15 de novembro de 2013

BONDADE SE APRENDE COM A MATURIDADE

Não tenho medo dos anos que passam e não penso em velhice. E digo a você também, não pense na velhice. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velho. Você é simplesmente um corpo espiritualizado, portanto, o espírito não envelhece. Nunca diga aos outros que está ouvindo pouco ou enxergando pouco, eles vão te olhar com preconceito. É claro que quando precisar de ajuda, diga que está precisando de ajuda. Todos precisam de ajuda em algum momento da vida. Não tem como negar. Escolhemos ser o que somos. Sempre negamos ser o que supostamente escolhemos. Para o filósofo e existencialista francês Jean-Poul Sartre (1905-1980), aquele que mente diante de suas escolhas e pede desculpas usa de má fé. O homem escapa de suas escolhas quando consegue por efeito mentir para si mesma.

Procuro sempre ler e estar atualizado com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. Assim como também escrever. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não deixar a vida passar pelos anos. Também não diga para você que está ficando esquecido, porque assim você realmente ficará esquecido. Nunca diga que está doente, diga sempre que está ótimo. Nunca digo nem pra mim mesmo que estou cansado, nem que estou triste. Procuro estar sempre bem, nada de palavras negativas. Só palavras e energias positivas. Tem gente que se desgasta o tempo todo querendo ter razão, ao invés de querer ser feliz. 

Entretanto, quanto mais disser estou ficando cansado e esquecido, mais cansado e esquecido ficará. Vamos nos convencendo disso e também convencemos a outros. Então fiquem em silêncio, respire fundo antes de qualquer ação. Sei que já vivi mais da metade do que tenho para viver. Estou com mais de sessenta anos de idade e não dou conta, que cada dia que passa é um dia a menos que tenho para viver. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velho ou vivido. Pelo menos não me sinto velho e nem cansado. Já fui jovem e vivi como tal, muitos dos jovens de hoje não sabem se chegará algum dia aos sessenta anos.

Você se acha velho? Tenho consciência de ser autêntico e procuro superar todos os dias a minha própria personalidade, despedaçando dentro de  mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. Entretanto, o mais importante é semear, produzir milhões de sorrisos, como faço diariamente com as minhas brincadeiras, produzir solidariedade e amizade é a minha filosofia de vida. É isso que nos faz feliz. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Tento com as minhas reflexões, encorajar os amantes a não desistirem do amor que sentem. Por acreditar que só o amor transforma as pessoas e devolve a alegria de viver num mundo de injustiça. Não existe paz se o homem não expressar a sua bondade com maturidade e consciência.

Portanto, digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com . Faço o que devo fazer, com amor. Esforço-me para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. A vida é muito curta para se ter inimigos. Agradeço sempre pelo dom da vida e de poder amar mesmo sem ser compreendido. Agradeço sempre, pela luz do dia, pela noite, pela brisa que sopra o meu rosto, pela comida em minha mesa. Agradeço sempre, por permitir-me viver o dia de hoje, pelo meu esforço e desejo de superação. Sou feliz por estar aqui e deixar essa mensagem de amor e .

10 de novembro de 2013

FÉ NA INTELIGÊNCIA INFINITA

Vivemos em um mundo de bebidas instantâneas, alimentos instantâneos, cidades instantâneas, quase tudo instantâneo. Lamento não poder oferecer uma confiança ou cresça instantânea. A confiança ou a fé é algo que deve ser aprendido e alimentado por todos nós. Mas, espero já ter plantado algumas sementes de fé e confiança em pessoas que me conhecem e gostam do que escrevo, certamente irão cultivá-las.

Três sementes de fé e confiança que considero de vital importância para formarmos o triângulo do sucesso em nossas vidas. A fé na nossa espantosa riqueza interior com a qual podemos criar qualquer modalidade de sucesso que se deseja. A fé e confiança em nós como mentes conscientes que somos, pois é essa consciência que nos torna senhor do presente e do futuro. E por ultimo a fé na existência de uma inteligência infinita que da ordem ao Universo e que nos proporciona ajuda e orientação em todos os empreendimentos, desde que lutemos tenazmente, com entusiasmo e decisão inabalável, removendo as barreiras que o condicionamento passado, colocou entre nós.

Entretanto, nós temos o poder de atrair ou repelir toda e qualquer coisa. Temos o poder de subir grandes alturas na escada da realização pessoal e prosseguir em ascensão. Porque temos esse poder dentro de nós, está sempre trabalhando a nosso favor como também contra nós. Infelizmente, muitas vezes damos aos outros os nossos poderes, por exemplo: Quando alguém nos diz que não somos inteligentes para isso ou aquilo, passamos a considerar como tal. Quando dizem que somos indecisos, aceitamos este fato como verdadeiro e passamos a agir inseguramente. Quando alguém nos diz que não merecemos a sua confiança, passamos a duvidar de nós mesmos. Assim, como também de quem nos aproxima.

Portanto, quando conseguirmos modificar a nossa maneira de pensar, começaremos a experimentar novos sentimentos. Sofro não pelo o que os outros pensam de mim, mas, sim por aquilo que imagino que eles estejam pensando ao meu respeito. Contudo, a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que a gente não ve mais confia. Firme na fé e na confiança, como quem ve aquilo que é invisível. É um olhar da alma com o coração. Confiança inabalável e sem o menor vestígio de duvida. É nessa atmosfera que o Amor surge e se cristaliza.    

19 de outubro de 2013

O NOBRE EXERCÍCIO DA ADVOCACIA

Resolvi dedicar essa reflexão aos nobres advogados que tem como princípio a ética e como base o seu comportamento moral, que na verdade denota o bom profissional na área jurídica. O homem justo se faz a partir da sua ética, que conduz a sua moral no sentido de semear a justiça e a paz entre os homens. No entanto, o advogado como dever de ofício, deve se inteirar dos problemas que afligem a coletividade, na busca de solução compatível com o direito de todos os cidadãos de bem e principalmente pelas exigências dos órgãos que integram a sociedade num todo, pois são grandes os problemas sociais que assolam o povo mais necessitado. Sobretudo, pelo conhecimento teórico que o estudo do direito trará a esse profissional, garantindo-lhes melhor compreensão e fazendo valer os direitos dos seus constituintes. Esse é o produto que um bom advogado poderá oferecer se quiser ver uma sociedade mais justa.

Advogar significa falar em nome do representado, defendendo-lhes seus interesses. Mas, a advocacia não se limita somente à defesa de um interesse privado. Trata-se de função que compõe a própria justiça, necessário ao equilíbrio de forças internas do Poder Judiciário. Todavia, o advogado tem um papel social de relevante importância na construção da emancipação dos seres humanos e na consolidação da cidadania.

Entretanto, o exercício da advocacia deverá ser precedido de bom preparo técnico, que resultará da conjugação do aprendizado teórico acadêmico com a prática forense. Tendo em vista, que na graduação o bacharelando receberá as informações e orientações gerais sobre as teorias dessa ciência e algumas noções de como nasce, desenvolve e se extingue um processo com ou sem lide. Na concepção clássica  lide corresponde a um conflito de interesses qualificado por uma pretensão essencialmente de um processo judicial civil, o qual visa em ultima instância, resolver esse conflito apresentado perante o juízo. Por outro lado, nos balcões dos cartórios, compulsando os autos, conferindo detidamente os dizeres das certidões, das cotas ou dos detalhes de cada lance das audiências, é que poderá o advogado coletar conhecimentos que complementarão os teóricos já armazenados durante o seu tempo de instrução na graduação.

Segundo o professor de direito e advogado Valdemir Barsalini, em seu ensaio intitulado: “A Advocacia”, argumenta que só com a soma de sólidos conhecimentos teóricos e muito exercício prático é que o advogado poderá cumprir a sua função de representar ao seu constituinte e de bem lhe defender os interesses, trabalhando no sentido de garantir os direitos do cidadão. Com a experiência vem a segurança, e conhecendo os detalhes com que se pauta cada juiz à presidência dos processos na correspondente vara, ou as posições que assume cada representante do Ministério Público nos casos em que atua, ou até, como se comporta cada oficial de justiça conforme o tipo de mandado a seu cargo, é que poderá adequar sua atuação em melhor proveito ao seu cliente.

Afinal, o que é ser um bom advogado? Precisamos compreender como se deu o processo de formação dos advogados e demais juristas no Brasil ao longo da história. Na tese de doutorado de Aurélio Wander Basto, advogado, cientista político e professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, assim como da Universidade Cândido Mendes, publicada sob o título “O Ensaio Jurídico no Brasil”. Ele nos mostra que durante o século XIX, o curso de direito era voltado para a formação de uma elite intelectual conservadora e sobretudo política. Curiosamente, os juristas teóricos e apolíticos que formavam a ala não conservadora, todos eles amavam a filosofia e praticavam a maiêutica socrática (parto das ideias), ao contrário dos bacharéis políticos que se enquadrava na realidade política do país e não estavam interessados em pensar a política como um bem comum a todos.

Entretanto, a ciência jurídica foi marcada no século XX, pelas notórias alterações nas relações sociais, econômicas, políticas e religiosas ocorridas no Brasil. Aquele profissional sóbrio e engravatado, conteudista, recheado de doutrinas e inúmeras citações jurisprudenciais transcritas, depois de demorados estudos e consultas em vetustas bibliotecas, muitas vazadas em redação escorreita e a revelar elevados conhecimentos gramaticais e literários, agora se tem figura comum, de trajes corriqueiros, de fala simples e escrita mais coloquial, com redação nem sempre pessoal e em muitas vezes de mera repetição de formulários sequer bem adaptados ao caso ou à tese que nele defende. Outra mudança significativa desse profissional, é que quase não se vê nos dias de hoje, advogado autônomo, com escritório próprio.

O mais comum é que os profissionais do direito se associem, dividindo espaços e despesas  mantendo escritório e aparelhos de comunicação e de informática em parceria, talvez por conta da concorrência. Enquanto isso, no exercício diário de suas atividades forenses, muitos outros engrossam as filas dos inscritos à Assistência Judiciária Gratuita, para disputarem patrocínios em ações que lhes garantirão algum ganho conforme tabela de modestos honorários, que nunca os contenta. Muitos até dispõem-se a servirem como plantonistas em demoradas estadas, aguardando chamado de algum juiz ao desenvolvimento de uma audiência. Contudo, o pauperismo cada vez maior, da nobre classe.

Penso que tanto os advogados, como juízes, promotores de justiça e delegados de polícia, deveriam receber tratamento igual, sem qualquer distinção ou privilégio  pois entre esses profissionais enquanto no exercício de suas atividades, não deveria existir hierarquia legal. Todos trabalham em função e preservação da justiça. O certo é que na prática não se dispensa aos advogados o nivelamento indiscriminatório, e nem cuidam a que se evite isso. Enquanto o magistrado se sustenta em patamar superior, é comum notar entre os advogados uma postura, diferente de simplesmente respeitosa, suplicante à espera que o juiz se digne deferir-lhe o direito que defende. Sem falar da melosidade com que é tratado um juiz, já é tempo de acabar com esse tratamento como se o juiz fosse uma verdadeira dádiva celestial. Poderiam usar uma linguagem menos pegajosa, mais direta e sem ranços tão conservadores à perpetuação do distanciamento entre advogados e juízes, por certo, não encobriria a hierarquia que a lei não impõe, mas que parece satisfazer o orgulho de uns e o descabido servilismo de outros.

O exercício da advocacia é marcado de relevante valor social. É através dela que o advogado movimenta o Estado à distribuição da justiça que porá fim às lides, isto é, pacificando os conflitos entre as partes. Mas, acima de tudo, é por meio da advocacia que na sociedade moderna, pressupõe-se a realização da justiça, garantindo-se em certo grau, determinado equilíbrio social, indispensável à convivência entre os cidadãos. O advogado é um profissional da lei, indispensável para o sistema judiciário, até juízes  desembargadores e outros magistrados precisam e utilizam da sua sapiência para defendê-los enquanto cidadãos.

Entretanto, há de se notar que apesar de toda a luta do advogado pela realização de justiça no que toca ao caso que defende, no mais das vezes sua atuação limita-se à defesa dos direitos somente daqueles que o procuram. A grande parte da população brasileira vive em condições sub-humanas, poucos têm acesso à justiça, a maioria está desassistida no que concerne a seus direitos fundamentais, constitucionalmente garantidos, colocando-se o Brasil, como um dos campeões mundiais em desigualdades sociais. Apesar dos esforços de algumas administrações públicas locais em conjunto com o Poder Judiciário em levar, por meio de projetos, instrumentos que possam prover a população carente de melhores condições para acessar a justiça e ver atendidos seus direitos, tendo em vista, que a grande parte dos casos, a população não se vê em condições de acessar a justiça. Isto é, sua condição precária de vida não lhe proporciona sequer a noção de seus direitos.

O mais triste de tudo isso, é constatar que em geral, nossa população carente só tem acesso a justiça, ainda precariamente, quando tem que se defender por algum ato ilícito ou crime cometido. Contudo, o direito se aplica com mais constância contra pobres e miseráveis, cuja condição de penúria e de exposição à violência não raro conduz, desde a tenra idade, a ingressar numa economia ilegal, como por exemplo, a economia do jogo de bicho ou do narcotráfico.

Portanto, o nobre advogado tem o dever de cada vez mais, lutar pela construção de uma sociedade mais justa, e isso significa não medir esforços para incluir, por meio de sua prática, o número maior de pessoas possível no mundo das garantias reais de direitos, no mundo dos efetivos cidadãos, cuja vida se rege pela jurisprudência institucional. O advogado é o primeiro dos juízes, aquele que deve orientar seu cliente sobre a procedência jurídica inclusive moral e por que não dizer ética também, de seus interesses e direitos. Contudo, o bom advogado deve colocar toda sua energia, conhecimento e habilidade a serviço dos cidadãos, assim como sua contribuição efetiva ao Poder Judiciário, parte importantíssima para a garantia de equilíbrio entre os poderes numa democracia, entregando de corpo e alma a servir à Justiça, valor máximo do Direito, para a emancipação dos seres humanos e à construção de uma sociedade mais justa e humanitária.       

30 de setembro de 2013

OS PRINCÍPIOS ÉTICOS E MORAIS DE UM POVO

Atualmente nos encontramos num momento de ambiguidade, falta de valores éticos e morais, ninguém presta mais atenção no seu semelhante, percebemos uma rapidez nas ações, tanto produtivas quanto sentimentais. As relações afetivas estão perdendo o significado. Estamos vivendo uma espécie de ressaca ética. Estamos vivendo o descartável, o arbitrário. Há uma insatisfação geral do povo. Mas, afinal o que é ética? Ética é um conjunto de valores e princípios que nós usamos para decidir as três grandes questões da vida que são: "quero, devo e posso". Isto é ética. E quais são os princípios morais que usamos na nossa vida diária: Tem coisa que eu quero, mais não devo. Tem coisa que eu devo, mais não posso. E tem coisa que eu posso, mais não quero.

No entanto, quando vamos ter paz de espírito, sem ressentimentos e sem culpa? Quando aquilo que nós queremos, for aquilo que podemos e devemos, ai teremos realmente, serenidade e paz de espírito. Todos nós temos um principio ético, que é não pegar o que não nos pertence. E o nosso comportamento moral é que vai dizer se eu roubo ou não. Todavia, o principio ético se traduz numa moral que se fundamenta na obediência aos costumes e hábitos recebidos de uma determinada cultura. Ou seja, a moral é a prática e a ética é a reflexão desses costumes. 
   
Entretanto, quando falamos em moral de um povo, parece que se vai restringir a liberdade humana. Moral na mente comum, significa proibição, censura. De fato, muitas vezes a moral é uma imposição de grupos dominantes e tolhe a nossa liberdade. Mas a moral também pode ser feita por nós e, é fruto de nossa liberdade, fator de afirmação e de felicidade. Para entender isso, vamos fazer uma distinção entre ética e moral. Dos muitos livros que tratam desse assunto os temas são intercambiáveis. Nós fazemos essa distinção apenas para favorecer o entendimento daquilo que queremos dizer.

Todavia, a ética deve ser entendida como reflexão, o estudo, o debate sobre o comportamento moral dos seres humanos. Ética é mais a teoria, o estudo, os escritos, os rumos que se pretende dar a conduta humana. Enquanto a moral é mais a prática. Trata-se daquilo que existe como norma de comportamento num determinado lugar e numa determinada época. Por exemplo, não matar, não roubar, não mentir, são normas morais existentes nas mais diversas culturas. Quanto as normas citadas acima, todos estão de acordo. Mas quanto aos detalhes e outras normas morais, as coisas não são tão fáceis assim. Há muitas discussões e muita inconformidade.

Seguir regras morais é justamente discutir e propôr normas validas para todos. É fazer a seguinte pergunta: “a pena de morte é um bem ou um mal?” “O aborto é uma boa ou uma má conduta?” E assim estamos fazendo ética a fim de estabelecer uma boa conduta entre os humanos. Não é necessário que se trate de questões graves somente. Pode-se tratar de questões simples como a regulamentação da vida em comum num colégio. Digamos que estudantes e professores discutem como devem ser o comportamento deles durante o ano letivo, já estão fazendo ética. Se estabelecer princípios de conduta, também está fazendo ética.

Por conseguinte, se os alunos e professores chegarem à conclusão de que, durante o ano letivo, deverão relacionar segundo os princípios da solidariedade, da compreensão, da entre ajuda, do diálogo, da liberdade e da igualdade entre as pessoas, estão fazendo ética e estabelecendo normas morais. E isso é muito bom, por favorecer e criar um clima de confiança e compreensão entre professores e alunos. Com certeza vai aumentar a produtividade e a criatividade dos estudantes. Esse exemplo deveria ser seguido em todos os lugares e ambientes, entre pais e filhos, patrões e empregados. Isto significa que fazer ética é democrático e que as normas morais devem ser estabelecidas de modo democrático. O que vale são os argumentos em torno do combinado.

No Brasil nós temos uma moral machista e autoritária, propriedade daqueles que têm o dinheiro e o poder. O que é muito ruim para todos, pois só cria escravos. Precisamos de uma moral democrática. E para isso é preciso fazer ética. É preciso pensar diferente e discutir a vida. Neste país, pouca gente leva a sério ou faz ética de verdade. Ora, sem fazer ética, através de diálogo aberto e franco, sem modificar essa moral autoritária, não se pode falar em democracia. É evidente que não se trata de liberar a conduta humana. Trata-se de regulamentá-la dentro de padrões honesto, mas democraticamente estabelecidos. Penso que só assim todos assumirão com mais responsabilidade e haverá menos transgressões. Nós somos um país de muitas normas morais rígidas e autoritárias, de muitíssimas leis, mas com muito descumprimento das mesmas. Isso porque não temos consciência moral, talvez porque as normas morais existentes foram impostas pelas elites dominantes. Nunca fomos convocados para decisões, sobretudo, a respeito da nossa conduta humana.

Segundo o filósofo e educador Olírio Plínio Colombo (1937-2010), a moral se refere as normas concretas. Ela diz diretamente o que é uma boa ou má conduta. A ética aborda mais os princípios gerais da conduta humana. A norma moral diz não mate, enquanto a ética fala do respeito ao nosso semelhante. Os dez mandamentos são regras que orientam a nossa moral. Por outro lado, as bem-aventuranças, são exemplos de ética. A nossa moral é feita de normas. Penso que poderia ser feita através de princípios e valores que herdamos ao longo da vida.

Portanto, a moral é uma auto-restrição, que tem como ponto de partida a felicidade humana. Moral imposta é uma impostura. É preciso dizer que a moral é comunitária, da qual a ética faz parte. Ambas se referem a convivência humana e devem ser feitas em favor de uma vivência dos valores fraternos e da harmonia. A grande finalidade da ética e da moral é a busca da harmonia, da felicidade e da união cósmica com o universo.

28 de setembro de 2013

COM A EDUCAÇÃO NASCE A ESPERANÇA

Em nosso país ninguém duvida da necessidade e da urgência de rever a nossa educação, enquanto instrumento de transformação de um povo. Dentre as muitas carências existentes no contexto nacional, a educação está entre as primeiras necessidades sociais. São milhões de brasileiros que sobrevivem abaixo da linha de pobreza. Um país economicamente rico, com um povo pobre e basicamente analfabeto. Nesta circunstância triste e cruel, será preciso pensar num projeto educacional sério, efetivo que demonstre resultados. Todavia, não basta dar escola para todos, será preciso, isto sim, pensar em desenvolver no interior das escolas publicas um ensino de qualidade que vá eliminando, gradativamente, a velha dualidade da educação publica e privada. Precisa-se de uma escola que possa ser frequentada por todos. Pobres e ricos sem qualquer distinção de raça, cor, religião ou sexo, como estabelece a Constituição Federativa Brasileira.

Em que consiste a educação hoje? Que modalidade ou aspecto dela é mais interessante? Quem realiza a educação como um processo? Quais são as metas ou fins a que se propõe a educação? A educação não é algo que se possa fazer de fora para dentro da pessoa, como uma imposição. Não é um construir sistemático e científico a priori de um grupo de políticos, ou seja, politiqueiros metidos a entender do assunto educação, que propõe algo como roupa feita, sem provar antes, pronta para ser usada. A educação é uma realidade vital e condicionada por circunstâncias concretas e chamada a superá-la a partir da própria situação em que se encontra o sujeito da educação. No caso aqui exposto, o sujeito é o aluno. A pergunta correta a se fazer é a seguinte: “A escola da resposta as necessidades presentes?” “Nosso sistema educativo continua sendo para o aluno um sistema educativo que o atrai?”

A educação é normalmente considerada nos diferentes países, como uma das prioridades a ser atendida nos planos dos governantes como principal necessidade social. Mas, esse mesmo pressuposto assinalado acima não demonstra nem de longe a importância de rever e melhorar o modelo educacional que ai está. Principalmente no estado mais rico da Federação, que é o estado de São Paulo. Por conseguinte, essa desatenção que se presta a maioria das Secretarias de Educação do país, subsidiadas pelo Ministério da Educação, chega ser gritante. Contudo, deixa tranquila algumas consciências e muito intranquila outras, como dos profissionais da educação. Que estão completamente perdidos e abandonados. Só o governo não sabe que a educação é um tema atual, mas, ainda não civilizado e muito menos assimilado por ele. Um dizer de todos, mas um fazer de poucos. Uma preocupação da maioria que estão no poder, e um grande desafio que é enfrentado primordialmente, por um grupo de educadores sérios e comprometidos com o sistema de ensino, lutando para que um pequeno grupo de alunos que realmente estão interessados no processo de aprendizagem. Tarefa nem um pouco fácil para esse grupo de seres humanos, que dão suas vidas para que a educação permaneça viva no seu leito quase terminal.

Entretanto, por conta desse acontecimento, que parece definitivo, a tal globalização econômica. Infelizmente, a sociedade está mergulhada nessa ideologia e sendo arrastada por esse capitalismo autoritário que na verdade, é uma nova forma de totalitarismo. Somos levados a um pensamento único, o imperativo capitalista dita as regras do jogo, estamos reduzindo a espessura da nossa consciência, portanto, isso não é, e nunca foi democracia e sim ideologia.

Portanto, a educação deve ser pensada de dentro para fora e não ao contrario, como pensam os nossos governantes. Se queremos ter um ensino de qualidade e um povo civilizado, é preciso mudar essa política. Tendo em vista, que nenhum Ministério de Educação do mundo, existem crianças e jovens para dizer o que gostariam de aprender. Até porque ninguém e muito menos o governo, estão interessados em ouvir as crianças e jovens, o que de fato pensam e sentem, sobre a atual e famigerada educação. Está na hora de começarmos a nivelar por baixo se desejamos um dia ser de fato grandes em matéria de educação e conhecimento. Se quisermos ser civilizados, primeiro temos que ser educados.   

13 de setembro de 2013

EDUCAÇÃO REFÉM DA MEDIOCRIDADE

Certa vez lendo um texto do filósofo e educador Rubem Alves (1933), sobre educação, descobri que sou professor por vocação e não por profissão. Gosto de dar aula, primeiro porque gosto de gente e segundo, porque sou amante do conhecimento, do saber com provas, procuro sempre interagir com os fotos da natureza na sua totalidade. O conhecimento não tem fronteiras, cada descoberta é uma nova aventura. Digo sempre que: “quanto mais eu sei, mais eu sei que menos eu sei”. Ao adentrar a uma sala de aula é sempre instigante e desafiador, tanto para professor, como para os alunos, é um mundo novo e não sabemos onde isto vai nos levar. Sabemos que após frequentar uma sala de aula, nunca mais voltaremos a ser o mesmo. Inicia-se aqui uma nova etapa da vida, a da aprendizagem, a busca do conhecimento lógico e organizado. Afinal, nós educadores também aprendemos com os alunos. É na sala de aula que começamos aprender o que é de fato viver e conviver em comunidade.

Entretanto, a grande dificuldade é que na maioria dos casos, os professores são pessoas que, além de não gostar de alunos, tem uma inteligência mediana, porque são mais técnicos e pouco criativos. Segundo argumenta o filósofo e educador Luiz Felipe Pondé (1959), que a maioria dos professores quando jovens foram alunos medíocres  por isso que foram estudar ciências humanas porque sempre foi mais fácil entrar na faculdade nesses cursos, que na verdade, estão preocupados em formar tecnicistas e burocratas. As faculdades por sua vez, não estão preocupadas em formar pesquisadores, porque o foco é nos resultados e não na formação. Albert Einstein (1879-1955) disse: “o homem de ciência, descobre os fatos da natureza, mas o homem de consciência realiza valores dentro de si mesmo”.

Hoje o que encontramos na educação, com muita frequência é professor fracassado que ganha mal e odeia alunos. Sem falar de professores que normalmente não gostam de ler e muito menos de estudar, mas criticam os alunos por colar da internet o trabalho pronto, solicitado pelo mestre. Talvez pela própria incompetência do professor que não sabe despertar no aluno o gosto pelo estudo ou até mesmo, por falta de conteúdo do nosso divino mestre. Sem falar da falsa modéstia de alguns professores que fingi o tempo todo que acreditam na importância da educação e no seu papel impecável de educador, que o transformou em omisso e bem adaptado pelo sistema que o apresenta.

Se levarmos em conta a enorme insegurança à própria capacidade intelectual de cada professor, teremos o perfil do quanto vai mal a nossa famigerada educação. Tal insegurança associada principalmente a falta absoluta de originalidade desses profissionais, que normalmente vem junto a falta de conhecimento da maioria dos alunos. Isto implica em grande parte o quanto nossos alunos também são medíocres. Ainda existe aquele profissional da educação que persegue os colegas professores porque pensam diferente ou porque são melhores do que os demais.

Para o filósofo e educador Pondé, nada é mais temido por um covarde do que a liberdade de pensamento. Toda forma de totalitarismo só sobrevive graças às hordas de inseguros, medíocres e covardes que povoam a educação e o mundo da cultura, assim como também da arte. Porém, é comum nas escolas tanto nas estaduais, como municipais e privadas. Todo o começo de cada ano letivo (como final de ano, que todos vestem branco para a chegada do ano novo) aparece em horda a mediocridade também vestida de branco, trazendo bonitas e novas teorias pedagógicas que logo no primeiro semestre morre na praia, apresentando um rendimento insatisfatório na sala de aula. Normalmente com baixíssimo impacto e pouco ou quase nada a ver com o contexto educacional e com a realidade dos alunos.

Entretanto, basta analisarmos as estatísticas, pois as pesquisas estão ai para comprovar a cada ano a péssima qualidade do ensino no Brasil, através do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que mais de um milhão de jovens, com idade entre 12 e 17 anos, não sabem ler e nem escrever. São os chamados analfabetos funcionais, lê mais não entende o que leu. Consequentemente esse agravante tem como base às leis que asseguram, através da Constituição Federal, o direito a todos os cidadãos ao estudo, mas estas leis não são capazes de garantir uma política educacional eficiente com escola de qualidade para qual o jovem se sinta atraído.

Todavia, essas teorias sempre aparecem revestidas de burocracia da produtividade e do corporativismo. Contudo, a progressão continuada segue seu curso natural, fazendo de conta que ensina e formando medíocres para continuar a mesma politica educacional. E o estrago continua, fazendo vitimas e aumentando a miséria. A suspeita de que a mediocridade reina entre os funcionários da educação e do intelecto aparece, por exemplo, na obra de dois grandes intelectuais do século XX. Northrop Frye (1912-1991), que foi um critico literário canadense e Russell Kirk (1912-1994), filósofo político, critico social e literário, historiador influente do pensamento conservador americano.

Northrop Frye, na introdução do seu livro Código dos Códigos, um monumental tratado sobre a Bíblia, como grande matriz da literatura ocidental, argumenta que a universidade é tomada por pessoas de personalidades insegura e medíocre que se escondem atrás de teorias consagradas a fim de garantir seu espaço intelectual nas instituições do conhecimento. Não apenas as universidades, mas também a mídia é povoada por pessoas que afirmam o que a maioria quer ouvir, porque isso garante adesão e reduz riscos e confrontos. O chamado politicamente correto, segundo o filósofo e educador Pondé. 

Por outro lado, temos o filósofo e historiador Russell Kirk, que faz uma critica dura aos profissionais da educação. Argumenta ele que “um funcionário como esse teme antes de tudo a inteligência, por isso age de modo violento quando a percebe, muitas vezes em nome do coletivo e da burocracia”. “Desconfio de todo mundo que usa a palavra coletivo numa reunião de professores”, afirma Pondé.

Por conseguinte, juntando esses dois argumentos, chegamos à mediocridade coletiva que caracteriza a vida intelectual e acadêmica. Nada há de se esperar da educação, enquanto permear essa mentalidade tecnicista e impregnada do politicamente correto. O propósito primário de toda boa educação, é o cultivo do intelecto e o despertar da imaginação e a criatividade do próprio aluno, para seu bem estar e de toda comunidade. Não podemos virar as costas e nos deixar ser esquecidos, nesta era massificada em que o Estado aspira a ser tudo em tudo. É preciso que se faça eco, mostrando que a educação genuína e verdadeira é algo além de mero instrumento de plataforma política e cabide de emprego. Um povo educado é um povo civilizado.    

8 de setembro de 2013

ESTA VIDA DA GENTE

O que sonhei não foi o que encontrei pela vida afora. Apanhei da sorte e lutei contra a morte. Sai derrotado mas, com o coração renovado. Pois, em nenhum momento me senti um fracassado. Por acreditar no amor que hoje sofro com essa dor. Se um dia isso tudo passar, é porque de fato não era amor. O poeta e jornalista Guilherme de Almeida (1890-1969), escreveu um texto maravilhoso falando sobre a vida, do ponto de vista poético. Não tenho esse texto mais vou puxar pela memória e tentar adaptar suas ideias.  

Um sábio me disse: “Esta nossa existência não vale a angustia de viver. Se fossemos eternos, a ciência, num transporte de desespero, inventaria a morte. Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo e vibra, cresce e se desdobra e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo”! Falou-me assim o sábio e eu comecei a ver, dentro da própria morte o encanto de morrer.

Um monge me disse: “Ó mocidade, és relâmpago, ao pé da eternidade! Pensa, o tempo anda sempre, o rio anda e não repousa. Esta vida da gente não vale grande coisa. Uma mulher que chora, o homem que implora o seu amor. Momento em que ambos sofrem da mesma dor. O riso às vezes, quase sempre o pranto. Depois, o mundo, a luta que intimida, quatro círios acesos, irmão eis a vida”! Isto me disse o monge e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um mendigo me disse: “Para o mendigo, a vida é o pão e o andrajo é a proteção que o cobre nas noites mal dormidas. Não creio muito nessa fantasia de que somos imagem e semelhança Deus. Até porque, Deus me da fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão e nem me deu água. Nunca! Deu-me a vergonha, o medo, a mágoa de andar, de porta em porta, todo esfarrapado. Deu-me esta vida, somente a calçada para descansar e um pão seco para matar a minha fome”! Foi o que me disse o mendigo e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto do morrer.

Uma mulher me disse: “Vem comigo! Fecha teus olhos e sonha, pois, será o meu único e grande amor. Sonha com um lar, uma doce companheira, que a queira muito e que ela também te queira. Um telhado, um penacho de fumaça e uma rede para juntos balançar. Uma cortina na janela e passarinhos cantando em volta da casa. Que maravilha viver e com você aprender. Pois, dentro da nossa casinha a vida acontece de verdade, como ela é de fato”!

Portanto, pela primeira vez eu comecei a ver dentro da própria vida, o encanto de viver. Contudo, viver significa aprender com os erros, nascer todos os dias, para dar um sentido novo a vida. 

A RELAÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E SOCIABILIDADE

Em um trecho da palestra para a TV Feira do Livro, Leandro Karnal fala sobre a relação entre inteligência e sociabilidade, em sua fala ele m...