem está nos procurando. Aquela parte de nós sabe onde encontrar a parte que nos completa. Abram-se, algo muito maior do que pensam está acontecendo em nós.  

29 de agosto de 2020

PROFESSOR DEIXOU DE SER O CENTRO DO SABER

Gosto de brincar com as palavras, fazer trocadilhos, ainda mais com o advento da internet. Como dizia Rubem Alves (1933-2014): “ler é fazer amor com as palavras”. De modo que, tudo  isto torna a produção literária mais atraente e divertida. Tendo em vista, que a tecnologia e a internet tem contribuído muito para que o conhecimento não fique somente guardado nas estantes das bibliotecas. Por outro lado, esse saber à nossa disposição não terá utilidade se não soubermos como acessá-lo. Desenvolver as habilidades de pesquisa nos alunos é um dos grandes desafios do professor, atualmente.

A internet tem mudado bastante a forma como nos relacionamos com o conhecimento, principalmente, no âmbito escolar. O professor deixou de ser visto como o centro do saber para ser aquele que articula os saberes, fazendo com que o aluno relacione fatos e consiga construir sua opinião através do senso crítico. O educador deve ser aquele que está disposto a ajudar o aluno a trabalhar em grupos e a construir seus próprios conhecimentos. Segundo o pesquisador, biólogo e psicólogo Jean Piaget (1896-1980), diz: "só conseguirá dizer e passar com simplicidade e clareza uma ideia, quem entendeu suficientemente bem essa ideia".

Diante dessa nova realidade, faz-se cada vez mais necessário a busca por capacitação e aperfeiçoamentos para que nos apropriemos cada vez mais do mundo digital e, consequentemente, para que o aprendizado através dessa ferramenta tecnológica de informação e comunicação seja efetivo e traga bons resultados para o âmbito escolar. A conexão com os acontecimentos contribui muito para o aprendizado, pois através de um simples clique podemos saber o que acontece no mundo, isso tudo em fração de segundos.

Portanto, a internet é um vasto mundo, tem tanto conteúdo bons como ruins. Este mundo virtual tem muito de perigoso e nefasto para os jovens. E ainda tem alguns pais irresponsáveis que largam seus filhos o dia todo na internet. Isto só acontece porque os responsáveis por essas crianças e jovens, nutri a falsa crença de que só por estar em casa, fechado no seu quarto enfrente a um computador, os filhos estão seguros e protegido. Na verdade, é uma ideia equivocada dos pais.

27 de agosto de 2020

ACREDITO SER A NATUREZA, NOSSA MAIOR PEDAGOGA

Minha convivência com a natureza trouxe-me outra realidade, que passei a vivenciar com profundidade, ou seja, enxergar a natureza como a maior pedagogia da vida, por ser ela tão sábia. A natureza tem muito a nos ensinar. Veja neste poema o quanto de belo é o nosso contato com a natureza: “Da minha aldeia vejo o quanto da terra se pode ver no universo. Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer, porque sou do tamanho do que vejo, não do tamanho da minha altura. Nas cidades a vida é mais pequena que na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave. Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu. Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar e tornam-nos pobres, porque a única riqueza é ver.” (extraído do poema “O Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro).

O Guardador de Rebanhos” é uma obra composta de 49 poemas ou partes, que começaram a ser datados em 08 de março de 1914. O livro é assinado por Alberto Caeiro, um dos “heterônimos” do poeta Fernando Pessoa (1888-1935). (heterônimo é um personagem fictício criado pelo escritor com caráter próprio). Alberto Caeiro possui a mansidão e a sabedoria que nos comove. Aproxima-se da postura do Zen Budismo. Para Caeiro, o importante é ver e ouvir: “A sensação é tudo, e o pensamento é uma doença”. No entanto, dizia Caeiro no poema O Guardador de Rebanhos: “nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor. Conhece o vento e o sol e anda pela mão das estações a seguir e a olhar. Toda a paz da natureza sem gente”.

Portanto, como apreciador da natureza que sou, faço-lhe o seguinte convite: “vem sentar-se ao meu lado nessa viagem imaginária, como nas caminhadas peripatéticas e longas conversas pelos bosques fecundos das abelhas”. “Venha ver comigo o findar do pôr do solSaiba que minha alma é seu pastor”. Olhando para o meu rebanho e ouvindo as minhas ideias, sem pestanejar aparece um turbilhão de pensamentos. Sou impulsionado imperativamente por esse sentimento que não sei explicar. Já não sei mais andar a sós por este caminho. Contudo, aprendi que o amor é aquele companheiro que gosta de conversar. Como ensinou-me o poeta: “toda a realidade olha para mim como um girassol e o meu rosto no meio”. Aqui o tempo não existe, o espaço é transformado pela nossa experiência, assim como o espaço transforma a nossa experiência. Nós não habitamos o nosso corpo, nós somos o nosso corpo. Acredito ser a natureza, nossa maior pedagoga. Com ela aprendemos e tecemos esse emaranhado, que é a teia vida.

21 de agosto de 2020

QUEM APRENDE COM A DOR, ENSINA COM AMOR

O homem não necessita senão de um mínimo de conforto na vida, quando a sua vida tem uma finalidade nitidamente consciente, isto é, quando ele sabe por que vive, trabalha e sofre. Uma causa grande e digna, claramente apreendida e entusiasticamente abraçada, torna-se grandiosamente fascinante e bela, a mais humilde das existências. O homem sem ideal rasteja penosamente pelas tediosas baixadas da vida. O homem empolgado por uma grande causa, cria asas e voa jubilosamente por cima de todos os obstáculos. Refiro-me aqui ao homem enquanto gênero humano, capaz de justificar sua utilidade no mundo de dor e amor. Quem aprende com a dor, ensina com amor.

Entretanto, é necessário saber sonhar! Não esses sonhos quiméricos, ocos, mas, os grandes sonhos do mundo das excelsas, realidades ainda não realizadas, porém, realizáveis pelos audaciosos aventureiros do infinito. O mais duro da vida torna-se suave quando o homem tem plena certeza, o por que vive e conhece o caminho que trilha. Vida enfadonha e intolerável é somente uma vida sem ideal e sem finalidade. Convém recordar o ditado popular, que: “o seguro morreu de velho e o desconfiado vive até hoje”. Mas, o aventureiro vive na perpétua juventude. Como argumenta o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955): “Quem, em nome da liberdade, renuncia a ser aquilo que deveria ser já se matou em vida: é um suicida de pé. A sua existência consistirá numa perpétua fuga da única realidade que era possível”.

Portanto, se eu tivesse cem por cento de segurança, mas, não tivesse a liberdade de sonhar os sonhos pelas infindas regiões do além. Do que me serviria, toda essa tediosa segurança? Basta-me, um mínimo de segurança, pois tenho necessidade de muita liberdade para sonhar. A excessiva segurança me faz envelhecer em plena juventude. A vasta liberdade me garante a mocidade em plena velhice. Prefiro ser um velho jovem, a ser um jovem velho. Sabem meus amigos leitores por que vives? Se compreender a razão profunda de sua existência, saberás viver intensamente. Só chegamos a ser uma parte mínima, do que poderíamos ser. Um dia olharás para trás, e dirá a si mesmo: “valeu a pena aprender com a dor, porque hoje ensino com amor”. Não interessa a origem da flor, o que interessa é o significado da flor.

19 de agosto de 2020

SEJA NO CORPO OU NA ALMA O SOFRIMENTO É CONCRETO

Foi para discutir questões sobre o significado mais profundo da existência humana que a filosofia nasceu. Na verdade, ela nasceu como uma coisa concreta, para enfrentar problemas reais. Seja no corpo ou na alma o sofrimento é concreto e real. Entretanto, a filosofia traz para a discussão temas como: o que é vaidade, o que é o amor, o que é o medo, o que é a justiça e por aí vai. Outra característica importante da filosofia, é que tanto Aristóteles (384-322 a.C.) como Platão (427-347 a.C.) e antes deles, já viviam na decadência de Atenas. 

De modo que se observarmos a filosofia ao longo da história, ela sempre cresce quando o mundo está em ruínas, quando a sociedade está em crise. No entanto, não há duvida que o acumulo de conforto, o acumulo de opções, o acumulo de opiniões e de técnica, isto gera esse tipo de sentimento, que algumas correntes filosóficas chamam de liquidez ou pós modernidade. Hoje somos assim, amanhã já não somos mais, mudamos rápido de opinião. Esse sentimento de desencaixe como diz os antropólogos, propicia a filosofia. É quando nos sentirmos perdido e começamos a nos perguntar e ao mesmo tempo duvidar.

Portanto, o peripatético é esse espírito de caminhar pela cidade, caminhar pela natureza ou pelo mundo, observando e conversando sobre esses acontecimentos. Passamos uma boa parte do tempo se perguntando sobre coisas concretas. Não perguntamos sobre coisas abstratas, por medo de cairmos no abismo do nosso inconsciente, estudado por Sigmund Freud (1856-1939). De modo que, beleza e inteligência sempre estão em conflitos. A beleza é o espelho da nossa imperfeição. Estar diante da beleza é como ouvir o oráculo de Delfos dizendo: “saibas que tu és mortal”. Dentro de nós está, o macro e o micro cosmos, o homem e o universo, o céu e a terra. Pois, a natureza é o grande livro da Vida, no qual devemos aprender a ler.

16 de agosto de 2020

A SOLIDÃO É BOA QUANDO ESTOU COMIGO

Além dos avanços tecnológicos do início deste milênio, as relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu mal-estar. A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade nasceu com o romantismo e está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Durante séculos acreditou-se que seria assim mesmo. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais as mulheres. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: “o outro tem que saber fazer o que eu não sei fazer”. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal. Certa vez li uma frase postada por uma mulher, que dizia o seguinte: “Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que ajude a superá-las”. Na verdade, o que essa mulher está buscando, não tem nada a ver com o amor romântico. Nesta frase está implícito outros interesses que não o amor.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso me submeter, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo sozinho, as pessoas estão perdendo o pavor de ficarem sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. No entanto, o ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira, moral ou afetiva. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. No mundo da modernidade, vivemos um novo comportamento, que visa à aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades, como pensava Platão. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o individuo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva e amorosa.

A solidão é boa quando estou comigo, ficar sozinho não é mais vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Portanto, todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontrada dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. Contudo, o amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Se não houver respeito, ambos estão vivenciando um amor infantil e imaturo.  

11 de agosto de 2020

A FILOSOFIA COMO PROPOSIÇÃO DO PENSAR CRITICO

A filosofia sempre esteve ligada ao momento em que o homem começou a fazer perguntas sobre sua existência. Ela nasceu como uma atividade de esclarecimento e de autonomia de pensamento, pensar por si, conhecer a verdade do mundo, exercitar a linguagem autêntica para firmar alianças de tolerâncias e proposições de reconhecimento de igualdades. É importante que entendamos o significado da própria palavra filosofia, pois ela é utilizada de formas muito diferentes. Algumas vezes o termo é usado como “filosofia de vida”, para explicar como uma pessoa conduz sua vida. Também vemos a palavra relacionada ao trabalho, significando como a pessoa ou um grupo organiza o tempo, as decisões e o dia a dia de sua profissão. Há ainda a concepção de “filosofia religiosa”, dentre outros usos. De modo que a filosofia se relaciona à premissa de se constituir num saber, num modo de realizar alguma coisa, por assim dizer, o pensamento que organiza e da direção a essas atividades.

Temos também a filosofia que se aprende nas escolas, que faz parte do currículo escolar. Esta traz consigo um pressuposto de se reconhecer como um conhecimento que envolve a história da cultura, o que pensaram os filósofos em determinadas épocas e em que sentido tais ensinamentos podem nos auxiliar a pensar a vida de hoje, através do debate sobre a ética, a moral, os valores primordiais que trazemos na nossa matriz. De modo que o pensar crítico envolve um juízo intencional, no sentido de refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a um exame minucioso, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até mesmo a proposições alheias.

Desse modo, a filosofia pode ser compreendida com um saber que tem por interesse a formação da inteligência crítica das pessoas. Na história podemos buscar informações sobre sua trajetória. Nessa época a filosofia significava um modo de entender o mundo, diferente do que até então predominava, o pensamento mítico, fantasioso. A pergunta sobre o que é e para que serve a filosofia. É uma das grandes questões que a acompanham, desde o seu surgimento até nossos dias. Houve tempos em que a filosofia apareceu como oposição à ciência, diante do entendimento de que esta sempre se ocupava de questões práticas e a primeira seria o exercício livre do pensamento.

Sabemos que a filosofia surgiu na Grécia Antiga, sua história já contém uma caminhada que vai modificando o conceito de reflexão de um pequeno grupo para o estimulo do pensamento crítico e autônomo para o maior número de pessoas, até ocupar a escola, como um conteúdo de nossa formação. Todavia, pensar filosoficamente é a grande intenção desse jeito de conhecer e saber, fazer com que a busca das verdades de cada situação nos auxilie a melhor entender o mundo, as pessoas e a realidade. A filosofia então tem o sentido de nos fazer pensar com nossas próprias ideias, buscando a autonomia, sem nos deixar conduzir por outras pessoas, outros saberes ou poderes; e nos dias de hoje, pelas agências de alienação e engodo coletivo, como a identidade dominante na mídia ou qualquer coisa que conduza o nosso pensamento, assim como as redes virtuais na internet.

Entretanto, é por isso que a filosofia nem sempre teve uma boa aceitação no país ou entre algumas pessoas mais conservadoras. Como argumenta o filósofo e educador Cesar Nunes (Unicamp): “o compromisso da filosofia em estimular o pensamento crítico e dar a oportunidade de que cada um tire suas próprias conclusões sobre as situações de sua vida, da política, da sociedade, sobre as outras pessoas, pode incomodar àqueles que não têm interesse em deixar o pensamento livre e crítico ganhar espaços em nossa sociedade”. Tendo em vista, que a ideia mais importante é que todos possam exercitar essa forma de pensamento, para descobrir o que há por trás do que nos é repassado pelos meios de comunicação, pelo conhecimento que aprendemos como o único válido e que comecemos a questionar as formas de viver e pensar, buscando, o grande interesse da filosofia: uma vida melhor, em que os seres humanos possam sonhar e usufruir da felicidade.

Portanto, uma vida feliz se constrói com a vivência da igualdade, do pensamento livre, da criatividade, do diálogo, no combate às situações de desigualdade, pelo respeito ao próximo, ao meio ambiente, em particular aos direitos conquistados por crianças, jovens, adultos, mulheres, pessoas com deficiências, idosos, negros, índios e marginalizados. Exercitar o pensar critico de cada um por si mesmo é um dos principais compromissos daqueles que têm como interesse a vida plena, a justiça e a felicidade como valores fundamentais do que chamamos de emancipação humana.  

A RELAÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E SOCIABILIDADE

Em um trecho da palestra para a TV Feira do Livro, Leandro Karnal fala sobre a relação entre inteligência e sociabilidade, em sua fala ele m...