17 de agosto de 2025

SE UM DIA A LEMBRANÇA ME ABANDONAR

Talvez um dia eu me esqueça, dos nomes, dos lugares, dos porquês. Talvez minhas mãos não saibam mais onde pousar. E meus olhos vagueiem por rostos familiares sem encontrar abrigo no reconhecimento. Talvez eu não saiba mais quem eu sou.

Mas ainda assim, terá valido a pena ser. Porque a história que vivemos não depende só da memória. Ela mora em outros. Mora em quem ouviu meu riso e se sentiu mais leve. Em quem chorou comigo e se sentiu menos só. Em quem eu toquei com presença, com cuidado, com verdade.

Se um dia a lembrança me abandonar, espero que o amor que dei ainda permaneça. Porque o amor não se apaga. E quando já não puder contar a minha própria história, que ela continue sendo contada por quem fui abrigo. Por quem fui passagem, nesse trem da vida. Por quem me amou, mesmo quando eu já não sabia mais o que era amor.

É por isso que vale a pena viver com inteireza. Porque mesmo quando tudo se desfaz, a parte de nós que se fez amor permanece. E essa parte! Bem, essa parte ninguém esquece. Dai contarei sobre o que de mais belo já vivi, o amor. E todas as minhas histórias se tornarão apenas mais uma.

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