18 de agosto de 2013

OLHAR COM AMOR É ANTES DE TUDO SER AMIGO

Olhar com amor o meu semelhante é antes de tudo um convite a sua amizade, porque o verdadeiro amor nasce a partir dessa amizade constituida. Primeiro tenho o amigo e em seguida a possibilidade de amá-lo com toda a força do meu ser. Aprendi com a experiência, que a única maneira de se ter um amigo é ser um deles. Aprender em primeiro lugar a nos conhecer como pessoas que vive dentro de uma civilização e a partir daí, compreender o outro na sua totalidade. Estabelecer relações de empatia e compaixão é criar vínculos afetivos. Não há quem nunca vai precisar de um amigo. Somos felizes só de saber que é possível se ter amigo pautado na confiança e no respeito. Tudo depende de como conduzimos essa amizade. Consolidar com a nossa essência e ao mesmo tempo justificar o porque somos chamados de seres humanos.
Para fundamentar o que aqui vou dizer, pretendo construir essa reflexão baseada no conhecimento empirico. Todos nós sabemos que em algum momento de nossas vidas conhecemos ou iremos conhecer pessoas maravilhosas e iluminadas, que certamente vai mudar a nossa vida e nos ascender com seu brilho. Existem pessoas que nos deixam muito felizes pelo simples fato de um dia terem cruzados o nosso caminho. Sem falar daquela pessoa que chamamos de amigo e que hoje percorre ao nosso lado, vendo muitas noites de luas cheias passarem, sem ter virado lobisomem, mas que transformaram nossas vidas num paraiso de ternura e alegria. Enquanto outras pessoas apenas vemos entre um passo e outro.
Temos o hábito de considerar e chamar todas as pessoas de amigos. No entanto, há varios tipos de amigos. Para ilustrar cada um deles vou usar o exemplo das folhas de uma robusta árvore. Tendo em vista o emprego que fazemos para fundamentar as heranças genéticas e hereditária de uma família ao denominá-la de árvore genealógica.
O primeiro que nasce do broto dessa árvore é o amigo pai e a amiga mãe. O papel deles é nos mostrar o que é a vida, o que é viver. Em seguida vem o amigo irmão com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos todo o bem do mundo. Mas com o andar da carroagem o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iriam cruzar o nosso caminho. Se apresentaram como pessoas sinceras, verdadeiras, que na caminhada nos conquistaram. Eles sabem quando não estamos bem, sabem o que e como nos fazer feliz.
Seguramente pode acontecer que um desses amigos do genero masculino ou feminino, provoca um clique em nosso coração e ai passamos a chamá-lo de amigo intimo ou de meu amor. Não sabemos ao certo quando isso acontece e nem porque acontece. Simplesmente nos pegamos pessando e desejando essa tal pessoa. O que sabemos é que esse encontro muda nossa vida, da brilho ao nossos olhos, traz melodias ao nossos ouvidos, principalmente, quando te chama de meu bem. Nossas pernas fica tremula a cada encontro, palpitações em nosso coração. Ficamos a beira de sofrer um ataque cardiáco de tanta emoção.
Por outro lado, há amigos por um tempo, talvez um período de férias, por um dia ou quem sabe por uma noite de amor. Esses costumam colocar muito sorrisos em nossa face, durante o tempo que estamos por perto. Por falar em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes, que estão ausentes. Aqueles que ficam na ponta dos galhos, mas quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra. O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. Algumas nascem no outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que as que cairam continuam por perto, continuam alimentanto nossa raiz com alegria e ternura. São lembranças vivas de momentos maravilhosos enquanto cruzaram pelo nosso caminho. Não há como esquecê-las.
Portanto, desejo a todas as folhas vivas dessa árvore, muita paz, saúde, sabedoria, serenidade e amor. Hoje e sempre, simplesmente porque cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida. É a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso. Contudo, aprendemos que só vamos ter amigos de fato se agirmos como um amigo de verdade. 

11 de agosto de 2013

A BIOQUÍMICA DO AMOR

Os estudos sobre a bioquímica do corpo comprovam que quando duas substâncias químicas ativas são submetidas à influência de determinado elemento, seja o calor, seja a água ou a eletricidade, ocorre uma reação química, isto é, todo processo depende do intercâmbio entre formas de energias. O mesmo acontece quando duas pessoas se encontram por acaso, podem sentir-se atraídas instantaneamente ou somente tempos depois. Há algo em nosso corpo que estimula e desperta sensações mobilizadoras. Através desta linguagem corporal, os dois envolvidos se desejam e se excitam cada vez mais e procuram estar juntos por mais tempo e se possível para sempre.

Alguns estudiosos do comportamento humano afirmam que existe uma química sexual que promove esses encontros. Todavia, entre os pares românticos, parece dominar uma energia muito forte e envolvente, projetando qualidades mais excitantes, que são percebidos no momento em que estão ocorrendo trocas calorosas e prazenteiras. Olhares que se cruzam, o coração que passa a bater mais forte, nosso comportamento muda diante da pessoa pela qual nos sentimos atraídos. Os estudos comprovam que o fenômeno da atração sexual é uma forma de metacomunicação que pode facilmente ser identificado. Descobriu-se que as fêmeas dos macacos, produzem nos seus órgãos genitais uma substância química chamada copulina, que aparece quando a fêmea está no cio, indicando o seu estado de prontidão sexual, substância esta, que tem a propriedade de atrair o macho.

Com os seres humanos não é muito diferente. Existe um aroma corporal, um cheiro especial que atrai a companhia certa, assim como também pode repelir a pessoa indesejável. Segundo George Dodd, do Instituto de Pesquisas Olfativas da Universidade de Warwick, lançou um extrato de feromônio, trata-se de uma sustância sintética, muito próximo do feromônio individual de cada pessoa que ajuda a reforçar a tese de que esse cheiro desperta a libido em ambos. Para o pesquisador, esses feromônios são uma linguagem inconsciente poderosíssima, pois são portadores de mensagem que estimulam o desejo sexual atuando na psique humana. Descobriu-se que certos perfumes misturados com feromônios naturais dos animais, tais como o almíscar e o castóreo, retirado do cervo-almiscarado, uma substância de forte odor, secretada por uma glândula dos animais e de algumas plantas de odor similar, assim como também do castor. Esses odores exercem forte atração sexual para os humanos e, por isso as indústrias de perfumes passaram a ter grande interesse nas pesquisas sobre feromônios, também chamados cheiros de amor.

Entretanto, a descoberta dos feromônios humanos corrobora com essa atração energética, já bem conhecida, que demonstra existir uma relação entre hormônios e as energias emitidas pelas pessoas. Alguns estudos feitos vêm demonstrando que o sistema energético está diretamente relacionado com o sistema glandular. Desse modo, as moléculas odoríferas carregam cargas energéticas peculiares a cada ser humano. Porém, a nossa pele não emana somente cheiros, mas também energias específicas identificadoras da personalidade integral de cada pessoa. Todavia, o relacionamento afetivo sexual não é tão somente corporal. Existem outros fatores que interagem e determina o processo de atração, isto implica que o ser humano não é apenas o seu corpo. Algo nele o transcende.

Por conseguinte, os psicoterapeutas de orientação reichiana sabem pela experiência clínica que sem a eliminação de bloqueios inibidores é impossível à viabilidade do relaxamento orgástico total. Aprendemos desde muito cedo com a nossa educação repressora, a sermos enrijecidos, duros, calculistas, severamente reprimidos e controladores demais para poder ter flexibilidade necessária a interações tão profundas e gratificantes. Os bloqueios emocionais erguem-se como uma blindagem. Contudo, preferimos viver com medo da entrega prazenteira e orgástica e, agimos contra a nossa própria natureza. Deixamos de sentir o prazer que nosso corpo nos da, que é verdadeira benção da natureza aos seres que se reproduzem por meio de copulação. Cada pessoa traz uma carga genética hereditária, portanto, toda sua estrutura é psicossomática. Diz a física moderna: “a energia existe em todo o universo e é indestrutível, isto é, qualquer manifestação na terra é de natureza energética”.

Segundo o psiquiatra, psicoterapeuta e estudioso da bioenergética, John Pierrakos (1921-2001), que foi discípulo e colaborador de Wilhelm Reich (1897-1957), propôs o principio da reciprocidade onde pressupõe a existência de uma força vital idêntica. Todas as formas energéticas existentes interatuam trocando ou retendo substâncias necessárias a sua manifestação de vida, em geral são atividades denominadas elétricas ou eletromagnéticas. Contudo, somos atraídos pelo outro por essa energia magnética que nos leva ao equilíbrio para que assim, a nossa sexualidade se manifeste livre. Tendo em vista que somos um corpo informado de uma espiritualidade energética. Porém, num dado momento esse corpo sofrerá a morte real, mas, a sua energia continuará viva na memória de alguém, que um dia foi por esse corpo atraído.

Portanto, para os orientais o sexo é transcendência, para os ocidentais, de modo geral, ainda é bicho temido e fator de controle. Basta observar como muita gente ainda hoje, toma conta da vida sexual dos outros. Fala-se muito do amor, mas é proibido realizar o amor como ele de fato se apresenta na natureza. Pois hoje sabemos que muitas das doenças propagam-se devido à impossibilidade de realização amorosa. Nossa civilização precisa aprender os caminhos do amor. Quem aprende a amar o semelhante, seja mulher ou homem, torna-se capaz de entender o amor na sua totalidade, torna-se capaz de distribuir cuidado e atenção a um número cada vez maior de pessoas. Contudo, na cadeia evolutiva o sentimento transforma-se em cuidado com todos os membros da família humana, independente de raça, cor, origem, partido político, religião, bem como a todos os seres vivos, animais e plantas. A história nos tem mostrado grandes exemplos de fraternidade, de pessoas como Galileu Galilei, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Louis Pasteur, Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, e tantos outros que seguem na opção do anonimato. Agem por altruísmo, movem-se como cidadãos do Universo. Enfim, para quem descobriu as práticas assistenciais do amor universal não existe solidão, pois alcançou a auto-cura através de estados expandidos da consciência cósmica. A bioquímica representa o olho sobre a terra que percebe e interpreta a realidade do amor máximo, fundindo, conectando, vibrando energia e consciência cósmica a cada ser humano.

31 de julho de 2013

LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

"A liberdade é para o homem o que o céu é para o condor", como diria o poeta brasileiro Castro Alves (1847-1871). A vida é liberdade e, acima de tudo responsabilidade. A minha liberdade tem limites, ela termina onde começa a liberdade do outro. Respeitar o outro na sua individualidade é consolidar o amor que sinto pelo meu próximo. Todo mundo quer ser livre. Por causa da liberdade, quantas discussões nas famílias, nas relações amorosas e na sociedade. O analfabetismo, o desemprego, a fome, as doenças, proveniente do descaso pela educação e justiça. Impedem que a liberdade brilhe no horizonte, como diz o Hino da Independência. Entre nós a liberdade ainda é uma aspiração, uma esperança, que já custou à cabeça de Zumbi (1655-1695) chefe dos Palmares, de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792) o Tiradentes e de tantos outros que morreram lutando contra os grilhões da escravidão. Somos cerceados por pessoas do mal que querem destruir o pouco de liberdade que temos. Querem tirar até o nosso direito a dignidade. Afinal, o que é liberdade?

Entretanto, liberdade é, essencialmente, a capacidade de escolha. Onde não existe escolha, não se pode dizer que existe liberdade. Nossa vida é feita de escolhas. Mas as escolhas nem sempre são fáceis e simples. A escolha supõe duas ou mais alternativas. Com uma só opção, não existe escolha nem liberdade. Escolher é optar por uma alternativa e renunciar a outra. Como acontece com o amor, embora não escolhemos a quem amamos. Somos surpreendidos por esse sentimento que brota do nosso inconsciente. Ele não avisa e nem pede licença para tomar conta do meu "ser". É inato aos seres humanos, está no inconsciente coletivo. Por isso somos impulsionados por esse sentimento em função de um terceiro. Que pode ser um filho ou um projeto de vida a dois, com a pessoa que amamos. Afinal, não escolhemos a quem amar. Somos escolhidos por impulsos naturais. São esses impulsos instintivos os responsáveis pela nossa união amorosa e afetiva. A lógica do amor está na afinidade que temos um pelo outro.
      
Segundo o filósofo e epistemólogo francês Georges Gusdorf (1912-2000), nossa liberdade é condicionada, uma liberdade em condição humana, nossa vida se desenvolve entre limites inacessíveis de uma liberdade zero e de uma liberdade infinita. Por mais escravizada que se ache uma pessoa, sempre lhe sobra algum poder de escolha. É evidente que ninguém pode escolher entre nascer e não nascer, nem escolher sua família e muito menos o país em que nasceu. Somos determinados por uma série de fatores que não dependeram e nem dependem de nossa vontade. Por outro lado, abdicar da liberdade é destruir a própria natureza humana, como afirmou o filósofo iluminista e escritor suíço Jean Jacques Rousseau (1712-1778). É a própria liberdade que nos oferece a possibilidade de corrigir o mau uso que se faz dela.

Segundo o Papa Francisco que esteve no Brasil em julho de 2013, para a Jornada Mundial da Juventude nos deixou a seguinte mensagem: “o futuro do mundo está em nossas mãos”. E disse mais: “Esse mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro, e as pontas da sociedade, os extremos, são mal atendidos, não são cuidados e são descartados. Vimos muito claramente como se descartam os idosos. Não servem, não produzem. Os jovens também não produzem muito. É uma ponta em vias de ser descarta. O alto percentual de desemprego entre os jovens na Europa é alarmante. Para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos: os que são promessa para o futuro e os idosos, que precisam transferir sabedoria para os jovens. Descartando os dois, o mundo desaba”. Isto é, seguindo essa linha de raciocínio descrito pelo Papa Francisco, no meio está a "globalização da Indiferença", ficando na ponta "o jovem" que ainda não ingressou no mercado de trabalho, portanto, não é produtivo. E na outra ponta "o idoso", que já produziu e muito, que ainda pode contribuir com a sua experiência, mas, infelizmente, é jogado e descartado como alguém que não tem cérebro e nem sentimento. É assim que o idoso é tratado em nosso país. Sem falar das crianças e jovens abandonados, mesmo dentro de sua própria casa. Muitas vezes tratados com indiferença pelos familiares.

Por outro lado, é verdade que o nosso corpo também reage de acordo com leis rígidas de causa e efeitos, segundo a nossa natureza. Mas o ser humano é mais que seu corpo. A complexidade humana ultrapassa os determinismos naturais. Nem sempre respondemos da mesma forma aos mesmos estímulos. Disse o escritor russo Dostoievski (1821-1881): “o homem é essa realidade em que dois e dois não são quatro”. Às vezes cometemos deliberadamente o mal para satisfazer um prazer passageiro ou para conseguir algo que não obteríamos por meios lícitos. Nem sempre a razão comanda nossas ações. Agimos também conduzidos por paixão, por impulsos inconscientes, isto é, pela emoção. Erramos mais que acertamos, mas fazemos coisas extraordinárias por amor. Como diz na Bíblia em Colossenses, capítulo três e versículo quatorze: “Que acima de tudo que fazemos, esteja o amor, que é o vinculo da perfeição”. Ora, se tudo que fizermos for com amor, a começar pelos estudos, passando pelo trabalho, até ao lazer, estamos no caminho da perfeição.

Portanto, encerro esta reflexão sobre a liberdade e responsabilidade de maneira inusitada, falando do que penso e sinto sobre a lógica do amor. Tendo em vista, que a perfeição faz do amor a sua moradia. Entretanto, se o amor que sinto é por necessidade eterno, tem que ser contínuo. E se por necessidade esse amor é eterno e contínuo, ele tem que ser singular. E se por necessidade ele é eterno, contínuo e singular, esse amor só pode ser um movimento causado por algo eterno que transcende ao nosso pensamento. Logo, conclui-se que esse amor vem de uma fonte "infinita e perfeita", que não se explica. É verdade, que não escolhemos a quem amamos, mas somos livres para amar a quem de fato amamos.

29 de junho de 2013

APRENDEMOS COM OS NOSSOS INSTINTOS

Os seres humanos caracterizam-se por hábitos gregários, geneticamente estamos programados para viver em grupos, por uma necessidade existencial para fins evolutivos. Para muitos, ter uma vida participativa em cooperação é um estágio a ser alcançado. A grande maioria das pessoas ainda apresentam enormes dificuldades de conviver com seu semelhante de forma pacifica. No entanto, a natureza nos da uma série de exemplos de vida em sociedade organizada e harmônica no seio de animais como as baleias, golfinhos, cupins, formigas e abelhas.

Entretanto, aliado a essa harmonia natural está os impulsos instintivos sexuais, responsáveis pelas escolhas amorosas, porém, é o impulso mais vigoroso da natureza humana. Através desse impulso instintivo é que nasce o amor, no mais profundo recôndito do nosso inconsciente onde a razão e a reflexão não têm absolutamente nenhum acesso. Existe uma relação de magnetismo entre as pessoas, uma atração instintiva e pontual, pela qual somos tomados por um desejo enorme de prazer em estar com o outro. Se a família, os filhos e a sociedade em geral negar essa vontade de vida e de viver, no amor instintivo essa vontade é afirmada perante o casal. Porém, o amor é a manifestação viva dessa vontade de viver. Todos concordam e ninguém duvida.   

Todavia, tratamos muito mal as nossas emoções. Damos pouca importância aos sentimentos nobres como o amor. Desde pequeno somos bem adestrados a não sentir emoções e negar os desejos instintivos. Essa é a educação que recebemos, principalmente em nosso ambiente familiar. Quantos problemas de relacionamento poderiam ser evitados se soubéssemos lidar com as emoções? Principalmente quando damos importância às fofocas e conversas externas. Não prestamos atenção aos nossos instintos e emoções, não nos preocupamos com os nossos sentimentos. Estamos preocupados com o que os nossos algozes estão falando ou pensando a nosso respeito. A vida é muito curta para vivermos o que os outros pensam ou falam de nós. E ainda tem gente que perde um tempo enorme em ouvi-los. Deixando de sentir o seu coração e os seus instintos.    

Na verdade, as pessoas estão acordando para o fato de que a inteligência vai muito mais além do que só o racional. E que essas emoções representam um aspecto importantíssimo do potencial humano. Penso que esse assunto deveria estar na pauta das disciplinas denominadas ciências humanas. Nossas emoções sempre foram vistas como algo perigoso, que precisa ser reprimido para não atrapalhar a forma lógica de pensar. A emoção sempre foi considerada o primo pobre da nossa personalidade. O ideal desejado pela sociedade contraria totalmente as leis naturais da natureza física, criando pessoas frias como máquinas e absolutamente racionais. Quando na verdade somos um ser de emoção, de intuição. O filósofo grego Sócrates (469-399), nos deixou uma frase lapidar: “Conheça-te a ti mesmo”, que mostra a importância de nos conhecermos realmente como somos. O conhecimento é tudo na vida.

O conhecimento, a criatividade, a empatia, a sensibilidade, a plenitude de viver estão associados à recuperação da capacidade de sentir e expressar as emoções mais primitivas. É nesta habilidade social que se exige um aprendizado. Aprender em primeiro lugar a nos conhecer e a partir daí, compreender o outro na sua dimensão física e espiritual. Estabelecer com o seu próximo, uma relação de empatia e compaixão.

Aprendemos a ler e a escrever, mas não aprendemos no que diz respeito as nossas emoções. Vivemos entre discussões inúteis entre pais e filhos, falta de comunicação ou má comunicação no ambiente escolar, no trabalho, relacionamentos insatisfatórios, recheados de intrigas e guerrinhas particulares intermináveis. Ainda há quem acredita que isso é amor. No entanto, sabemos que muitas doenças psicossomáticas, são consequências de nossa ignorância emocional, ou seja, do fato de desprezarmos nossos sentimentos ou de não sabermos expressá-los. Estudos confirmam que 80% das pessoas que procuram médicos, sofrem de doenças emocionais e 37%, sofrem de doenças meramente imaginárias, ou seja, acham que realmente estão doentes. Os chamados hipocondríacos. Esta é só uma pequena amostra do quanto tratamos mal nossas emoções instintivas.
   
Portanto, num envolvimento amoroso, o mais importante é assumir o relacionamento como uma oportunidade de construção da felicidade, entre duas pessoas que realmente estão tomadas por esse sentimento. Contudo, é um momento para ser vivido com pujança e discernimento. Quanto mais receptiva estiver a pessoa para sua realidade, mais valor dará a esse impulso amoroso. A maneira mais eficaz de garantir um futuro promissor e a manutenção desse amor é enfrentar com garra, sem prestar atenção às conversas alheias, que só desgasta e contamina o amor. Cabeça cheia, coração vazio e vida sem graça, marcada pela angústia. Triste fim, para quem ama. A boa emoção é aquela que traz o substantivo masculino amor. Enquanto que a má, traz o substantivo feminino a dor. Ou aprendemos com o amor ou vamos aprender com a dor.  

16 de junho de 2013

O ESCRITOR E SUAS CRÔNICAS


O que torna um simples escritor em alguém reconhecido pelos seus escritos? O que faz o leitor ficar admirado com as palavras escritas em uma crônica, um conto ou um livro? Todavia, essas questões parecem fáceis de responder, mas aquele que se dedica constantemente a arte da escrita sabe que não é tão simples assim. Quando entramos no mundo da literatura, um pouco mais subjetiva, como é o caso da escrita, surge uma grande armadilha. Nem sempre os bons escritores que produzem textos de qualidades, serão reconhecidos. Em tempos onde a internet domina as fontes de conteúdos, torna-se cada vez mais raro encontrar conteúdos de qualidade, mas eles existem. Foi assim que compreendi que o escritor é todo aquele que se dedica parte do seu tempo às letras, seja como profissional ou por lazer. Descobri que escrever é uma liberação da mente, pois, escrevendo, damos asas a imaginação e a criatividade, é onde não existem limites, rompemos com as barreiras do tempo e do espaço. Quando escrevemos, nossa imaginação nos leva ao mundo da fantasia e dos sonhos, onde podemos ser o que quisermos.

Entretanto, um escritor não precisa ter a missão de salvar o mundo, mas deve carregar a responsabilidade de ser honesto consigo mesmo e com os seus leitores, pois um dia seus escritos podem ser lidos por pessoas que gostem de suas ideias. Que através do que o escritor escreve, possa promover mudanças em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. Todavia, o escritor pode nos fazer chorar, rir, sentir medo. Pode nos fazer repensar e até mudar de ideia. A grande virtude do escritor se encontra na sua capacidade de nos levar a viver ou partilhar emoções e experiências, conhecendo lugares e costumes, sem que precisemos sair de casa ou do conforto da cabeceira da cama. Contudo, um bom escritor nos deixa profundamente triste quando a história termina. Principalmente quando deparamos com escritores do arcabouço de um: Luis Fernando Veríssimo, Lya Luft, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Ariano Suassuna, Inácio de Loyola Brandão, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Rubem Braga, Lygia Fagundes Telles e tantos outros romancistas, cronistas, poetas, historiadores, entre anônimos e conhecidos. Todos eles afinados na inspiração e tomados de muita sensibilidade, com palavras fáceis na hora de descrevê-las.

Escrever, embora seja uma experiência solitária, é também viajar no tempo através do pensamento. No entanto, o escritor é um criador de imagens, personagens, fantasias, que nos leva a navegar pelas histórias de vidas reais ou inventadas, solvendo em palavras. É escrever como que dialogando com o leitor. Levá-lo a imaginar e pensar em uma prosa gostosa em algum lugar pitoresco e cercado de belezas naturais, que pode ser um parque ecológico, a beira de um lago, rodeado de montanhas e florestas nativas. Ou quem sabe, numa sala aconchegante sentado em uma poltrona de balanço confortavelmente relaxado. Afinal, ler um livro é o mesmo que estar conversando com o escritor, ambos estão em sintonia. No livro “O Mundo de Sofia”, também acontece uma prosa em forma de bilhetes e cartões postais, que foram mandados do Líbano por um major desconhecido, para a estudante Sofia. O mistério que envolve os bilhetes e os postais é o ponto de partida deste fascinante romance sobre a história da filosofia.

Com o surgimento da internet, isto é, com o advento desse espaço virtual, jovens e crianças tem perdido o contato com os livros, passando grande parte do tempo na frente do computador. Com isso, o acesso ao mundo letrado tem diminuído consideravelmente, e com ele as vendas dos artigos literários. Ler é importante para o desenvolvimento do raciocínio, para desenvolver o aspecto critico do leitor, criando novas opiniões e estimulando sua criatividade. Quando lemos, nos reportamos para outros lugares, como se estivéssemos viajando no tempo e no espaço. As riquezas literárias são muitas, podendo estar divididas em textos científicos, que comprovam as teorias, e textos literários do tipo romance, crônicas, comédias, poemas, poesias, biografias, novelas, filmes, obras de artes, literatura de cordel, histórias infantis, histórias em quadrinhos, dentre vários outros.

As características necessárias para ser um escritor, o individuo precisa gostar de leitura, de pesquisar e de escrever. É fundamental o raciocínio abstrato, o espírito investigativo, ter capacidade de análise e de interpretação. Se alguém desejar seguir a carreira de escritor, precisa ler bastante, conhecer as correntes literárias e o seu contexto. Não ter preguiça de mexer no texto até que ele fique de acordo com a mensagem proposta e chegue com clareza ao leitor. Por conseguinte, ao comunicar-se com alguém por escrito, o autor poderá ter diferentes intenções. Se o escritor pretender formar na mente do seu leitor a imagem de um objeto, de um lugar ou mesmo de uma pessoa, com suas características de formas, cores, luzes, sons e imagens, ele estará levando o leitor a uma viagem imaginária através da descrição. Um estilo literário muito usado nos romances. Por outro lado, se o escritor só tiver a intenção de contar um ou mais acontecimentos, pode ser reais ou imaginários, envolvendo pessoas, fatos, lugares, ele estará escrevendo um texto narrativo, ou seja, uma crônica. O habito de narrar histórias é tão antiga quanto à humanidade, um fato inseparável da nossa vida diária. Sempre temos alguma coisa para contar ou escrever sobre nossa história particular.

Para sermos capazes de ler e interpretar sentimentos humanos descritos em linguagem humana precisamos ler como seres humanos plenamente compenetrado na história. O hábito da leitura se justifica por uma razão muito simples. Na vida real, não temos condições de conhecer tantas pessoas, com tanta intimidade; porque precisamos nos conhecer melhor; porque necessitamos de conhecimento, não apenas de pessoas ou de nós mesmos, mas das coisas da vida. Contudo, o escritor é como uma vela acesa pelo afeto e pelo gosto de toda a humanidade. O povo que é, e não as universidades, o lar do escritor. Como disse o escritor, poeta e filósofo americano, Ralph Waldo Emerson (1803-1882): “os melhores livros levam-nos à convicção de que a natureza que escreveu é a mesma que lê”.

Somos mais do que uma ideologia, sejam quais forem as nossas convicções, ela representa o nosso ideal de vida. Quando a gente chega aos sessenta anos, não se deseja ler mal, assim como não se deseja viver mal, pois o tempo é implacável. Entretanto, o poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), considerado o maior escritor do idioma inglês, nos lê mais plenamente do que nós o lemos. Autor algum exerceu controle da narrativa como ele o fez, o que desafia qualquer contextualização imposta às suas peças. Ao ler a sua obra é que percebemos os atributos desse grande poeta e dramaturgo. Podemos dizer que Shakespeare, escrevia sobre os conflitos de gerações com autoridade e conhecimento, muito mais de que qualquer outro escritor de sua época. Falava das diferenças entre homens e mulheres, de conflitos que abalavam as famílias tradicionais. Entre suas obras mais conhecida estão a história de amor de Romeu e Julieta, filhos de famílias diferentes que se odiavam. A ironia desse escritor é a mais abrangente e dialética de toda literatura ocidental. No entanto, essa ironia nem sempre nos promove a meditação das paixões dos personagens, de tão vasta e intensa que é a gama de emoções demonstradas nos seus textos.

Portanto, o escritor é aquele personagem que escreve com o intuito de se dirigir à liberdade dos leitores, e a solicita para fazer existir a sua obra. Mas não se limita a isso e exige também que eles retribuam essa confiança neles depositada, que reconheçam a liberdade criadora do escritor. Porém, existe por trás dos diversos desígnios dos escritores, uma escolha mais profunda e mais imediata, que é comum a todos. Cada uma de suas percepções é acompanhada da consciência de que a realidade humana é desvendável. Sobretudo, ao encontrar com uma paisagem e descrevê-la, em forma de crônica ou conto, o escritor sabe perfeitamente que não é ele que está criando. Mas, também sabe que sem a presença dele, as relações que se estabelecem diante dos seus olhos entre as árvores, os pássaros, os rios, as montanhas, ou mesmo nos grandes centros urbanos, observando pessoas em ritmo alucinante e automatizado. Em absoluto essas coisas não existiriam para nós, sem o olhar atento do escritor. Contudo, o prazer de ler um texto é tentar entender como o autor construiu aquela narrativa que nos fez emocionar. É fascinante a figura do escritor por ser esse sujeito que fica observando as coisas, um pouco fora dos acontecimentos, com uma capacidade de refletir sobre elas e transformá-las em suas crônicas.

1 de junho de 2013

AS DIFERENÇAS SEMÂNTICAS DO AMOR

Começo essa reflexão citando o escritor, semiólogo, crítico literário e filósofo francês, Roland Barthes (1915-1980): “Apesar de que todo amor é vivido como único e que o sujeito rejeite a ideia de repeti-lo mais tarde em outro lugar, às vezes ele surpreende em si mesmo uma espécie de difusão do desejo amoroso, ele compreende então que está condenado a errar até a morte, de amor em amor”. Quero dizer que foi intencional usar o vocábulo semântico por mais paradoxal que seja a palavra paixão e amor, necessita de uma compreensão a luz da linguística e da fisiologia. Tendo em vista, que a semântica é o estudo do significado das palavras individualmente aplicadas a um contexto e com influência de outras palavras. No caso aqui tratado, referimos à paixão e amor. Conhecer o significado das palavras é importante, pois só assim o falante ou escritor será capaz de selecionar a palavra certa para construir a sua mensagem. Vamos entender o que significa um e outro.

Segundo o biólogo, fisiologista e educador Miguel Arcanjo Áreas, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp: A paixão é uma questão sensorial, por isso ela explode e acaba rapidamente. De forma lúdica argumenta Áreas sobre as substâncias mobilizadas no corpo humano, quando as pessoas se apaixonam, amam e se relacionam sexualmente. Está comprovado que a gente se apaixona por uma imagem que formamos ao longo do tempo. Quando uma pessoa parecida com esse padrão que criamos passa por nossa vida, apaixonamo-nos por ela. Ora, então o que leva a gente a se apaixonar? Para o biólogo Áreas são duas substâncias: feniletilamina e serotonina. Estas substâncias são hormônios produzidos pelo corpo no cérebro, cujos níveis variam de acordo com a presença da pessoa que é objeto da paixão. Por conseguinte, o amor por sua vez é conduzido pelos hormônios dopamina, ocitocina e vasopressina. Estas substâncias são liberadas por estímulos dos quais não temos controle. Somos refém do amor. O amor transcende o sensorial. Já o comportamento sexual envolve todos os sentidos, além da expressão corporal e da história de vida dos amantes, por isso o sexo é pessoal, depende unicamente de cada envolvido. 

Como disse Platão (427-347 a.C.), sobre o prazer e a dor: “Procure-se um deles e estaremos sujeitos quase sempre a encontrar também o outro”. É nas relações afetivas que essa combinação paradoxal nos surpreende e fere, acima de qualquer sensação física. No envolvimento passional as impressões subjetivas superam a racionalidade, igualando paixão e amor. Sentimentos que se confundem no coração, mas distinguem-se no cérebro. Sabemos exatamente o que sentimos, só não sabemos os porquês. Pode-se dizer que no porque e no apesar estão as diferenças semânticas que a emotividade não explica. Apaixonamo-nos porque o ser amado parece ter virtudes só visíveis aos nossos olhos. Amamos quando descobrimos que, apesar de aparentes as virtudes e ostensivos os defeitos, predominam a confiança e a compreensão.

Na paixão, está o principio da dor; no amor, está o princípio do prazer. Confundir a natureza desses sentimentos é misturar prazer e dor. Com a paixão vem à posse, o ciúme, a cobrança. Tudo nos leva a pensar e pautar nossa vida na insegurança, uma vida de dor. A autenticidade da paixão está no conflito que ela gera em torno dos envolvidos. Com o amor ficam a admiração, o respeito e a lealdade, formas de amar que poucas pessoas reconhecem. Viver no amor é ter prazer de estar vivo. Nenhum relacionamento sobrevive sem esses ingredientes que decorrem não do arrebatamento, ou seja, atributo da passionalidade insensata. Mas, da razão, da lucidez, atributos esses para a maturidade racional.

Entretanto, a medicina diagnosticou a morbidez passional, atribuindo os estados de depressão e euforia a uma endorfina produzida pelo cérebro. Cientificamente já se provou que o chocolate, além de engordar, engrossar o sangue, ele é um lenitivo dos apaixonados frustrados, afirmam os estudiosos da saúde, que o chocolate ao ser metabolizado no organismo, estimula a química cerebral, provocando uma sensação de prazer semelhante à que produziria a presença da pessoa amada. Na falta do objeto de desejo, no caso aqui exposto, a pessoa amada, buscamos algum outro tipo de prazer que substitua esse objeto de desejo. O chocolate funciona nesses casos, evidentemente, como um atenuante da ansiedade, um tipo de moderador dos desejos mórbidos.

Nos desdobramentos da paixão, o amor e o ódio encontram-se e repelem-se, para negar e consentir, ou seja, no trânsito entre o amor e o não amor está a simpatia; entre o ódio e o não ódio, a antipatia; entre o não amor e o não ódio está a indiferença. Regidos por essas forças, os relacionamentos pessoais, familiares ou sociais, aproximam-se ou distanciam-se num oscilar contínuo, mediados pela sinceridade, pelo carinho, pela solidariedade, tanto quanto pela mentira, pelo desprezo, pelo egoísmo.

Segundo o filósofo holandês Baruch Spinoza (1632-1677), compreendeu que toda a nossa felicidade e toda a nossa miséria residem num só ponto: “a que tipo de objeto está preso pelo amor?” Se este suposto amor estiver centrado no egoísmo do sujeito que se diz amar de paixão, fuja desse amor. Esse amor centrado no egoísmo chama-se paixão, que facilmente é confundida com o amor. O amor, porém, é uma vivência mais ampla, é um modo de ser, de viver, que se conquista gradualmente, à medida que se desenvolve a sensibilidade para com as outras pessoas. Está na nossa capacidade de descentrar-se, sair de si, ir ao encontro do outro, em uma atitude de zelo e respeito que nada quer em troca. Ao dar amor colocamos a prova nossa força, a expressão de nossa vitalidade. No amor damos aquilo que temos de vivo em nós que é: a alegria, o interesse pela vida, a compreensão, o bom humor, o conhecimento e até as nossas tristezas e angústias.

Portanto, amar é preservar a identidade e a diferença do outro, sem perder a sua. É estar comprometido com a realização do outro, é querer seu bem. O amor é uma força de aproximação, aconchego, envolvimento e responsabilidade. Essa força dinamiza a vida que existe em cada um de nós. Derruba fronteiras, estabelece contatos verdadeiros e partilha solidariedade. Ser amoroso está na essência, é uma característica da personalidade do ser humano. Pressupõe toda uma vivência desde o seio materno. Só quem recebeu amor é capaz de amar sem medo. Contudo, enquanto houver uma alma apaixonada, o cérebro e o coração dividirão a soberania das emoções, confundindo paixão e amor.

19 de maio de 2013

AMOR POR TELEPATIA

A função do amor é despertar a consciência de cada pessoa no sentido de romper fronteiras, seja qual for, permitindo a fusão entre as consciências envolvidas. Gerando, contudo, essa força que nos aproxima e nos atrai rumo a novos ideais. Porém, este sentimento chamado amor, que não sabemos exatamente qual seria a sua melhor definição. Mas, sabemos que é um sentimento profundo e essencial a vida, embora pouco falado e pouco estudado nas escolas e principalmente nas universidades, onde se concentra à força jovem, terreno fértil para semear o amor. Por se tratar de uma manifestação humana, merecia uma atenção especial. Tendo em vista, que o ser humano não se reconhece somente pela racionalidade, mas também pelos sentimentos. Existe em cada pessoa uma integração nítida e harmonizada entre pensar e sentir que lhes garante a condição de transcendência, como vem demonstrando os estudos ao longo desses anos, sobre a capacidade e alcance da nossa mente humana.

Na música “mania de você” de Rita Lee, a letra nos diz o seguinte: “A gente faz amor por telepatia”. Não sei dizer exatamente se quando a cantora compôs essa letra, pensou realmente na existência desse tipo de comunicação entre as pessoas. Entretanto, a verdade é que esse fenômeno extra-sensorial chamada telepatia existe e manifesta de fato. Muito estudado e demonstrado pela parapsicologia, a telepatia é a capacidade que nós humanos temos para captar a distância o que acontece com nossos entes queridos. São pressentimentos ligados as pessoas do nosso circulo afetivo. Por exemplo: pais, filhos, namorados e amigos mais próximos. Telepatia é uma palavra que vem do grego, patheia = sofrimentos ou doenças e tele = distância. Isto é, sofrer ou sentir a distância o que alguém ligado a mim está pensando ou sentindo naquele momento. Segundo a parapsicologia, essas manifestações acontecem muito em momentos tristes, onde usamos todas as forças do nosso pensamento, sempre ligados a alguém que amamos muito ou de pessoas muito próximas do nosso circulo afetivo.

Todavia, quem já não pensou em uma pessoa que não via há muito tempo e de repente do nada a pessoa aparece ou telefona. Quantas vezes a gente não está andando pelas ruas pensando numa determinada pessoa e de repente ao virar a esquina tromba com a mesma, e logo vem àquela velha frase: “você não morre mais”, estava pensando em você. Às vezes o outro não acredita muito. Mas é a mais pura verdade, essas coisas acontecem de fato. E principalmente entre os amantes esses fenômenos extra-sensoriais são mais comuns. Por que será? Talvez porque só o amor constitui a linguagem universal eficaz para esse tipo de comunicação integrada. Entendo que só o amor tem o poder de eliminar as fronteiras entre as consciências afetivas. Quem eu amo habita em mim e eu nele. Há um intercambio psíquico muito profundo entre nós.

Entretanto, a linguagem universal do amor nos coloca em igualdade, contudo, desmanchando as barreiras etnocêntricas, avançando na compreensão do ser amado e distribuindo a paz entre todos os seres humanos. Muitas dessas comunicações amorosas entre os apaixonados efetivam-se através dos olhares que transmite, com grande exatidão, pensamentos e sentimentos, porque os olhos tornam evidentes as atividades da consciência mais intima de cada um. Nossos olhos revelam o que pensamos e sentimos. Como diz um adágio popular: “os olhos são as janelas da alma”.

Portanto, o amor da forma e movimenta a vida. Ele representa a força integradora do viver em harmonia, que expressa afinidade de um ser com os demais seres do universo. Por se alojar na essência, o amor é invisível ao olhar menos apurado, mas seu rastro permanece em toda a parte, perceptível a aqueles que com ele se identificam. Contudo, essa dinâmica do amor permite o desenvolvimento das consciências e, estas somam qualidades entre si quando estão amando. Essa força poderosa do amor justifica a humanização do ser humano, orientando sua expansão para estágios mais elevados de espiritualidade e consciência. Enfim, a experiência mais profunda do ser humano é o amor, por ser uma vivência única.     

A RELAÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E SOCIABILIDADE

Em um trecho da palestra para a TV Feira do Livro, Leandro Karnal fala sobre a relação entre inteligência e sociabilidade, em sua fala ele m...